RESENHA CRÍTICA: Michael Kohlhaas
Falta ação, mas tem uma excelente fotografia este filme baseado em livro de Heinrich von Kleist
Michael Kohlhaas
França, 13. 122 min. Direção de Arnaud des Pallières. Com Mads Mikkelsen, Melusine Mayance, Delphine Chuillot, Bruno Ganz, Denis Lavant, David Kross, Roxanne Duran, Sergi Lopez, Amira Casar.
Ainda me lembro de O Tirano da Aldeia (Michael Kohlhaas Der Rebel, 69) de Volker Schlondorff, com David Warner e Anna Karina, que foi a primeira versão desta mesma história que inspirou o livro de Heinrich von Kleist (1777-1811). Muito original na época, já que nunca se tratava desse tipo de assunto, também procurava ser épico com batalhas, cavalgadas, indignação. Não conheço as duas outras versões de TV, nem a de 37.
O que mais me impressionou aqui foi a fotografia, que realmente dá a sensação de estar no campo antigo, quase um filme rural. Mas falta a ação, o conflito aberto, a luta. Tirar a roupa de um empregado para mostrar suas marcas de tortura não é exatamente o que se imagina como descrição de um herói rebelde que enfrenta os mais poderosos quando é maltratado e desrespeitado. Mesmo o ator mais famoso da Dinamarca, Mads Mikkelsen, usa uma única mascara para todo o transcorrer do filme, chova ou faça sol. Enfim, saiu Francês demais este anti épico e anti hípico (porque tudo é em cima de cavalos maltratados). Ganhou César de melhor som e musica original. Foi indicado por figurino, design, fotografia (que é de mulher Jeanne Lapoirie).
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
relacionados
últimas matérias