RESENHA CRÍTICA: Sicário: Dia do Soldado (Day of the Soldier)

Nestes tempos em que apenas filmes de grande apelo fazem melhor carreira nos cinemas, este é um dos poucos que ainda pode interessar os admiradores do gênero

28/06/2018 16:50 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: Sicário: Dia do Soldado (Day of the Soldier)

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Sicário: Dia do Soldado (Day of the Soldier)

EUA, 2018. 117 min. Direção de Stefano Sollima. Com Josh Brolin, Benicio Del Toro, Isabela Moner, Jeffrey Donovan, Manuel Garcia Rulfo, Matthew Modine, Catherine Keener, David Castaneda. Roteiro de Taylor Sheridan baseado em personagens de sua autoria. Fotografia de Dariusz Wolski.

Tinha gostado muito do Primeiro filme da série “Sicário”, o Terra de Ninguém (prometem ainda um terceiro!) de 2015, e fiquei surpreso em descobrir que teve uma bilheteria internacional de apenas 85 milhões de dólares (pouco considerando os elogios para o diretor Dennis Villeneuve, a estrela Emily Blunt, a fotografia de Roger Deakins e a trilha musical de Johann Johnsson, que faleceu) e ainda por cima a revelação do roteirista e ocasional diretor que se tornou ídolo da moda Taylor Sheridan (com A Qualquer Custo/Hell or High Water, 16, indicado a 4 Oscars e Terra Selvagem/Wind River, 17). Que certamente é o grande autor deste filme (e tem um outro ainda para completar a trilogia! Mais que isso estreou na TV americana outro projeto dele, Yellowstone em 10 capítulos). Curiosamente os astros são novamente Brolin e Del Toro, sendo que ambos nesse meio termo conseguiram papeis marcantes nas séries da Marvel (Brolin com Thanos em Vingadores em Terra Infinita, Cable em Deadpool)!

Mas certamente o mais curioso é justamente a escolha para chamar como diretor um italiano praticamente desconhecido por aqui, um certo Stefano Sollima, nascido em 66 em Roma mais lembrado pelo pai chamado Sergio Sollima (1921-2015), que nunca foi grande coisa mas realizou alguns aceitáveis filmes de ação com Charles Bronson (Cidade Violenta, 70), spaghetti westerns como Quando os Brutos se Defrontam, 67, O Dia da Desforra, 66, Corre, Homem, Corre, 68. E outros ainda menores. Agora o filho foi premiado e sucesso com Gomorra La serie, 14, Suburra, 15, ACAB All Cops are Bastard,12, todos premiados em Festivais europeus. E o resultado é surpreendente: um filme forte, sem exagero de violência, mas que apesar isso não é menos ilustre, com um resultado bem realizado e intenso (me incomodam o tema musical repetitivo e a escolha de dois mexicanos, jovens, uma garota e um rapazinho, ambos inexpressivos e inexperientes, que mereciam outros mais poderosos). Também houve momentos que me fizeram recordar uma fonte de inspiração para eles, que foi o precursor do gênero, o premiado Traffic (2000) de Steven Soderbergh.

Mesmo sem ser especialmente original, este Sicário II consegue prender a atenção e nos envolver numa trama que acaba sendo extremamente atual e por isso ainda mais chocante, quando apresenta a posição do governo norte-americano (Trump não nomeado) contra os emigrantes mexicanos. Não chega a ter discursos ou grandes denúncias (embora os membros do governo sejam vividos por atores veteranos como Matthew Modine e Catherine Keener). Mas ao menos não os torna heróicos nem louva a ação dos norte-americanos na verdade escravos da situação trágica entre traficantes de drogas e de seres humanos, donos de cartel e aspirantes a bandidos (outro detalhe, o personagem do garoto que seria norte-americano é muito mal definido, não se mostra porque ele deseja tão fortemente virar bandido!). De qualquer forma, os conflitos, os tiroteios, as reviravoltas são bem encenadas e muito violentas. Nestes tempos em que apenas filmes de grande apelo fazem melhor carreira nos cinemas, este é um dos poucos que ainda pode interessar os admiradores do gênero.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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