RESENHA CRÍTICA: O Homem das Cavernas (Early Man)

A grande sacada do filme é a paixão pelo futebol, a Copa do Mundo de 66

05/04/2018 15:50 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: O Homem das Cavernas (Early Man)

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O Homem das Cavernas (Early Man)

Inglaterra, 2018. 1h25. Direção e criação de Nick Park. Vozes originais de Tom Hiddleston, Eddie Redmayne, Maisie Williams, Timothy Spall, Richard Ayoade, Miriam Margolyes. Música de Harry Gregson Williams. Produção da Aardman.

Sim, acho também que a moda dos filmes de animação também começa a saturar importando tudo que é desenho animado de qualquer parte do mundo, embora na verdade quase todos eles são no mínimo interessantes. Mas haja paciência e grana para levar as crianças até os cinemas! Neste caso especial é um pouco diferente porque se trata do maior animador da Inglaterra, um sujeito que eu acho genial e brilhante. E super premiado. Gosto sempre nesses casos de fazer a biografia No final do texto).

Na verdade, o trabalho dele e sua equipe é totalmente manual e dificílimo de realizar. Não é a toa que levou 10 anos para fazer este outro filme, que talvez por falta de personagens mais conhecidos aproveitaram uma situação pré histórica que ultimamente já apareceu em outras aventuras inclusive da Disney. Parece brincadeira, mas a concorrência atrapalha. De qualquer forma eu adoro A Fuga das Galinhas, como o meu favorito do estúdio. Todo o filme foi feito no sistema chamado de Stop Motion.

Começa ainda na pré-história quando criaturas estranhas e monstros dominam a terra. Conta-se a historia de Oug, e seu parceiro Hognob, quando eles reúnem a tribo contra o poderoso inimigo Lord Nooth na esperança de salvar a Cidade da Idade de Bronze onde eles vivem. Prestem atenção os astros do estúdio Wallace e Gromit aparecem muito de longe numa cena de multidão. Tudo para surpreender o diretor. O titulo original era Early Man United uma referencia ao time de futebol Manchester United. Um detalhe importante: este é o primeiro filme de Nick dirigiu sozinho, sem os antigos parceiros Peter Lord e Steve Box.O nome do personagem Goona é uma referencia a outro time o Arsenal. O da Queen Oofeefa é referencia justamente a Federação de Futebol, a FIFA. Nos créditos finais, há pinturas dos homens da caverna jogando futebol. E também outros personagens de filmes anteriores.

Para um orçamento de 50 milhões não rendeu nos EUA mais do que 8 milhões e 600. Os críticos em particular os britânicos notaram que o filme faz referencias a outros desenhos com Os Flintstones, comédias clássicas da produtora Ealing, as comédias da serie Carry On e outros filmes dele mesmo. Ou seja, os brasileiros dificilmente irão perceber isso.

Mas faz sentido que Park continue fiel a si mesmo, mantendo seu tom nostálgico e o uso de cores que ele prefere. Mas pensando bem a grande sacada do filme é a paixão pelo futebol, a Copa do Mundo de 66. Mas tenho que admitir que não é especialmente divertido para crianças e adultos que não curtam o “football britânico”. Assim só irão curtir caso já conheçam o autor e seus personagens.

 

Nick Park ((1958- )

Um dos gênios da animação moderna (mesmo que trabalhando com massinhas e técnicas antiquadas como a animação quadro-a-quadro). Nascido Nicholas Wulstan Park, em 6 de dezembro em Preston, Lancashire, na Inglaterra, onde continua baseado. Estudou no Sheffiel Hallan Universtiy e começou na produtora Aardman Animation (de David Sproxton e Peter Lord) onde fez o primeiro curta A Grand Day Out, que ganhou o Oscar da categoria. Ele também ganharia outros Oscars por The Wrong Trousers e A Close Shave, sempre com os personagens de Wallace & Gromit (estes três filmes citados seriam reunidos depois em vídeo e DVD como As Aventuras de Wallace e Gromit). Em 1987 fez a animação do Music Video de Peter Gabriel, Sledgehammer. Financiado pela Dreamworks, em 2000 fez sucesso com o brilhante e divertido A Fuga das Galinhas, inspirado no filme Fugindo do Inferno de John Sturges e co-dirigido por Peter Lord (1953- ). Seu segundo filme é muito divertido e faz uma brincadeira com filmes de terror, Wallace & Gromit – A Batalha dos Vegetais, que lhe deu o Oscar de Melhor Longa de Animação. Na semana de estreia do filme nos EUA, um incêndio misterioso destruiu completamente os estúdios na Inglaterra onde o filme foi produzido. Produziu também as série de TV Shaun The Sheep (07) e Creature Conforts (07).

Dir.: 1989 – Um Grande Passeio (A Grand Day Out (CM). 1989 – Creature Comforts (CM). 1993 – As Calças Erradas (The Wrong Trousers (CM). 1995 – O Fio da Navalha ( A Close Shave (CM). 2000 – A Fuga das Galinhas (Chicken Run. Co-dir. Peter Lord. Vozes de Mel Gibson, Miranda Richardson). 2005 – Wallace & Gromit – A Batalha dos Vegetais (Wallace & Gromit in The Curse of the Were-Rabbit. Co-d. Steve Box. Vozes de Ralph Fiennes, Helena Bonham Carter). 2008- Uma questão de Pão ou Morte ( Wallace and Gromit in A Matter of Loaf and Death (TV). 2018- O Homem das Cavernas (Early Man).

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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