De Volta ao Netflix!

Rubens Ewald Filho comenta duas séries disponíveis, Stranger Things e River!

27/07/2016 00:59 Por Rubens Ewald Filho
De Volta ao Netflix!

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Talvez por estar ocupado com outras coisas, deixei um pouco de lado, ao menos por uns tempos, as estreias do Netflix. Ou vai ver passou um pouco a novidade e ficar vendo comédia sem graça de Adam Sandler não é a nossa ideia de uma boa alternativa. Comecei com uma decepção enorme, com a série que seria a mais nova chamada Stranger Things, 16, de quem um paciente espectador fez um vídeo incrível numa edição onde compara as cenas da série com a dos filmes que estão copiando descaradamente, lógico de que forma inferior. Mas são os habituais suspeitos (ET, Goonies, Firestarter, Contatos Imediatos, Pesadelo em Elm Street, Poltergeist, Explorers, O Iluminado, o primeiro Alien, Conta Comigo, Carrie a Estranha e assim por diante). Encontra-se no Facebook como Stranger Things. Referencias a filmes da década 70 e 80. Muito divertido mas razão suficiente para abandonar a fraca e dispensável série.

River, a Série 2015. Inglaterra, 15. Série de 6 capítulos, criada por Abi Morgan onde foi também produtora (ela escreveu os filmes As Sufragistas, esse o mais fraco de sua carreira, A Rainha com Helen Mirren, Shame do Fassbender, a premiada série The Hour, O Nosso Segredo (passou em branco, conta a vida do escritor Charles Dickens The Invisible Woman, com Felicity Jones e o indiano Brick Lane). As séries inglesas são famosas por serem densas, humanas, dramáticas e geralmente fixada no povo comum.

Esta aqui foi escrita especialmente para o ator sueco Stellan Skasgaard (hoje na moda porque é o pai do novo Tarzan em cartaz nos cinemas), que faz filmes americanos desde Gênio Indomável (entre eles, Thor, Avengers/Vingadores, Cinderela, Ninfomaníaca e, em 2012, fez uma série chamada Rouge Brésil, rodada por franceses aqui e por Pedro Buarque de Hollanda). Este River é certamente sua melhor interpretação, a série foi votada a melhor do no Festival de TV de Monte Carlo. Faz parceira aqui com outros grandes atores, como sua chefe na policia temos a excelente Lesley Manville, que normalmente trabalha com Mike Leigh (Vera Drake, Segredos e Mentiras, Um Ano Mais e até Malévola). Seu personagem chama-se John River e é um veterano policial infeliz e solitário que desde jovem sofre sem revelar a situação para ninguém. São espíritos, fantasmas de gente morta que vem conversar com ele, às vezes ofende-lo, ou então enfrentá-lo (grande interpretação de um coadjuvante britânico chamado Eddie Marsan (quando alguém vai descobrir esta grande figura? Faz tudo bem...).

O problema dramático maior é uma colega (Nicola Walker), meio namorada que foi assassinada na rua, por motivos que ele não consegue decifrar. O pior é que os espíritos surgem nos momentos menos adequados e a situação vai se complicando com outras traições, corrupções variadas e uma angustiante vontade de entender o quebra cabeça.

Direção de Tim Fywell, Jessica Hobbs, Richard Laxton (ainda desconhecidos por aqui, mas impecáveis). Por que será que os ingleses fazem melhores séries que os americanos, ao menos como regra geral? Talvez sejam os roteiros que são mais profundos, mais sérios, e os elencos impecáveis. Recomendo com entusiasmo este River. Mas dá um chute nos ladrões de ideias como esse Stranger Things.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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