RESENHA CRÍTICA: Todo o Dinheiro do Mundo (All the Money in the World)

Não será desta vez que Ridley Scott vai levar o Oscar

01/02/2018 08:11 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: Todo o Dinheiro do Mundo (All the Money in the World)

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Todo o Dinheiro do Mundo (All the Money in the World)

EUA, 17. 2h12 min. Direção de Ridley Scott. Roteiro de David Scarpa baseado em livro de John Pearson. Com Michelle Williams, Christopher Plummer, Mark Wahlberg, Romain Duris, Timothy Hutton, Charlie Plummer, Marco Leonardi, Andrew Buchan, Giuseppe Bonifati.

Aos 80 anos, o britânico Ridley Scott (dono de uma poderosa empresa de produção de filmes e séries de TV), não desiste em realizar projetos ousados talvez na esperança infinita de vir a ganhar o Oscar que sempre mereceu (pelo original Blade Runner, Alien o Oitavo Passageiro, Thelma e Louise e Gladiador, Oscar de melhor filme, mas não ele como realizador). Mas mesmo assim até agora não tinham feito nada semelhante em Hollywood. Quem interpretou o papel principal do milionário J. Paul Getty era o Kevin Spacey, (Jack Nicholson recusou) que parecia estar no auge da carreira quando tudo desmoronou de maneira esquisita. Foi acusado de abuso sexual e despedido da série de TV da Netflx (House of Cards) e mesmo finalmente se assumindo gay, foi descartado sem explicações (como advogado, acho muito esquisito se condenar uma pessoa assim sem provas judiciais, sem julgamentos e tratá-la de repente como criminosa. Por pior que seja, ou tenha sido, merecia se defender e julgado pelos meios normais!). Ridley fez uma jogada perigosa que foi quase um truque de cinema. Dispensou Spacey (que era mais novo do que o personagem e por isso usava maquiagem especial) e o substituiu às pressas pelo veterano e já vencedor do Oscar, Christopher Plummer (ele não é parente do outro de mesmo sobrenome, Charlie que faz justamente a vítima do sequestro, John Paul Getty III).

Em 8 de novembro de 2017, com o apoio da Sony, iniciaram a refilmagem (apenas um mês exato da estreia prevista do filme). Ridley teve problemas semelhantes em Gladiador quando Oliver Reed morreu em meio as filmagens, mas nada assim tão radical. E tudo foi feito em apenas 8 dias! E por um custo de 10 milhões com Plummer, às pressas porque por sorte ele já tinha lido o roteiro do filme e conseguiu decorar tudo em 2 semanas (também conheceu pessoalmente Getty, em festa em Londres nos anos 60). Eram 22 cenas novas a fazer... Por outro lado, Getty o super milionário quando o neto foi sequestrado tinha 80 anos (Plummer 88, nasceu em 1929!) Um ultimo escândalo foi quando Mark Wahlberg (que alias usa óculos no filme) teve que admitir que tinha ganhado mais de um milhão de dólares pela sua participação no remake e a atriz central Michelle Williams levou apenas tostões (não deram os dados mas basicamente era o que o sindicato liberava). Aliás, ela como de hábito está muito bem, discreta mas nervosa e aflita com a situação (Natalie Portman e Angelina Jolie foram convidadas antes dela). O novo escândalo acabou provocando que Mark (que é muito rico) devolve-se o dinheiro, doando a organização que atualmente tenta resolver o caso dos estupros e abusos (em especial femininos). Outra curiosidade, o Getty que foi sequestrado depois se tornou pai de um ator de cinema chamado Balthazar Getty (1975-) que fez filmes como Senhor das Moscas, Estrada Perdida, Young Guns II). Quem faz o papel do vilão sequestrador é um astro da França, Romain Duris (que se esforça para fazer cara feia de mau e voz rouca). Outra curiosidade: a cena de abertura do filme é uma citação /homenagem a La Dolce Vita de Fellini reconstruindo as ruas dos bares de Roma.

Voltando ao filme propriamente dito, se o velho Plummer segura tudo onde aparece (como melhorou desde os tempos em que estrelou A Noviça Rebelde!) o elenco de apoio é muito fraco (como se bastassem os lugares luxuosos da família, cenas no Marrocos, desagradáveis conspirações da dita Máfia). O menino com longos cabelos loiros me lembrou a nossa Florinda Bulcão e o filme não chega a criar a devida tensão e suspense. Mas segue as linhas gerais desde quando Getty III, em férias em 1973, foi sequestrado pelo que teria sido variante da Máfia, que exige 3.4 milhões de dólares de resgate. O problema é que o velho Getty é pão duro e não quer pagar nada (os bandidos cortaram a orelha do rapaz e a mandam para um jornal). O roteiro optou por contar a história com idas e vindas, do começo da riqueza da família até a crise (acho Wahlberg especialmente canastrão incapaz de passar qualquer emoção no papel do segurança da família). Curiosamente eu me lembro do escândalo que foi na Imprensa do mundo inteiro esse sequestro a la italiana, já que se tratava de bilionários. Parecia mais sensacionalista na imprensa que no filme, onde realmente a única figura impressionante é do velho ator Plummer, dando uma lição de sobrevivência e talento. Não será desta vez que Ridley vai levar o Oscar.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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