RESENHA CRÍTICA: It - A Coisa (It)

Rubens Ewald Filho e o convidado especial o critico João Felipe Marques comentam o filme

11/09/2017 17:47 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: It - A Coisa (It)

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It - A Coisa (It). Direção de Andres Muschietti. 

Por Rubens Ewald Filho e o convidado especial o critico João Felipe Marques. 

Favor não confundir os palhaços que estão em cartaz nos cinemas atualmente, ambos são muito parecidos, sendo que um deles é brasileiro e apesar das críticas positivas, não teve a bilheteria esperada, falo obviamente de Bingo. O outro tem um nome mais complicado, embora seja no original apenas It, ganhou o subtítulo meio duvidoso de A Coisa (por que não o Palhaço?). Ele foi originalmente uma série de TV de bastante sucesso. Depois de uma busca em meu arquivo, acabei descobrindo que tinha a crítica da TV, não muito longa ou positiva. Eis o que escrevi com as devidas desculpas, já que na época não tinha ainda a admiração atual pelo escritor /autor Stephen King:

It (Idem). Minissérie de Terror.  196 min. 1990. EUA. Diretor: Tommy Lee Wallace. Elenco: Richard Thomas, Harry Anderson, Richard Masur, Dennis Christopher, John Ritter, Annette O´Toole, Tim Reid, Tim Curry, Seth Green, Olivia Hussey, Michael Cole. 
Sinopse: Sete amigos de escola voltam a cidadezinha de Derry, no Maine porque estão sendo perturbados por alucinações sobre um palhaço que estaria matando as crianças do lugar. 30 anos depois eles têm que cumprir um velho juramento e procurar as crianças desaparecidas. E enfrentar um maluco chamado Pennywise que se veste de palhaço.
Comentários: Adaptação para a televisão de uma história do especialista Stephen King (vinha na edição com comentários do diretor e elenco, sem legendas) que curiosamente saiu aqui em dois lados do mesmo DVD. Tudo é muito óbvio a partir da escolha do ator que faz o palhaço, Tim Curry (Rocky Horror Show) especialista nessas coisas. Ganhou Emmy de trilha musical (Richard Bellis) e foi indicado como Montagem. O personagem de Pennywise foi inspirado num serial killer de verdade, John Wayne Gacy.

E mais não escrevi, não tenho ideia por que. Será que eu achei que era coisa para assustar criança? De qualquer forma, só com o tempo acabou se tornando Cult o que justifica esta nova edição também em duas partes (em breve teremos a continuação desta que estreia agora).

Pedi ajuda neste comentário a um jovem critico João Felipe Marques que escreve para o site “Plugou” complementando as informações que já apresentamos na matéria especial de bastidores, mas dando seu próprio ponto de vista. Ele escreve:

“O novo terror de Andy Muschietti procura corrigir os principais defeitos do telefilme dos anos 90 com esta nova encarnação do palhaço Pennywise. O telefilme (que, na verdade, era uma minissérie de duas partes) ganhou fama pela performance de Tim Curry no papel do palhaço demoníaco e era eficiente na função de assustar crianças e jovens, apesar de não ser considerado um bom filme. Nesta nova versão, Bill Skarsgard traz um Pennywise tão sinistro quanto o anterior, porém ainda mais volátil e aterrorizador com o auxílio do CGI disponível atualmente.

A história fala sobre um grupo de amigos (posteriormente chamado de "Losers Club"/O Clube dos Perdedores) que começam a investigar os estranhos desaparecimentos de crianças da cidade. Ao mesmo tempo, o grupo começa a testemunhar diferentes aparições assustadoras de Pennywise, que costuma tomar a forma do pior medo daquele que o encara. As crianças que formam o Clube não deixam nada a desejar em comparação com o grupo antigo, com até mesmo alguns membros do elenco se destacando ainda mais. Finn Wolfhard (de Stranger Things) é o responsável pela maioria dos momentos de alívio cômico e é capaz de ganhar a simpatia do público logo de cara. Todos possuem personalidades bem distintas e fazem com que o espectador se importe com o grupo de uma maneira bem nivelada, sem deixar ninguém para trás. O grande trunfo destes personagens é a descontração entre eles. Temos várias ‘tirações’ de sarro, típicas de um grupo de amigos, que são capazes de levar a plateia à gargalhadas. (Nota: o filme foi muito bem recebido pela em sua sessão para a imprensa).

Em relação ao terror, aqui temos um filme que procura muito mais construir a atmosfera de expectativa do que o susto em si. A intenção é que o espectador tenha uma visão bem clara do palhaço (e suas outras formas), provocando ansiedade, algo que é muito bem explorado pelo diretor. Afinal, o medo não tem a ver com o resultado, e sim com a antecipação dele.

Eis que temos, portanto, o tema central do filme: “O Medo”. Vemos como cada membro do grupo possui temores diferentes, alguns mais físicos que outros. Conforme a história progride, cada personagem deve eventualmente confrontar os seus piores medos, o que pode tornar o ritmo do filme um tanto desgastante, graças ao excesso de núcleos a serem explorados. Em suas mais de duas horas, o filme foca apenas nos personagens infantis, deixando suas versões adultas (tão presentes no telefilme) para uma bem provável continuação. Sendo assim, temos diversas cenas inéditas que ajudam a trabalhar o tema central do filme e outras que procuram elevar ainda mais o espanto provocado por momentos clássicos, como a cena de Pennywise raptando o menino George, logo no começo do filme. Fica evidente a diferença de orçamento entre as duas versões.

Tal como o recente Annabelle 2, IT - A Coisa também aproveita sua trilha sonora de uma maneira bem presente. É uma trilha forte, típica de filmes de terror, que procura construir uma atmosfera sinistra durante o filme todo, sendo eficiente na maioria dos casos. Acredito que o Pennywise criado por Skarsgard ainda deve atrair muitos elogios. O ator entrega uma performance entusiasmada, mesmo que o filme possa não ser tão assustador quanto o público em geral, apreciador de sustos, gostaria. Mas este  IT - A Coisa merece um lugar de apreço entre tantos filmes de terror mal trabalhados que inundam o cinema atualmente, e deixa o espaço ideal para uma continuação que talvez resolva se aprofundar ainda mais nos aspectos fantasiosos apresentados nesta primeira parte”.

João Felipe ainda nos fez uma listagem com os principais temas do filme:

“- Descontração entre os amigos, simpáticos e com personalidades distintas;

- Trilha forte e presente, Ritmo lento por causa do excesso de personagens;

- Uma ou outra solução fantasiosa pode soar "fácil demais", Pennywise mais assustador, aproveita os efeitos CGI; Cenas assustadoras clássicas foram aumentadas com o orçamento maior; Tema central: Medo. Personagens devem encarar e superar seus medos particulares; diretor constrói a antecipação e a expectativa das cenas, com menos foco nos sustos”.

 

It – A Coisa, A Obra Prima de Stephen King - Uma Introdução

Por Rubens Ewald Filho e Adilson de Carvalho Santos

 Os antigos gregos tinham a figura de Fobos como o deus do medo. Em tempos mais recentes, ninguém foi tão hábil em instigar o medo quanto Stephen Edwin King, que em 21 de setembro deste ano completa 70 anos, tendo nas últimas quatro décadas se tornado autor de inúmeros best-sellers, sendo “It – A Coisa” um dos mais assustadores e a mais recente das adaptações a chegar às telas.

O momento não poderia ser mais oportuno com o sucesso da série da Netflix “Stranger Things” assumindo várias referências ao trabalho do autor e, inclusive, o jovem ator Finn Wolfhard que integra o elenco da série da Netflix e também desta segunda versão do 12° romance escrito pelo prolífico autor. É curioso saber que os Irmãos Duffer queriam dirigir o filme, mas foram rejeitados pela Warner porque não era famosos (ou “estabelecidos profissionalmente”). Será que não foi um erro do estúdio? Já que eles estouraram justamente com a série Stranger!

A primeira versão de It foi feita para a TV em 1990 no formato de minissérie estrelada pelo inglês Tim Curry no papel de Pennywise (Curry teve seu momento de gloria quando estrelou no palco e depois no cinema, o musical The Rocky Horror Picture Show, lançado em 1975 mas só descoberto bem mais tarde em sessões da meia Noite. Ele fazia o vilão divertido, Dr.Frankfurter , um cientista!). O sucesso foi tão grande que foi chamado para ser Pennywise no que foi chamado de It, “uma obra prima do Medo”, sobre o palhaço assassino que na verdade é uma criatura maligna que surge a cada 27 anos na cidade de Derry, no Maine (por sinal, Estado natal de King e palco de suas histórias). Na época, foi dividido em duas partes, mas ficou entre os programas mais assistidos da Tv americana, com a primeira parte em #5° lugar e a segunda parte em 2° lugar. No Brasil, o filme foi um dos mais alugados no auge das locadoras de vídeo.

Na história original, sete crianças são afetadas pelos assassinatos brutais cometidos por Pennywise, que pode mudar sua forma e se alimenta do medo que instiga antes de matar. Reunidos para caçar e eliminar a criatura, o Clube dos Perdedores, como as crianças se chamam, promete se reencontrar décadas depois, todos já adultos, para enfrentarem Pennywise, que voltou a matar crianças. A aventura se divide em dois tempos, no passado quando os membros do clube (Ben, Stanley, Beverly, Mike, Eddie, Ritchie e Bill) têm seu primeiro contato com a criatura em 1958, e na década de 80 quando estão adultos, na casa dos 40 anos, e a trágica morte de um deles anuncia a volta de Pennywise. Cada um dos membros do clube permite que o autor trabalhe características que são fáceis de se identificar como o menino hipocondríaco (Eddie), o garoto boca suja (Ritchie), o garoto inseguro (Stanley), o gordinho gentil (Bem), cada um espelho de nossa própria infância. A interação entre estes e a passagem para a vida adulta é tão importante para a narrativa quanto o embate com o maligno Pennywise. Assim, o livro de King, embora cheio de sequências ricas em sustos e pavor , também encontra espaço para mostrar a importância da amizade dos membros do clube dos perdedores, da mesma forma que King faria com as crianças de seu conto “O Corpo” (Incluído na coletânea “Different Seasons” de 1982) , e que seria adaptado para o filme “Conta Comigo” (Stand By Me). A dinâmica da narrativa é o paralelo traçado entre a infância e a vida adulta, vida e morte.

Na primeira adaptação, o elenco adulto de “It” havia sido indicado a prêmios como o já falecido John Ritter (O Pestinha) vencedor de um Golden Globe, a atriz já indicada ao Oscar Annette O’Toole (Os Grandes Músicos), Richard Thomas (indicado duas vezes ao Oscar pelo clássico seriado “Os Waltons”), além do já citado Tim Curry (Rocky Horror Picture Show, A Caçada ao Outubro Vermelho), que segundo consta teria ficado com o papel inicialmente pensado para o rock star Alice Cooper. O final do livro também foi modificado no filme, retirando a presença de um personagem que seria o inimigo natural de Pennywise, sendo esse uma força elemental do mal.

Na nova versão, a ação se passa em 1989, exatos 27 anos depois da primeira versão. O papel do palhaço Pennywise chegou a ser pensado para Richard Armitage (O Hobbit), Tilda Swinton (Dr. Estranho), Hugo Weaving (Capitão America o Primeiro Vingador), Tom Hiddleston (Thor) e Jim Carrey (O Máscara) , mas ficou com o ator Bill Skarsgard, que a pedido do diretor manteve-se afastado do elenco jovem como forma de imprimir desconforto genuíno no elenco. O ator (filho do ator sueco Stellan Skarsgard) sentiu a pressão de substituir a elogiada performance de Tim Curry no papel do personagem-título. O projeto desta readaptação começou na Warner Bros por volta de 2009, pensado a princípio como um filme único condensando as quase 1000 páginas do livro de King. A demora levou à contratação de Cary Fukunaga para escrever o roteiro e, para assumir a direção com o jovem ator britânico Will Poulter como Palhaço Assassino (ele fez Maze Runner mas foi revelado antes como astro em O Filho de Rambow, Depois Nárnia, Família do Bagulho e principalmente o premiado O Regresso). Algum tempo depois a Warner transferiu o filme para sua subsidiária, a New Line, mantendo Fukunaga como co-roteirista, mas contratando Andres Muschietti para a cadeira de diretor. Este não tem uma carreira muito longa, alguns curtas, o longa Mamá (e a promessa depois de realizar Shadow of the Colossus). Nesse momento foi anunciado a divisão do extenso livro em duas partes com o primeiro filme centrado nas crianças, como se fosse “Os Goonies” em uma temática sobrenatural, e o segundo filme com os personagens já adultos cumprindo a promessa de se reunir quando a criatura despertasse novamente.

 O livro original veio a fazer parte de um “Kingverse”, um universo interligando as várias histórias do autor conforme mostrado na série literária “A Torre Negra” (The Dark Tower), cujo primeiro livro chegou recentemente às telas com Idris Elba e Matthew MacCoughney. De fato, personagens e situações de vários livros do autor são entrelaçados, mostrando uma coesão entre as histórias. O clube dos perdedores, por exemplo, é mencionado nas páginas de “O Apanhador de Sonhos” (publicado em 2011) e a mudança de forma de Pennywise em aranha e palhaço é falada em “Insônia” (publicado em 1994). O Problema é que A Torre acabou sendo um desastre de bilheteria e critica.

Outro dado curioso: o numero 27 está sempre associado com esta história. 27 anos, após a estreia na TV, no filme o personagem retorna a cada 27 anos, o ator Jonathan Brandis que fazia Bill morreu aos 27 e o filme estreia um mês depois dos 27 anos do protagonista Bill Skasgaard. Outros atores que correram boatos para interpreter Pennywise incluiram Johnny Depp, Tilda Swinton, Richard Armitage, Tom Hiddleston, Jackie Earle Haley, Jim Carrey, Kirk Acevedo, Willem Dafoe, Paul Giamatti, Hugo Weaving, Doug Jones e Channing Tatum.

Stephen King chegou a usar o pseudônimo de Richard Bachman durante um curto período como forma de não super-expor seu nome em vários livros, além de poder experimentar histórias sem precisar associar seu nome, mas seu toque de Midas foi percebido e hoje, Stephen Edwin King, que em setembro desse ano completa 70 anos, tornou-se mais do que apenas autor de best-sellers. Chegou a dirigir o filme “Comboio do Terror” (Maximum Overdrive) em 1987, o que o próprio admite ter sido uma experiência desastrosa. King é um dos autores americanos mais adaptados para o cinema e para a TV. Seu nome, segundo o site “MDB” tem 240 créditos como escritor, além de produtor, ator e até compositor de trilha sonora. Ainda que nem sempre as adaptações de seus livros resultem em bons filmes, as histórias criadas por King sempre têm encontrado espaço na mídia e receptividade de um público fiel.

Confirmando a declaração do filósofo francês Jean-Paul Sartre “todos os homens têm medo”, e King soube explorar tal máxima com seu talento imaginativo. Ícone da cultura pop, o rei na arte de destilar os temores mais sombrios que trazemos, mesmo que não estejamos conscientes, mesmo se você não acreditar na “coisa” que o faz ser estranho, criativo, aterrorizante, o deus do medo ao menos na literatura e no cinema.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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