Nagisa Oshima: Morreu o Diretor Japonês

Um dos cineastas mais polêmicos e importantes do Japão, realizador de "O Império dos Sentidos", faleceu neste dia 15 de janeiro.

15/01/2013 22:39 Por Rubens Ewald FIlho
Nagisa Oshima: Morreu o Diretor Japonês

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Na parede do meu escritório, em Higienópolis, até hoje ainda existe um pôster japonês assinado pelo diretor Nagisa Oshima. O saudei agora com respeito lamentando a morte do grande cineasta, hoje, terça-feira, às 15h (são 12 horas de diferença  no Japão, vítima de pneumonia, aos 80 anos).

É lamentável que a doença – um grave derrame – tenha deixado suas marcas neste cineasta que já teve que dirigir seu último filme numa cadeira de rodas, com muita dificuldade. Mas nem por isso procurou a facilidade.

Sua fita chamada internacionalmente de Taboo,novamente tocava num assunto polêmico particularmente para seus patrícios, o fato de que muitos samurais eram homossexuais e mantinham fraternidades eletivas entre eles. Nem por isso eram menos violentos e lutadores menos eficientes.

Se bem que o homem que fez O Império dos Sentidos, não tem nada mais a provar e não era sem uma certa ironia que ele cumpria suas funções de apresentador/jurado/celebridade na televisão japonesa.

Mas este diretor japonês sempre teve inegável prestígio com a crítica internacional. Até a polêmica de seu O Império dos Sentidos (o primeiro filme de arte a ter cenas de sexo explícito), era conhecido apenas pela crítica francesa.

Nasceu em 31 de março, em uma família aristocrática em Kioto. Na escola participou de várias atividades intelectuais e políticas.

Estudou direito na Universidade de Kioto, diplomando-se em 1954. No mesmo ano, começou a trabalhar na Shochiku como assistente de direção de Yoshitaro Nomura, Masaki Kobayashi e Hideo Oba.

Nesse período escreveu 11 roteiros e críticas de cinema com um forte interesse pelo cinema francês e polonês da época. Em 1959, fez seu primeiro filme. Já com seu quarto filme conseguiu problemas com a Shochiku, que acabou marcando a sua saída da companhia. Realizou a seguir filmes independentes.

Em 1965, criou sua própria produtora, Sozo-Sha, com a ajuda de sua esposa (a atriz Akiko Koyama) e de amigos. Dirigiu 12 filmes nesta companhia até a sua dissolução em 1972, aposentando-se.

Seu marcante sucesso veio de seu retorno da aposentadoria: O Império dos Sentidos, uma co-produção franco-japonesa de 1976, baseada em fato real, de 1933, ocorrido em plena ditadura militar. É sobre um casal que procura o amor absoluto e se consome em uma paixão física e sensorial, mas sem amor.

Escolhido como Melhor Filme do Ano pelos críticos de São Paulo e Rio, e liberado sem cortes pela censura brasileira (o que pouco tempo depois provocou o fim dela). Este é um caso único no mundo, até hoje: um filme onde as muitas cenas de sexo explícito não são gratuitas.

Ao contrário, é uma perfeita união de sensualidade dentro de uma obra de arte. Proibido no Japão (onde não se podia mostrar pelos pubianos), o filme foi produzido pelo francês Anatole Dauman.

O filme é “uma corrida em direção a morte”. O título original japonês seria traduzido como “corrida do amor”. Não é uma fita fácil, nem pretende provocar excitação. Embora haja cenas muito ousadas, a proposta é fazer uma alusão anárquica à cultura judaico-cristã que castrou o erotismo oriental, que era admitido pelo budismo.

Muito bem interpretado e realizado (repare como a luz é mais quente nos momentos de grande violência amorosa). Há algumas cenas, até hoje, ainda muito discutidas: o ovo colocado na vagina, a velha que morre de tanto sexo, a castração, o estrangulamento para aumentar o orgasmo. O filme perturbador, que segundo Oshima, é “a visualização do desejo”.

Em seus últimos filmes o diretor mesmo debilitado não perdeu nada do jovem Oshima que incomodava os homens da Shochiku, com temas polêmicos agora em ambos os lados do mundo. Mas, foi obrigado a trabalhar como jurado de televisão e em co-produções com a França, ficando por tempo demais afastado das telas.

Uma doença grave o deixou paralisado e em cadeira de rodas e foi assim que rodou seu ultimo filme, Tabu, sobre o homossexualismo entre os samurais, que concorreu em Cannes e teve bastante repercussão.. Novamente um assunto polêmico e proibido. Morreu de pneumonia dia 15 de janeiro de 2013.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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