A lenda e histria de Dumbo. E suas diversas variantes.

A nova face de Disney e as edi寤es comemorativas de Dumbo

27/03/2019 14:05 Por Rubens Ewald Filho
A lenda e hist처ria de Dumbo. E suas diversas variantes.

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Há poucos anos atrás, antes dela comprar ou conquistar a Fox, a empresa Disney resolveu investir num novo projeto: transcrever os filmes de desenho ou animação para histórias dramatizadas, obviamente adaptadas de todo o acervo da empresa. Isso foi criado principalmente por causa do enorme êxito que tiveram os desenhos animados Disney, sempre acompanhados por trilhas musicais de ainda maior êxito, que ficaram anos em cartaz nos palcos da Broadway ou viajando não apenas pelo interior da América. Mas também no mundo interior (incluindo o Brasil). E num total de cerca de 400 títulos. Sendo os pioneiros Oz, Mágico e Poderoso, 2013, Malévola, 14, com Angelina Jolie, que terá agora continuação, Cinderela, 2015, com Lily James, Mogli o Menino Lobo, 16, Meu amigo o Dragão, 16, A Bela e a Fera, 17,o mal sucedido Quebra Nozes, 18, O retorno de Mary Poppins, 18 e além de Dumbo, estão programados Alladin, 19, O Rei Leão, 19, Mulan, 20, Malévola, a Mestra do Mal, 19, Jungle Cruise, 2020 com Emily Blunt.

Dumbo, o desenho clássico e suas façanhas.

O desenho foi lançado em duas edições comemorativas anteriores, veja as informações sobre o filme e suas edições em DVD:

 

Dumbo (Edição de 60º aniversário)

Diretor: Ben Sharpsteen (1895-1980) foi também o diretor de Branca de Neve e os Sete anões, 37, Pinocchio, 40, num total de 36 créditos (ganhou Oscar por Arma Girls, 58, e também White Wilderness, 58. E ainda Portugal, 57, com Dumbo, ele foi premiado no Festival de Cannes em 1947.

Elenco: vozes originais de Sterling Holloway, Edward Brophy, Verna Felton, Herman Bing, Cliff Edwards.

Sinopse: Elefante de orelhas grandes nasce num circo, mas se sente rejeitado até aprender a voar, ajudado por seu conselheiro, o ratinho Timóteo.

Comentários: Premiado com o Oscar de Arranjos Musicais (canções de Frank Churchill e Oliver Wallace) e indicado como canção (Baby Mine), este filme curto de Disney (com 64 min., mal chega a ser considerado longa metragem), também é dos mais adoráveis e cultuados. O nome de Dumbo é uma síntese de “dumb” (burro em inglês) com “jumbo” (grande). Tem algumas sequências notáveis como a canção dos corvos (Eu Vi um Elefante Voar/ When I see an Elephant Fly) e principalmente a experimental dança dos elefantes rosas (quando ele fica bêbado). Esta bela edição comemorativa de 60º aniversário, inclui um filmete (Celebrando Dumbo), 2 curtas animados (“O Elefante Elmer” e “O rato voador”), Galeria de arte do Dumbo (conceito, criação de personagens, elefantes rosa, criação da história, trabalhador, bastidores e atrações), Cante com Disney ("Procure o Sr./ Look Out For Mr. Stork" e "Casey Jr"), historinha (A Grande descoberta de Dumbo) e video musical: "Meu Bebê/ Baby Mine" interpretado por Michael Crawford. Edição americana traz ainda comentários em áudio, introdução original feita para a TV por Walt Disney, Trailers e Spot para TV, mixagem de som (trecho de O Dragão Dengoso/ The Relucant Dragon), extras para DVD ROM, e trailers dos próximos lançamentos da Disney. Capinha nacional fala em bônus especial sem especificar o que se tratava. 17 capítulos.

 

Dumbo (Edição de 70º aniversário)

Saiu esta nova versão (diamante) e também em Blu-Ray, deste clássico curto (e que foi homenageado por Spielberg na sua comédia “1942) premiado com o Oscar de Arranjos Musicais (canções de Frank Churchill e Oliver Wallace) e indicado como canção (Baby Mine). Também uma das mais adoráveis e cultuadas obras de Walt Disney. O nome de Dumbo é uma síntese de “dumb” (burro em inglês) com “jumbo” (grande). Tem algumas sequências notáveis como a canção dos corvos (Eu Vi um Elefante Voar/ When I see an Elephant Fly) e principalmente a experimental dança dos elefantes rosas (quando ele fica bêbado). Esta edição veio com apenas um disco. e traz como extras: Nos Bastidores (Comentários em Áudio , legendados, o Making of Voando, Por trás das Câmeras de Dumbo); Cenas Inéditas (Sequência inédita,a História de um Rato), Musica inédita (Are you a Man or a Mouse?) e Ainda imagem restaurada, AMagia de Dumbo:: um ritual de passagem, o Design Sonor-trecho de O Dragão Relutante (outro desenho antigo da Disney), Introdução pelo próprio Disney, trailers originais de 41 e 49. Esses extras são diferentes da edição dos 60 anos). A Qualidade da imagem é boa, a do som (dublado para português) bem mais fraco.

E que tal o novo Dumbo? Noutro texto ficaremos sabendo mais a respeito dele e de sua repercussão... (REF)

 

 

Dumbo
Por Adilson de Carvalho Santos

A Disney vem sendo bem-sucedida em suas transposições da animação para o live-action. Embora já tivesse feito uma tentativa com “101 Dálmatas” (1990) foi mais recentemente que a casa de Mickey Mouse passou a explorar efetivamente o filão. Foram mais de $200 milhões com “Cinderela” em 2015, mais de $300 milhões com “Mogli” em 2016 e mais de $500 milhões com “A Bela & A Fera” em 2017, e isso em termos de bilheteria doméstica (território americano) de acordo com o site “boxoffice mojo”. Só esse ano ainda já temos programado “Aladim”, “Rei Leão” e estreando agora “Dumbo”, reunindo Michael Keaton e Danny DeVito com Tim Burton, além de Eva Green, Colin Farrell e Alan Arkin.

A história do filhote de elefante com orelhas enormes se conecta com um mundo onde estamos constantemente debatendo temas como bullying e intolerância com o que é diferente. A história, no entanto, data de um livro infantil publicado em 1939 e escrito pelo casal Helen Aberson e Harold Pearl. Reza a lenda que a história já havia sido usada no formato “rool-a-book”, espécie de livro com slides, mas nenhuma cópia deste existe. O filme de Tim Burton se baseia mais no livro do casal Aberson-Pearl que na clássica animação de 1941, o que significa algumas diferenças serão observadas, como a falta de animais falantes. Assim como Dunga em “Branca de Neve & Os Sete Anões” (1938) ou Gideon o gato de “Pinoquio”, o simpático elefantinho não verbaliza, mas é mais humano em seus sentimentos que os homens que exploram os animais no circo. O pequeno elefante recebe seu nome como um trocadilho de Jumbo com “Dumb”, que em inglês significa “Estúpido”. Mesmo com o dom de vôo graças a suas orelhas, o animal conhece a indiferença e, depois, a ganância do homem que explora os animais do circo e que tem na figura de Michael Keaton a personificação da vilania. Fica claro, à medida que a história segue, que o que nos faz ser atacados também pode ser transformado em superação e força.

Quando o próprio Walt Disney tomou conhecimento do livro não se interessou a princípio, mas foi convencido e, assim, viu a oportunidade de transpor para as telas a belíssima mensagem por trás de seu protagonista, além de se recuperar financeiramente dos altos gastos que tivera com “Fantasia” um ano antes. A época de sua realização o mundo estava atravessando a Segunda Guerra e a indústria do entretenimento não poderia arcar com grandes gastos já que o governo pressionava os estúdios em nome do “esforço de guerra”. Com um orçamento inferior, em relação aos outros lançamentos do estúdio, “Dumbo” foi um feliz sucesso de bilheteria com bilheteria acima da alcançada com “Pinoquio” (1940) e “Fantasia” (1940) somados. Percebe-se que o desenho é de fato mais simples, tendo os animadores do estúdio estudado os movimentos dos animais, e o fundo de várias cenas chegou a usar cores de aquarela (sim, computação gráfica não existia na época). Custou cerca de US$ 813 mil dólares e arrecadou US$1,6 milhões, mesmo depois de vários obstáculos para sua realização. O estúdio Disney foi pressionado por uma greve de cinco semanas dos cartunistas, que estourou durante a realização da película, destruindo a atmosfera amistosa que era marca do estúdio. Outra luta de bastidores se deu quando a RKO Radio Pictures, que distribuía as produções do estúdio, tomou conhecimento da metragem de 64 minutos, e forçou Disney a filmar mais material que o aumentasse ou reduzi-lo como um curta, mas ele se recusou a ambos e conseguiu garantir seu lançamento.

 A animação de “Dumbo” tornou-se o 4º trabalho do estúdio no gênero e foi também o menor em termos de duração, contando apenas 64 minutos de projeção original. O Rato Timotheo rouba as cenas várias vezes como fiel companheiro de Dumbo, e foi criado pelo estúdio já que no livro original é um pássaro quem ajuda o herói de quatro patas. A escolha de um rato funcionou já que a sabedoria popular sempre coloca que elefantes temem ratos.

 Público e crítica apaixonaram-se pela história do elefantinho voador quando sua estreia em outubro de 1941, chegando aos jornais e revistas especializadas como a “Variety” e o “New York Times”. Meses depois, o personagem chegou a ser escolhido como capa da revista “Time”, que escolhia a cada ano uma foto que representasse o personagem do ano. Contudo, o ataque a Pearl Harbor mudou o rumo dos eventos, levando os Estados Unidos a ingressar no conflito e com Dumbo sendo substituído pelo General McArthur, comandante das forças americanas. A edição da Time, todavia, publicou em suas páginas internas a imagem do elefante. No ano seguinte, a belíssima canção “Baby Mine”, ouvida quando a mãe de Dumbo usa sua tromba através das grades da jaula para ninar o pequeno filhote, perdeu o Oscar de melhor canção, mas ao menos a produção triunfou como melhor trilha sonora para Frank Churchill e Oliver Wallace.

“Dumbo” está entre os trabalhos mais apreciados pelo estúdio Disney, e o próprio pai de Mickey e Donald dizia que era um de seus favoritos. Na segunda metade dos anos 2000 John Lasseter, homem forte da Disney, chegou a considerar fazer uma sequência da animação, que acabou não acontecendo. O filme de Burton vem com a missão de trazer esta comovente história para a nova geração, e nisso reside o encanto dessas refilmagens. Em 2017, a animação original foi escolhida pela Biblioteca do Congresso Americana para ser preservado como um Tesouro Nacional. O filme de Burton, assim sendo, tem como missão resgatar um espirito nostálgico, reforçado pela ambientação logo após o final da Primeira Guerra, e a inocência de um personagem que voa com suas orelhas mas nos encanta com seu coração.

 Em breve, falaremos de “Aladim” !!! (Adilson de Carvalho Santos)

 

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho jornalista formado pela Universidade Catlica de Santos (UniSantos), alm de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados crticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veculos comunica豫o do pas, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de So Paulo, alm de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a dcada de 1980). Seus guias impressos anuais so tidos como a melhor referncia em lngua portuguesa sobre a stima arte. Rubens j assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e sempre requisitado para falar dos indicados na poca da premia豫o do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma cole豫o particular dos filmes em que ela participou. Fez participa寤es em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minissries, incluindo as duas adapta寤es de “ramos Seis” de Maria Jos Dupr. Ainda criana, comeou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, alm do ttulo, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informa寤es. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionrio de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o nico de seu gnero no Brasil.

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