Oeste Sem Lei
Um ano antes de receber sua segunda indicação ao Oscar de melhor ator, por Steve Jobs (2015), Michael Fassbender aceitou participar, mesmo com papel menor, desse curioso faroeste alternativo inglês
O jovem e solitário Jay Cavendish (Kodi Smit-McPhee) cruza os Estados Unidos pelo Oeste selvagem em busca da amada, que fugiu para terras distantes após ser acusada de um crime. No caminho conhece um misterioso pistoleiro, Silas Selleck (Michael Fassbender), e ambos viram alvo de foras-da-lei.
Um ano antes de receber sua segunda indicação ao Oscar de melhor ator, por “Steve Jobs” (2015), Michael Fassbender aceitou participar, mesmo com papel menor, desse curioso faroeste alternativo inglês, rodado no sul da Nova Zelândia, e como o título original diz, lento, de exagerada passividade. Ele e o jovem promissor Kodi Smit-McPhee interpretam uma dupla que, no final do século XIX, vaga pelo oeste selvagem, habitat de forasteiros sem alma, cada qual em busca de objetivos diferentes – enquanto o menino pretende resgatar a amada foragida, o outro procura redenção, mesmo que isso custe violência. Na cola dos dois personagens entra, a partir da metade da fita, um vilão, caçador imperdoável, papel bem bacana feito pelo ator Ben Mendelsohn.
Tem um padrão bem anti-western, que poderá decepcionar os fiéis seguidores do gênero: há pouca estrutura cinematográfica dos faroestes, com orçamento modestíssimo (de U$ 2 milhões), filmagens em locações superficiais (rápidas passagens no interior de florestas e ambientes semiáridos), sem música, sem aquele suspense em primeira pessoa, com alguém na mira, além de um ou outro tiroteio. Ou seja, é mais drama que western, monótono e com longos diálogos, que para mim surtiu efeito por esse rompimento na tradição bangue-bangue. O público não curtiu, tanto que fracassou nas bilheterias, porém agradou a crítica em Sundance – “Oeste sem lei” venceu lá o Grande Prêmio do Júri em 2015, sendo indicado em dezenas de festivais e premiações no mundo todo.
Dirigido pelo músico e curtametragista vencedor do Bafta John Maclean, que promete, com o filme, uma nova reinvenção no mundo dos faroestes independentes. Eu aprovei o trabalho e recomendo uma experiência.
Oeste sem lei (Slow West). Nova Zelândia/Inglaterra, 2015, 84 min. Faroeste/Drama. Dirigido por John Maclean. Distribuição: Flashstar
Sobre o Colunista:
Felipe Brida
Jornalista, cr?tico de cinema e professor de cinema, ? mestre em Linguagens, M?dia e Arte pela PUC-Campinas. Especialista em Artes Visuais e Intermeios pela Unicamp e em Gest?o Cultural pelo Centro Universit?rio Senac SP, ? pesquisador de cinema desde 1997. Ministra palestras e minicursos de cinema em faculdades e universidades, e ? professor titular de Comunica??o e Artes no Imes Catanduva (Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva), no Senac Catanduva e na Fatec Catanduva. Foi redator especial dos sites de cinema E-pipoca e Cineminha (UOL) e do boletim informativo "Colunas e Notas". Desde 2008 mant?m o blog "Cinema na Web". Apresenta quadros semanais de cinema em r?dio e TV do interior de S?o e tem colunas de cinema em jornais e revistas de Catanduva. Foi j?ri em mostras e festivais de cinema, como Bag?, An?polis, Bras?lia e Goi?nia, e consultor do Brafft - Brazilian Film Festival of Toronto 2009 e do Expressions of Brazil (Canada). Ex-comentarista de cinema nas r?dios Bandeirantes e Globo AM, foi um dos criadores dos sites Go!Cinema (1998-2000), CINEinCAT (2001-2002) e Webcena (2001-2003). Escreve resenhas especiais para livretos de distribuidoras de cinema como Vers?til Home V?deo e Obras-primas do Cinema. Contato: felipebb85@hotmail.com
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