RESENHA CRÍTICA: O Favorito (The Front Runner)
Antiquado e fora de moda, o projeto não é mal dirigido, procurando ser ativo, com muito elenco de apoio, mas infelizmente já era e já foi
O Favorito (The Front Runner)
EUA, 18. 1h53min. Direção de Jason Reitman. Roteiro de Matt Bai, Jay Carson, Reitman e o livro de Matt Bai, All the Truth is out. Com Hugh Jackman, Vera Farmiga, J.K, Simmons, Molly Ephfraim, Chris Coy, Josh Brenner, Kaitlyn Dever, Alfred Molina, Kevin Pollak, Mike Judge, Sarah Paxton.
É quase certo que este filme não será exibido nas salas de cinema no Brasil (provavelmente indo direto para a televisão) e por uma simples razão, sua bilheteria mal passou de um milhão e trocados de dólares, o que é muito pouco para ter como o astro o famoso Hugh Jackman e até o diretor tem certo prestígio (filho de família de diretores, o pai era Ivan Reitman), chegou a ser indicado ao Oscars com Juno, 4 indicações para Amor sem Escalas, além de outros filmes ambiciosos ainda que não tão bem sucedidos (no caso Refém da Paixão, Tully, foi produtor de Whiplash, Obrigado por Fumar).
O problema básico para nos é que o público brasileiro não conhece e não parece se interessar por um político americano metido a honesto ainda nos anos 80 e que de repente faz uma besteira em sua carreira política, isto é, tinha enorme chance de ser eleito governador de um estado, quando foi capturado por alguns assustados fotógrafos que perceberam que ele tinha um casinho com uma jovem bonita para o choque da esposa (feita pela eficiente Vera Farmiga). Até porque o roteiro é estranho, pulando certas coisas e apresentando o astro da história e das circunstancias como um sujeito antigo e nada simpático ou humano (talvez porque Jackson ainda estive embalado na imagem de Logan). Seria até uma coisa boba antigamente e hoje em dia ainda menos marcante, depois de tantos presidentes incompetentes que o substituíram. Ou seja, por isso que poucos pensaram em ver tal filme todo solene (não tem no filme, por exemplo, a cena mais famosa da História, que era a foto da moça sentada, Donna Rice, no colo dele, Senador Hart, de mini saia ainda tivesse sido publicada pelo jornal escandaloso National Enquirer). Ou seja, já antiquado e fora de moda, o projeto não é mal dirigido, procurando ser ativo, com muito elenco de apoio, mas infelizmente já era e já foi.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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