O Estranho Que N�s Amamos

Estado americano de Virginia, 1864, final da Guerra Civil. Em um col�gio interno feminino, cinco mulheres abrigam um soldado ferido, da Uni�o, chamado McBurney (Colin Farrell). Quem dirige a institui豫o � Miss Martha (Nicole Kidman), senhora r�gida, com seus inabal�veis princ�pios religiosos. Afastadas de qualquer contato humano, Martha e as garotas se ver�o, pouco a pouco, seduzidas pelo soldado em reabilita豫o.

22/01/2018 12:39 • Por Felipe Brida
O Estranho Que N처s Amamos

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O estranho que nós amamos (The beguiled). EUA, 2017, 93 min. Drama. Colorido. Dirigido por Sofia Coppola

Indicado à Palma de Ouro, este coerente drama que flerta com o suspense psicológico ganhou o prêmio de melhor direção no Festival de Cannes em 2017, inserindo finalmente Sofia Coppola no rol das cineastas de peso do cinema americano contemporâneo. Justiça seja feita! É um destacável trabalho da diretora, que reforça a genética artística do pai, o lendário Francis Ford Coppola. Ela também o produziu, com ajuda do irmão, Roman, adaptando o roteiro original de Albert Maltz e Irene Kamp (que havia sido filmado em 1971, com Clint Eastwood e Geraldine Page, com outro resultado, tão bom quanto), com breves modificações no romance histórico de Thomas Cullinan. E aproveitou duas atrizes de seus filmes anteriores, Elle Fanning (com quem trabalhou em “Um lugar qualquer) e Kirsten Dunst (de “As virgens suicidas” e “Maria Antonieta”), somando ao bom elenco feminino Nicole Kidman e a novata Oona Laurence, além de Colin Farrell, único papel masculino, um soldado acamado, doente.

Nos passos de Francis, Sofia soube ser mestre no uso dos elementos cinematográficos não-humanos - ao arriscar um remake tinha a grande chance de errar, mas não foi o que se sucedeu (para quem conhece “O estranho que nós amamos” de 1971 vai perceber a diferença das ricas composições da nova versão). Ela manteve a penumbra do original, com troca do ponto de vista, do masculino para o feminino, agora. Tornou o clima obscuro, reforçado pela fotografia inebriante de Philippe Le Sourd (indicado ao Oscar por “O grande mestre”, em 2013), com muita névoa e madeira, e deu maior abertura ao confinamento – os personagens ficam trancados em um casarão no meio do nada, em uma região pantanosa, e nós, como público, somos cercados a todo o momento por sons repetidos de grilos, corujas e rãs.

Dentro de um ambiente impenetrável, a relação entre as cinco mulheres reprimidas por lei se altera com a aparição de um estranho, o soldado baleado, homem narcisista que desperta sentimentos fervorosos em todas elas, até na durona Miss Martha. Envolto por forte tensão sexual, o filme metaforicamente discute a quebra de tabus pelas mulheres em uma época de regras sociais rígidas, levanta pontos sobre o papel da religião na sociedade americana no século XIX e traça as amargas consequências da Guerra de Secessão. E tem um desfecho desconcertante!

Rodado na região de fazendas do estado de Louisiana, mesma locação do primeiro, o filme é um objeto de arte inesquecível pelo seu perfeito conjunto em sincronia: direção, roteiro, fotografia, figurino, direção de arte etc. Não deixe de conferir!

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Sobre o Colunista:

Felipe Brida

Felipe Brida

Jornalista, cr?tico de cinema e professor de cinema, ? mestre em Linguagens, M?dia e Arte pela PUC-Campinas. Especialista em Artes Visuais e Intermeios pela Unicamp e em Gest?o Cultural pelo Centro Universit?rio Senac SP, ? pesquisador de cinema desde 1997. Ministra palestras e minicursos de cinema em faculdades e universidades, e ? professor titular de Comunica??o e Artes no Imes Catanduva (Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva), no Senac Catanduva e na Fatec Catanduva. Foi redator especial dos sites de cinema E-pipoca e Cineminha (UOL) e do boletim informativo "Colunas e Notas". Desde 2008 mant?m o blog "Cinema na Web". Apresenta quadros semanais de cinema em r?dio e TV do interior de S?o e tem colunas de cinema em jornais e revistas de Catanduva. Foi j?ri em mostras e festivais de cinema, como Bag?, An?polis, Bras?lia e Goi?nia, e consultor do Brafft - Brazilian Film Festival of Toronto 2009 e do Expressions of Brazil (Canada). Ex-comentarista de cinema nas r?dios Bandeirantes e Globo AM, foi um dos criadores dos sites Go!Cinema (1998-2000), CINEinCAT (2001-2002) e Webcena (2001-2003). Escreve resenhas especiais para livretos de distribuidoras de cinema como Vers?til Home V?deo e Obras-primas do Cinema. Contato: felipebb85@hotmail.com

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