RESENHA CRÍTICA: Vox Lux - O Preço da Fama
Não é toda hora que se vê um filme original como este. Experimente.
Vox Lux - O Preço da Fama (Vox Luz)
EUA, 18. 1h54min. Roteiro e direção de Brady Corbet. Com Natalie Portman, Willem Dafoe (como narrador), Jude Law, Jennifer Ehle, Christopher Abbott, Raffey Cassidy, Stacy Martin.
Este é um filme extremamente curioso, que não fez boa carreira nos EUA provavelmente porque é tão bizarro que acaba dividido em dois ou três temas/situações diferentes para depois concluir com um tremendo show musical de Natalie, toda pop, com mascaras exóticas, drogada e confusa, mas que apesar de tudo isso sem muita razão acaba por estrelar um show de dança no palco e como o marido dela é um bailarino, ela não faz por menos e dá um show de coreografia especifica. A pequenina admitam ou não é uma ousada e corajosa atriz, claro que com altos e baixos. Mas filmes esquisitos como este existem justamente para isso.
Tudo começa com um diretor muito jovem e pouco conhecido chamado Brady Corbet, de 1988, americano, que começou com ator juvenil e fez muitos papeis assim em séries de TV e longas (Thirteen, Mysterious Skin, e para isso tem 38 créditos incluindo como diretor A Infância de um Líder (15) e agora este trabalho que ele divulgou afirmando que Vox Lux (seria Voz da Luz, em latim, mas já foi corrigido porque o certo seria Vox Lucis, enquanto o Vox Luz, seria Light Voice). Como hoje ninguém mais fala latim tudo bem o filme teve problemas (era para ser estrelado por Rooney Mara e Natalie trabalhou apenas dez dias, o que já foi um showzão!).
Ainda assim o filme é dividido em diferentes capítulos e o primeiro é extremamente forte e assustador mesmo. Começa com um rapazinho andando na estrada e invadindo uma classe de escola, já começando matando a professora a tiros e a seguir fazendo o mesmo com colegas e em particular a namoradinha dele. Tudo feito com muita força e até chocante. Ah, e a trilha musical do filme é superforte e até original. A mocinha, Celeste (Raffey), ajudada pela boazinha irmã faz tudo para se recuperar, passando 18 anos, começando em 1999 e concluindo em 2017, e nesse meio tempo ela virou uma pop star, famosa em todo o país e mesmo o resto do mundo. Tem um empresário que a ajuda (e quem fez o papel ingrato foi Jude Law). Passam uma temporada viajando pela Europa, até quando o filme se complica e Natalie acaba virando uma pop star ou global que teve um escândalo e agora a carreira está a beira do desastre (e o show musical do fim impressiona, mas também fica mais confuso e incompreensível). De qualquer forma, não é toda hora que se vê um filme original como este. Experimente.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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