NA NETFLIX: A Sociedade Literaria e a Torta de Casca de Batata e O Plano Imperfeito
Duas comedias romanticas adoraveis na Netflix
A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata (The Guernsey Literary and Potato Peel Pie Society). Reino Unido/França/EUA, 2018, 124 minutos. Drama/Romance. Colorido. Dirigido por Mike Newell. Distribuição: Netflix
Escritora em início de carreira, Juliet Ashton (Lily James) viaja até uma ilha do Reino Unido para conhecer uma sociedade literária secreta formada por antigos moradores. Ela participa dos encontros para escrever um artigo sobre o grupo para publicar num grande jornal. Aos poucos Juliet assimila o valor da amizade, da cultura e até da paixão.
Drama britânico adorável, onde brilham coadjuvantes veteranos como Tom Courtenay e Penelope Wilton, e destaque para uma nova estrela de Hollywood, Lily James (de “Cinderella” e “Mamma Mia! Lá vamos nós de novo”), em um de seus melhores trabalhos até agora. Amantes de filmes de época irão apreciar, sem dúvida. A história, além de legal, é aperfeiçoada pela fotografia de arrancar suspiros, com passagens belíssimas pelos campos e rochedos de Morwenstow, no norte de Cornualha, Inglaterra. Duas outras participações que valem menção são a do jovem holandês Michiel Huisman (de “Game of thrones”) e Matthew Goode (de “Segredos de sangue” e “O jogo da imitação”), rápidas, mas precisas.
Tudo é garantido em estado de graça devido à mão do conceituado e veterano diretor Mike Newell, que conquistou o mundo com seu “Quatro casamentos e um funeral” (1994), depois o ótimo filme de máfia “Donnie Brasco” (1997) e até fez um dos melhores filmes da cinessérie “Harry Potter”, no caso “Harry Potter e o cálice de fogo” (2005).
Chama a atenção o título estranho, tanto em português quanto o original em inglês (a tradução é praticamente a mesma), que faz referência ao clube literário em questão, onde os membros fazem um ritual, comer uma torta específica da região, feita de casca de batata. Aliás, a história é baseada em eventos reais ocorridos na Segunda Guerra Mundial, numa ilha ocupada por alemães, a partir do romance homônimo de Mary Ann Shaffer, publicado postumamente pela sobrinha da autora, Annie Barrows.
É fácil se identificar com a adorável personagem central, uma jovem culta, apaixonada por livros, que passa a ser peça fundamental na sociedade literária e transforma todos ao redor. Perdoe os clichês, entre no clima romântico e conheça essa pérola produzida pelo StudioCanal em parceria com a Amazon Prime, depois distribuído mundialmente pela Netflix (está no catálogo da Netflix desde 2018 - entre e confira).
O plano imperfeito (Set it up). EUA, 2018, 105 minutos. Comédia/Romance. Colorido. Dirigido por Claire Scanlon. Distribuição: Netflix
Dois assistentes que trabalham para executivos de Nova York andam estressados pelas cobranças de seus chefes. Cada um atua em uma empresa diferente. Num encontro casual, elaboram um plano amoroso para que os executivos, um homem e uma mulher, se conheçam e, quem sabe, se apaixonem.
Da diretora das séries cômicas de sucesso nos Estados Unidos “The office”, “Unbreakable Kimmy Schmidt” e “The good place”, Claire Scanlon, é uma agradável comédia romântica que a Netflix lançou em 2018, que trata do estressante mundo dos negócios de Nova York por outro prisma. Na história, dois amigos exauridos pelos seus chefes durões bolam um plano para que eles se encontrem e, daí, tenham um relacionamento, para que, assim, eles vivam felizes no trabalho e não cobrem tanto os subordinados (naquele raciocínio de “quem está apaixonado, é mais emotivo, sabe conversar e não enche o saco”). O plano dá certo até um ponto, depois as situações apertam.
A roteirista Katie Silberman, dos filmes de humor “Megarromântico” e “Fora de série”, ambas de 2019, acertou numa uma fita alto astral, bem passageira, para se assistir sem compromisso. Tem um dos melhores papéis da protagonista Zoey Deutch (de “Antes que eu vá” e da série “The politician”), e participação especial de Lucy Liu (uma das chefes, alvo do plano romântico).
Confira essa brincadeira divertida que se encaixa como uma farsa moderna, previsível e leve para recompor nosso humor em épocas de pandemia.
Sobre o Colunista:
Felipe Brida
Jornalista, cr?tico de cinema e professor de cinema, ? mestre em Linguagens, M?dia e Arte pela PUC-Campinas. Especialista em Artes Visuais e Intermeios pela Unicamp e em Gest?o Cultural pelo Centro Universit?rio Senac SP, ? pesquisador de cinema desde 1997. Ministra palestras e minicursos de cinema em faculdades e universidades, e ? professor titular de Comunica??o e Artes no Imes Catanduva (Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva), no Senac Catanduva e na Fatec Catanduva. Foi redator especial dos sites de cinema E-pipoca e Cineminha (UOL) e do boletim informativo "Colunas e Notas". Desde 2008 mant?m o blog "Cinema na Web". Apresenta quadros semanais de cinema em r?dio e TV do interior de S?o e tem colunas de cinema em jornais e revistas de Catanduva. Foi j?ri em mostras e festivais de cinema, como Bag?, An?polis, Bras?lia e Goi?nia, e consultor do Brafft - Brazilian Film Festival of Toronto 2009 e do Expressions of Brazil (Canada). Ex-comentarista de cinema nas r?dios Bandeirantes e Globo AM, foi um dos criadores dos sites Go!Cinema (1998-2000), CINEinCAT (2001-2002) e Webcena (2001-2003). Escreve resenhas especiais para livretos de distribuidoras de cinema como Vers?til Home V?deo e Obras-primas do Cinema. Contato: felipebb85@hotmail.com
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