RESENHA CRÍTICA: A Câmera de Claire(La Caméra de Claire)
Um desperdício de tudo que não vale nem pela chance de admirar La Huppert muito conversada e bem disposta. O espectador é que sairá irritado.
A Câmera de Claire (La Caméra de Claire)
Coréia do Sul. 17. Direção de Hong Sansoo. 1h9min. Com Isabelle Huppert, Chang Mihee, Kim Min Hee, Hong Sansoo.
Preciso confessar que não sou admirador de determinado tipo de filme, extremamente letárgico e irritante, que com frequência o Festival de Cannes insiste em coroar. Na verdade, é uma brincadeira entre amigos que parece improvisado, já que o diretor do filme faz o papel principal de, olhem só que novidade, de um diretor de cinema e que tudo indica também é um contumaz alcoólatra. Ou seja, no fundo é um retrato dele, feito as pressas, ao que parece durante um Festival de Cannes usando como o motivo mais curioso, o fato de que uma moça bonita perde seu emprego porque a chefe resolveu despedi-la achando que não é de confiança. No filme curtíssimo graças a Deus, cheio de papo furado, irá se descobrir em pouco tempo (veja a metragem dele!) qual foi a causa do desemprego. O mais triste de tudo é ver a francesa Huppert, num papel bobo e tolo, falado quase todo em inglês e seu hobby é tirar fotografias que depois servem para elucubrações ainda mais idiotas... Um desperdício de tudo que não vale nem pela chance de admirar La Huppert muito conversada e bem disposta. O espectador é que sairá irritado.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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