RESENHA CRÍTICA: O Rei do Show (The Greatest Showman)

Ao menos podiam ter feito uma alegoria viajando no tempo ou coisa que o valha, para este filme ficar ao menos com alguma lógica e sentido

20/12/2017 14:11 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: O Rei do Show (The Greatest Showman)

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O Rei do Show (The Greatest Showman)

EUA, 17. 1h45min. Direção de Michael Gracey (diretor australiano em sua estreia como realizador). Produção de James Mangold, roteiro de Jenny Bicks e Bill Condon. Com Hugh Jackman, Michelle Willaims, Zac Efron, Zendaya, Rebecca Ferguson, as meninas Austyn Johnson e Cameron Seele, Keala Settle (mulher barbuda), Sam Humphrey (o anão Thom Thumb).

Parece exagero o Globo de Ouro ter indicado para seu prêmio anual, este musical nas categorias de melhor ator em comédia Hugh Jackman (muito envelhecido), concorrendo como melhor comédia ou musical e como autor compositor com This is Me, parceira de Benj Pasek e Justin Paul (que estão sendo badalados nos cartazes daqui porque foram os autores de La La Land, como se isso fosse um grande elogio!). Curiosamente muitos anos atrás, por volta de 1980, eu assisti na Broadway um bom musical que se chamava justamente “Barnum” e que foi o pioneiro em revelar como estrela e cantante a celebrada Glenn Close. Junto com o britânico Jim Dale e trilha musical notável de Cy Coleman e Michael Stewart, contando a história real de um sujeito que praticamente criou o circo americano Phineas Taylor Barnum (limitando sua vida entre 1835 e 1980, quando criou o Museu de Monstros, aliás o show começava com uma frase famosa dele, que não tem nesta versão atual. A frase é a seguinte “A cada minuto nasceu um trouxa” (o sentido é que dessa forma ele pode explorar e tirar grana dos fregueses, longe de ser o bonzinho triste e sentimental daqui!). Na verdade, não se aproveita canção alguma do original, que são infinitamente superiores as besteiras que eles inventaram (o musical da Broadaway levou os Prêmios Tony de ator, figurino, cenografia).

Embora a história verdadeira seja antiga como já falamos acima, aqui tudo é estilizado, de tal maneira que Barnum é um bom sujeito que traumatizado pela morte do pai, resolve abrir um museu de monstros, deformados, anões, mulher barbudas, negros e assim por diante. Falo em negro porque o filme muda com tudo no esforço de criar uma história toda positiva sobre o papel do negro, no caso a mulher barbuda, e principalmente a garota mulata por quem irá se apaixonar o lamentável galã Zac Efron. A garota perde para qualquer brasileirinha charmosa porque Zendaya, que fez o último Homem Aranha, é totalmente inexpressiva.

Curioso ainda lembrar que a Lenda da Barnum serviu para vários outros telefilmes. A saber, P.T.Barnum (com Beau Bridges), 99; Barnum (com Burt Lancaster, Hanna Schuygulla) e outros anteriores, The Mighty Barnum, 34 com Wallace Beery, Barnum Was Wright, 29.

Está evidente que o diretor desconhecido deve ter apenas obedecido as ordens dos dois manda chuvas, Mangold e o especialista em musical Bill Condon, que devem ter feito as mudanças aqui. A mim incomoda muito que toda as canções são gritadas como se estivessem num palco de Las Vegas (o chamado “Belting”), que aqui chega a exageros inclusive porque também é um absurdo colocar uma estrela da Ópera, chamada Jenny Lind, (a bela Rebecca Ferguson), se apresentando a alta sociedade de Nova York como se estivéssemos nos tempos atuais e não há mais de cem anos. Há a vontade de fazer média e boa vontade com todo mundo, mostrando os feios e amaldiçoados atores do circo, melhor dizendo museu de monstros, gritando sua felicidade atual quando formaram uma espécie de família!!! Demagogia pura!

O filme aliás já abre com uma canção monólogo do protagonista Jackman, para mostrar que se trata de um sonho apenas, embora mais curioso ainda tenha sido que o circo Barnum que levava então parte de seu sobrenome (e também no antigo O Grande Espetáculo da Terra, 52, Oscar de melhor filme) foi fechado há pouco mais de 8 meses!!! Ou seja, o filme aqui nasce justamente quando o sonho original morreu!

A segunda coisa mais escandalosa é que todas as coreografias (menos uma de bale juvenil) são de como se estivéssemos num show de Black music, com trejeitos e marcações absolutamente impossíveis de existirem na época (obviamente tentaram assim conquistar o público atual). É um rock do “samba do crioulo doido” que ainda piora pela quantidade excessiva de canções banais (e várias delas endereçadas a jovens garotinhas que desejam que o filme fosse novo Bela e a Fera).

Não que seja mal feito tecnicamente. Ao menos podiam ter feito uma alegoria viajando no tempo ou coisa que o valha, para este filme ficar ao menos com alguma lógica e sentido. E olha que eu gosto do gênero (se possível procurem a trilha musical do Barnum original que irão entender minha fúria contra este equivoco proposital que se vendeu para ter maior bilheteria!).

 

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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