NA NETFLIX: One Day at a Time

O humor é típico do gênero, mas tudo dá certo por causa de Rita Moreno, que ainda está esplêndida, engraçada e bonitona

15/08/2017 16:49 Por Rubens Ewald Filho
NA NETFLIX: One Day at a Time

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One Day at a Time

EUA, 2017. Série em 6 episódios. Com Rita Moreno, Justina Machado, Isabella Gomez, Stephen Tobolowsky, Todd Grinnell, Marcel Ruiz.

Um problema da Netflix é tentar conseguir e encontrar séries que se misturam, aparecem apenas com o nome em inglês e, portanto, se não estiver entre suas favoritas, acabam se tornando praticamente impossíveis de encontrar ou identificar. Faz semanas que tento me lembrar de chegar este sitcom que foi indicado ao Emmy de montagem, mas que deveria ter sido mais justo com Rita Moreno, talvez a última das grandes estrelas latinas ainda viva e em ação, apesar de ter nascido em 1931 (daqui a pouco volto a ela). Mas esta série para latinos e não bem para brasileiros, porque na verdade, os hábitos cubanos são bem diferentes dos nossos, inclusive a festa dos 15 anos que é o clímax da primeira temporada. Já está em andamento a segunda e no entanto até hoje não tive qualquer comentário de uma pessoa que conheço sobre o prazer de ver Rita dando show.

A história é banal, uma latina que trabalha como enfermeira (Justina, que fez a série A Rainha do Sul com a nossa Alice Braga) tem um casal de filhos para criar e uma adolescente para a festa (a menina é colombiana e interessante, Isabella Gomez). Há um vizinho amigo deles e o médico patrão dela também se torna próximo (o papel é do ótimo coadjuvante Stephen Tobolowsky). O humor é típico do gênero, mas tudo dá certo por causa de Rita que ainda está esplêndida, engraçada e bonitona. Ela é uma recordista: a única mulher que ganhou todos os grandes prêmios da indústria: o Emmy, o Tony, o Grammy e o Oscar. E o prêmio especial do Sindicato dos Atores. Também é a única atriz que pode se dar ao luxo de ter participado dos dois maiores e melhores musicais do cinema, Cantando na Chuva e West Side Story. Nada mal para uma atriz porto-riquenha que também foi pioneira, uma das primeiras latinas a fazer sucesso no cinema americano moderno. Tudo isso a transforma Rita numa autêntica lenda viva. Nascida em 1931 em Humacao, Porto Rico - e não Cuba, como aqui-, Rosita Dolores Alverio, estreou no cinema com apenas 14 anos com o nome de Rosita Moreno, fazendo papéis pequenos e operando o nariz que era meio aquilino. A Metro a usou em alguns musicais como quando fez com Mario Lanza, Quando Eu Te Amei (The Toast of New Orleans) com a dupla Mario Lanza e Kathryn Grayson. Depois virou uma garota dos mares do Sul em Amor Pagão (Pagan Love Song), com Esther Williams e Ricardo Montalban. Em Cantando na Chuva seu papel é quase mudo. Ela faz a exótica Zelda Zanders, a Zip Girl, estrela do cinema mudo que desfila com roupas esquisitas e não esconde seu ciúme das rivais.

Mas na Hollywood dos anos 50 não era fácil encontrar personagens dignos para latinos, embora hoje não tenha melhorado tanto! Rita teve até sorte quando conseguiu ser uma jovem siamesa em O Rei e Eu, de 1956, ao lado de Yul Brynner e Deborah Kerr. Seu personagem era o segundo em importância, a noiva que se apaixona pelo escravo e por isso irá pagar com sua vida. Teve sua voz dublada por outra e não chegou a deixar uma marca num filme luxuoso e bem-sucedido. A grande chance só iria surgir em 1961 quando foi escolhida para viver Anita em Amor Sublime Amor (West Side Story), versão de show de sucesso na Broadway, onde o personagem tinha sido de Chita Rivera. Dirigido pela dupla Robert Wise e Jerome Robbins, o filme dava chance para Rita dançar e cantar canções clássicas como “América”. Ganhou seu Oscar de coadjuvante por causa desta cena onde tentam estupra-la. Mas Rita reclama até hoje porque lhe dublaram e mal a voz nesta sequência (com Natalie Wood no quarto). Amiga de Carmen Miranda é hoje a latinidade por excelência e assisti-la tão charmosa e engraçada nesta série me foi um grande prazer.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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