Morreu a maior diretora da França: Agnès Varda

A diretora mais famosa do cinema francês (belga de nascimento) faleceu um dia antes de completar 91 anos, dia 29 de março

29/03/2019 14:46 Por Rubens Ewald Filho
Morreu a maior diretora da França: Agnès Varda

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A diretora mais famosa do cinema francês (belga de nascimento) faleceu um dia antes de completar 91 anos, dia 29 de março. Morreu em sua casa em Paris, cercada pela família, vítima do câncer. Precursora da Nouvelle Vague, deu um show de sensibilidade e técnica em seu Duas Faces da Felicidade, para depois ficar na obscuridade diante do marido Jacques Demy (1931-1990). Nascida em 30 de maio em Bruxelas, estudou em Paris, foi repórter e fotógrafa oficial do Teatro Nacional Popular. Alternando-se entre documentários e filmes de ficção, trabalhando em todas as bitolas (16 mm, 35 mm, Super-8, Video, Video Digital) conseguiu fazer uma carreira coerente e criativa. Deu a volta por cima, ganhando o Leão de Ouro em Veneza por Os Rejeitados. Quando o marido Demy morreu, dedicou à sua memória realizando uma série de filmes sobre sua vida e obra. Em 2000, fez sucesso no circuito de arte com um belo filme sobre coletores de lixo e frutas. Isso lhe abriu as portas para continuar rodando documentários poéticos, que no fundo sempre foi sua especialidade. Ganhou um Oscar honorário e foi indicada ao Oscar pelo documentário Faces Plac. O filho Mathieu Demy fez carreira como diretor e ator. Conheci Agnès Varda num Festival de cinema no Rio de Janeiro, junto com o marido, sempre muito simpáticos. Anos depois passei um dia inteiro na casa-escritório dela, onde nem sempre bem humorada, me contou sua carreira que só iria se tornar ainda mais bem sucedida. Logicamente fiquei para sempre admirador dela, a maior diretora do cinema em todo o mundo.

Dir.: 1954 – La Pointe Courte (Philippe Noiret, Silvia Monfort) 1957 – Ô Saisons, Ô Chateaux (CM. Doc). 1958 – Opera Mouffe (CM. Dorothée Blank, José Varela). Du Côté de la Côte (CM. Doc). 1961 – Cléo das 5 às 7 (Cleo de 5 à 7. Corinne Marchand, Michel Legrand). 1963 – Salut les Cubains (CM. Doc). 1963 – As Duas Faces da Felicidade (Le Bonheur. Jean-Claude Drouot, Marie-France Boyer). 1964 – Les Enfants du Musée (CM. Doc). 1965 – Elsa La Rose (CM. Doc). 1965 – As Criaturas (Les Créatures. Catherine Deneuve, Michel Piccoli). 1967 – Loin du Vietnam (Co-d. Resnais, Klein, Godard, Lelouch, Ivens). Uncle Janco (CM. Doc). 1968 – Black Panthers (CM. Doc). 1969 – Lions Love (Shirley Clarke, Viva). 1970 – Nausicaa (France Dougnac, Myriam Boyer). 1975 – Daguerréotypes (Doc.). Réponse des Femmes (CM. Doc. 8mm). 1976 – Plaisir Dámoujr en Iran (CM. Valerie Mairesse, Ali Raffi). Duas Mulheres, Dois Destinos (L’Une Chant, l’Autre pas. Valerie Mairesse, Therese Liotard). 1977 – Quelques Femmes Bulles (MM. Video). 1980 – Mur, Murs (Doc. Juliet Berto) 1981 – Documenteur (Sabine Mamou, Mathieu Demy). 1982 – Ulysse (Doc. CM). Une Minute pour une Imagem (Série de 170 capítulos de dois minutos). 1984 – Les Dites Cariatides (CM. Doc.). 7 P., cuis., s. de b., ... à saisir (CM). 1985 – Os Rejeitados (Sans Toit Ni Loi. Sandrine Bonnaire, Macha Méril). 1986 – T´as de Beaux Escaliers... tu Sais (CM. Doc). 1987 – Kung-Fu Master (Jane Birkin, Charlotte Gainsbourg). Jane B. pour Agnès V. (Doc. Jean-Pierre Léaud, Jane Birkin). 1990 – Jacquot de Nantes (Philippe Maron, Édouard Joubeaud). 1992 – Les Demoiselles ont eu 25 ans (Doc. Catherine Deneuve, Jacques Perrin). 1993 – L´Univers de Jacques Demy (Doc.). 1995 – As Cento e uma Noites (Les 100 et 1 Nuits. Michel Piccolli, Marcello Mastroianni). 2000 – Les Glaneurs et la Glaneuse (Varda. Doc). 2003 – Le Lion Volatil (CM). 2004 – Ydessa, les ours et etc. (Doc. CM). Cinévardaphoto (Doc). Der Viennale '04-Trailer (CM). 2005 – Cléo de 5 à 7: Souvenirs et Anecdotes (CM). 2006 – Quelques veuves de Noirmoutier (Doc). 2008- As Praias de Agnès/ Les Plages de Agnès (Doc). 2011- Agnés de ci de là Varda (5 epis. Serie de teve).2015- Les 3 Boutons (curta). 2017- Visages Villages (documentário). 2019- Varda por Agnès –Causerie (Documentário para a TV).

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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