RESENHA CRÍTICA: A Vingança Está na Moda (The Dressmaker)
O filme vai se atropelando com excesso de acontecimentos e um final desagradável
A Vingança Está na Moda (The Dressmaker)
Austrália, 15. 111 min. Direção de Jocelyn Moorhouse. Roteiro de Jocelyn e seu marido P. J. Hogan baseado em livro de Rosalie Ham. Com Kate Winslet, Liam Hemsworth, Sarah Snook, Hugh Weaving, Judy Davis, Caroline Goodall, Kerry Fox, Irma Almanac.
Este foi o filme mais premiado do ano em 2016 na Austrália, onde levou 4 prêmios dos Críticos (Kate, Hugo, Judy e roteiro), 4 do Australian Film Institute (figurino, Hugo, Judy e Kate) e ainda voto do público, 2 do Film Circle (Kate e Judy). Mas eles devem ter visto outro filme do que eu. Porque o que esta em cartaz é uma história interminável de muitos finais, aliás cada vez mais trágicos e irritantes, quase uma carnificina no que se supunha ser uma comédia. Mesmo a infalível Kate Winslet não esta no seu melhor dia como a heroína que volta ao lar numa cidadezinha do meio do deserto australiano onde dá uma de a visita da velha senhora. Toda emproada num vestido vistoso (o filme parece se passar nos anos 50 e ela expulsa da cidade retorna agora para encontrar a mãe doente - a grande atriz Judy Davis com altos e baixos - e descobrir a verdade porque ela teve que sair de lá acusada de assassinato).
A moral da história é que ela chamada Myrtle Tillie irá conquistar todas as mulheres do local com sua habilidade de desenhar vestidos de noite (soirée) apesar de serem quase sempre inadequados para a pessoas e a ocasião. Aos poucos Tillie reencontrará o vizinho por quem irá se apaixonar de novo (Liam Hemsworth, o irmão igualmente bonito de Thor, que faz de conta que convence como o herói, que aparenta pelo menos uma década mais novo que Tillie). Outra coisa que o filme parece querer vender é o fato de ser ou querer ser uma comédia (o elenco ou exagera demais nas caretas ou parece perplexo). No fim vai se atropelando com excesso de acontecimentos e um final desagradável.
Este é o retorno ao cinema de Jocelyn, que fez sucesso há muitos anos atrás com A Prova (91) com o mesmo Hugo Weaving que fez Priscilla, o musical Amor a Toda Prova (02) com Kathy Bates e Colcha de Retalhos (95). Passou anos polindo o roteiro que parece servir para australianos !!!
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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