RESENHA CRÍTICA: Pelé - O Nascimento de uma Lenda (Pelé: Birth of a Legend)

Este filme que me pareceu bem realizado, com os problemas de sempre

26/10/2017 14:34 Da Redação
RESENHA CRÍTICA: Pelé - O Nascimento de uma Lenda (Pelé: Birth of a Legend)

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Pelé - O Nascimento de uma Lenda (Pelé: Birth of a Legend)

EUA, Brasil, 2017. 1h47min. Direção de Jeff Zimbalist, Michael Zimbalist. Com Leonardo Lima Carvalho (jovem Pelé), Kevin de Paula (como Pelé), Vincent D´Onofrio (Feola), Diego Boneta, Rodrigo Santoro, Seu Jorge (como Dondinho) Mariana Nunes (mãe de Pelé), Milton Gonçalves (como Waldemar de Brito), Seth Michaels |(Zagallo), Colm Meaney, Pelé (aparece sentado no Lobby do Hotel).

Houve um atraso no lançamento deste filme internacional (Pelé é coprodutor e o nome mais famoso é Brian Gazer, que ganhou Oscar por Uma Mente Brilhante) enquanto se esperava a recuperação da saúde de Pelé, em mais um filme biográfico sobre sua carreira. Desta vez, foi planejado para coincidir com a Copa do Mundo de 14, mas atrasaram e não deu certo. Na verdade, foram muitos os filmes de Pelé (o IMDB credita 9 filmes, mas já esquece assim o primeiro não com ele, mas sobre ele que foi O Rei Pelé, feito com Lima Duarte e com cenas em Santos, dirigido pelo argentino, Carlos Hugo Christensen, de 1962, com Laura Cardoso e Eduardo Abbas. Aliás, muito bom). Vieram também filmes de ficção e aventura.

Na verdade, vou aproveitar a chance de falar sobre Pelé. Já vi este filme que me pareceu bem realizado, com os problemas de sempre, que é o óbvio, o brasileiro fica esperando um filme brasileiro com cara de nós, jeito de verdade (e não um folclórico duvidoso) e um elenco internacional (Santoro mal aparece, os nacionais de fato são poucos). Ou seja, não vão gostar. Mas o fato é que podia ser ainda bem pior.

Eu simpatizo como filme porque me traz lembranças de Pelé. Como imagino que saibam eu sou de Santos e tive cadeira especial no Estádio do time desde criança, quando meu pai me conduziu, ainda moleque, de tudo para a peregrinação (com frequência no interior ou no Pacaembu) para acompanhar o Santos F.C. Achava meio esquisito, mas hoje eu sou grato porque tive a honra e o prazer de ver o time do Santos no melhor de sua criação. Nunca houve outro time igual em lugar nenhum do mundo, nem vai ter esse milagre duas vezes. Só quando fui crescendo e amadurecendo foi que percebi que foi um presente dos deuses ter a chance de ver o Santos em seu crescimento e apogeu e como parte disso o surgimento de Pelé. Tudo que eu disser não será novidade, mas para mim, louco por cinema, era incrível descobrir um time esportivo da minha cidade formado por gênios e atletas notáveis. Meu maior presente aconteceu quando o amigo Anibal Massaini me convidou para ver uma montagem ainda não final do documentário sobre Pelé, junto com o Pelé. Nunca tive certeza, mas parece que Pelé que já me conhecia de vista (afinal ele era de Santos e leu desde moleque as minhas críticas no jornal A Tribuna). Assim tive o prazer de ver o documentário ainda não terminado, mas o privilégio de poder dar palpites e discordar de certas coisas. Infelizmente não me meti quase nada. Havia participado do jantar leve com Pelé e surpreendido como todo mundo em vê-lo chamar Pelé na terceira pessoa (ele é o Edison), mas o que me tocou demais foi ver diante de mim toda minha infância. Os gols, as pancadarias injustas no Rei, os pulos que deu para escapar, os chutes com que devolvia os truques, os juízes quase sempre ladrões, os times rivais fazendo sujeira para nos derrotar. De repente entendia agora porque o Santos era o melhor do mundo, o mais caçado, o mais injustiçado, e Pelé o maior de todos, sempre prezava e se dividia com os colegas, ao menos o melhor time de futebol que já assisti. Sinceramente eu acho que eu não seria a mesma coisa se não tivesse tido essas experiências, de ter entendido o que era o esporte perfeito, os atletas geniais, as lições de vida, de time, de grupo, a sua maneira e a meu ver de algo quase tão bom quanto o cinema.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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