RESENHA CRÍTICA: Uma Nova Chance Para Amar (The Face of Love)
Só o público feminino de meia idade irá aderir ao filme já que tem uma história esquisita
Uma Nova Chance Para Amar (The Face of Love)
EUA/Espanha, 13. 92 min. Direção de Arie Posin. Com Annette Bening, Robin Williams, Ed Harris, Amy Brenneman, Jerri Weixler
Esta é uma daquelas produções independentes, realizada por um diretor israelense (de família russa) que consegue reunir um grupo astros de Hollywood, que já passaram seu apogeu e estão na faixa perigosa dos 60 anos! Mesmo que hoje em dia esse tipo de filme já tenha os que o consomem, este foi muito mal de bilheteria nos EUA, renda de 309 mil para 4 milhões de produção! Realmente só o público feminino de meia idade irá aderir ao filme já que tem uma história esquisita, que fica em meio termo e por vezes nem faz sentido!
A verdade é que é um prazer rever Annette Bening, já madura, sem deformações de plástica, sempre interessante, mesmo que não tenham tomado a decisão certa. Já que é uma história de amor podiam muito bem optar por uma maior fantasia e romance. E não se prender a certos detalhes difíceis de perdoar. Annette vive muito feliz em Los Angeles com o marido Ed Harris que tem a infelicidade de morrer inesperadamente afogado. Leva alguns anos para se ajustar com a perda, quando ele esbarra num museu com um sósia perfeito dele, um doppeldanger, de quem vai atrás com a desculpa de que seja ter aulas de arte (o marido também tinha gosto semelhante). Qualquer pessoa mais experiente com o próprio cinema- porque este é o tipo de história que só sucede na tela, nunca na vida real (!), resolveria tudo com uma conversa geral (que teria que incluir a única filha já adulta). E daí? Por que não poderiam ter um caso romântico? Eddie Harris faz o que lhe deixam com um papel duplo mas o roteiro vai ficando cada vez mais absurdo prejudicado por participação pequena de Robin Williams (como o vizinho que gosta de usar a piscina da casa deles, totalmente desperdiçado) e um final que me deu a sensação já visto (dejá vu). Logicamente porque é derivativo e até absurdo. Uma pena porque ao menos tive certo prazer em reencontrar Annette.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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