RESENHA CRÍTICA: Château-Paris (La Vie de Château)
Na França há gente fazendo historias sobre comunidades de imigrantes, como é o caso deste aqui
Château-Paris (La Vie de Château)
França, 2017. 1h21 min. Direção de Modi Barry e Cédric Ido. Com Jacky Ido, Tatiana Rojo, Jean-Baptiste, Anoumon, Zirek, Gilles Cohen, Felicité Wouassi, Bruno Rucci.
Embora o Festival Varilux já esteja prestes a acontecer no próximo mês, fica sempre a lição para o espectador comum, nem todo filme é bom, melhor dizendo o número de filmes franceses acima da média baixou muito desde os tempos de Nouvelle Vague e aí esta o Festival de Cannes para demonstrar isso. A maior parte deles são aborrecidos, com atores desconhecidos e irregulares (não se esqueçam que a França tem uma espécie de Ministério especial para divulgar os filmes locais para o resto do mundo). Eles têm, porém, uma curiosidade considerando como os franceses e por extensão muitos europeus são racistas. Mesmo assim há gente fazendo historias sobre comunidades de imigrantes, como é o caso deste aqui.
O título brasileiro do filme vem de Château D´Eau, uma estação de Metrô perto da Gare de L´Est em Paris, onde vive uma grande comunidade africana. Conta a história de Charles (Jacky), irmão do diretor do mesmo sobrenome e que trabalhou também no filme de Tarantino, Bastardos Inglórios. Aqui ganha a vida parando pessoas na rua e convencendo eles a visitar o cabeleireiro e salão de beleza, usando todos os truques possíveis. Seu sonho porém é ser dono de sua própria barbearia e já sabe até qual. Pertence a um poeta Kurdan enquanto nosso herói tenta ser o mais bem vestido de todos os vigaristas. A graça estaria no grupo de emigrantes exóticos e ilegais que vivem na região.
Normalmente filmes com essa história são dramáticos e até trágicos e este aqui pretende denunciar problemas, tomar posições políticas, mas sempre com certo humor e também assumindo um tom de humor, como disseram os franceses, um “dramedy”, uma comédia de erros.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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