Clássico Maldito do Cinema e as Fofocas. Lembra de Ramona?

Desde criança Rubens Ewald Filho queria assistir este filme da Fox que tinha uma lenda incrível por trás de si

05/08/2018 00:26 Por Rubens Ewald Filho
Clássico Maldito do Cinema e as Fofocas. Lembra de Ramona?

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Ramona (Idem)

EUA, 36. 1h24 min. Direção de Henry King. Roteiro de Lamar Trotti baseado em livro de Helen Hunt Jackson. Com Loretta Young, Don Ameche, Kent Taylor, Pauline Frederick, Jane Darwell, Katherine DeMille, John Carradine, J.Carroll Naish. Produção de Darryl Zanuck musica de Alfred Newman.

Desde criança eu queria assistir este filme da Fox que tinha uma lenda incrível por trás de si, principalmente Dona Nena, mãe do Ney Latorraca, sempre me contava que houve proibição de tocar na rádio e no Cassino da Urca a música tema, porque, segundo os brasileiros, esse nome trazia azar, tinha que bater na boca se por acaso o usasse (acho que por isso esta última versão mais moderna tem melodia que recorda o tema, mas não a anterior que antes foi sucesso mundial). É porque houve antes outras versões mais remotas, que foram as de curta metragem (10, mudo), a de 1916, dirigido por Donald Crisp, com Ann Dvorak, de 28, de Edwin Carene com Dolores Del Rio e Warner, esta é uma serie de TV (mexicana de 46 capítulos, de 2000 com Kate Del Castillo).

A história é basicamente a mesma: um jovem de descendência indígena cresce adotada por uma família rica de fazendeiros mexicanos. É que a mãe dela morreu e prometeu que a irmã mais velha e moralista dela fosse criada como americana! Tudo vai bem até quando aparece um índio também mexicano e os dois se apaixonam sendo obrigados a fugir de casa e irem viver com os nativos. O grande problema é que nesse meio tempo o governo americano criou lei colocando os mexicanos totalmente bandidos e marginais (alguma semelhança com o momento atual é super incrível! Tudo se repete e sempre para pior). Desculpe o spoiler, mas o herói amoroso morre (o papel é feito pelo famoso e ate premiado com o Oscar Don Ameche, embora ele esteja irreconhecivelmente jovem).

A atração desta versão é o fato de que foi a primeira a ter o “in the new perfected Technicolor” e o colorido na copia é bem acima do razoável. É estranha também passar por branca a americana e belíssima Loretta Young, que era grande estrela do estúdio, mas que nada tinha a ver com a figura da amaldiçoada. Loretta (1913-2000 e também premiada com Oscar por outro filme) não consegue convencer como mestiça, mas ainda assim é linda e está muito bem cercada por alguns dos melhores coadjuvantes da época - em particular a velha que a acolhe, a grande Jane Darwell que também levou Oscar por Vinhas da Ira. Também como mestiça quem aparece é Katherine DeMille, filha adotiva de Cecil B De Mille e durante anos mulher de Anthony Quinn. O caso com Loretta foi depois a grande fofoca de Hollywood, porque ela que era muito católica ficou grávida com Clark Gable em outro filme e fingiu ter ficado doente enquanto teria a filha do casal que seria criada só por ela com o nome de Judy Lewis. Quem quase fez o papel de Ramona foi Rita Hayworth (ou Cansino) que foi considerada jovem demais para o personagem!

Se gostei do filme? Pura nostalgia e um trauma a menos na lista dos filmes que perdi...

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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