RESENHA CRÍTICA: Maria - Não Esqueça Que Eu Venho dos Trópicos

Que mais se pode pedir a um filme desses do que reclamar: quero mais, quem sabe um filme dramático com atores!

16/11/2017 15:58 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: Maria - Não Esqueça Que Eu Venho dos Trópicos

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Maria - Não Esqueça Que Eu Venho dos Trópicos

Brasil, 2017. 73min. De Francisco C. Martins e Elisa Gomes. Com Malu Mader, Lucia Romano, Celso Frateschi. Foto de Hugo Kovensky. Trilha de Nelson Ayres, Iside Mesquita.

É uma agradável surpresa este documentário realizado por um amigo santista de notável carreira (Olho Mágico do Amor, Onda Nova, Estrela Nua) que eu perdi meio de vista quando se dedicou a documentários, comerciais e séries de TV. Mas lhes garanto que fiquei muito feliz em descobrir esta história real, elegante e notável, que relata um fato que eu desconhecia, em parte por não ser muito ligado as artes plásticas. Desde a primeira imagem, preto e branco, logicamente por acontecer no seu auge nos anos 40, surge a figura elegante, bonita e altaneira da biografada, que é uma daquelas pessoas raras que a gente gostaria de ter conhecido pessoalmente. A proposta é resgatar a vida da artista internacionalmente respeitada (também conhecida como esposa do diplomata Carlos Martins, embaixador do Brasil em vários países, inclusive os Estados Unidos, durante a 2ª Guerra Mundial) e de forma bastante sua profunda ligação amorosa com o famoso artista francês Marcel Duchamp (1887-68), que também faz parte da História do cinema de vanguarda, dirigindo Anémic Cinema, 26, uma ponta em Entreato (de René Clair) e dois filmes a mais. Além da colaboração mútua, ele a teve como musa e modelo em obras como “Prière de Toucher” (“Toque Por Favor”), capa do catálogo da exposição “Le Surrealisme en 1947”. A peça é um seio (o de Maria) e faz paródia dos avisos então espalhados pelos museus. O documentário aborda as cartas de Duchamp para Maria e sua participação no “Étant Donnés...”, a última obra do francês.

Talvez o mais importante seja realmente retratar a qualidade e quantidade da obra de Maria, que entre outras coisas ajudou muito na Bienal de São Paulo, sem esconder o depoimento da filha dela (quando houve a separação, no filme muito discreta até demais, há uma excessiva discrição justamente porque Maria era uma rebelde, uma criativa e no divórcio suas herdeiras foram passadas para a guarda do pai brasileiro). Assim observamos mais a artista através de alguns depoimentos feito por atores (eficientes) e também pela sempre encantadora Malu Mader, mas no caso a obra é mais impressionante do que outra coisa. Com menções e elogios também para Carmen Miranda (que ficou devendo favor ao marido de Maria). Várias vezes afirmada por especialistas, realmente a obra, suas esculturas, na sua maioria, são elegantes, eróticas, nativas, tocando na floresta amazônica, extremamente feminina (numa época onde isso era muito raro) e sempre apaixonantes. Dá realmente vontade de conhecer Maria melhor assim como seu exótico e envolvente trabalho. Que mais se pode pedir a um filme desses do que reclamar: quero mais, quem sabe um filme dramático com atores!

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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