RESENHA CRÍTICA: A Vida em Si (Life itself)
Acho bom avisar que se trata de um filme sentimental, com reviravoltas nem sempre alegres ou positivas
A Vida em Si (Life itself)
EUA, 18, 1h57. Roteiro e direção de Dan Fogelman. Com Oscar Isaac, Olivia Wilde, Annette Bening, Mandy Patinkin, Jean Smart, Olivia Cooke, Serio Peris Menchetta, Antonio Banderas, Laia Costa (premiada atriz espanhola), Samuel L. Jackson, Jake Robinson.
Esta é uma das raras estreias da semana que pode fazer boa concorrência com a época natalina. Isso já seria um grande feito de um roteirista e diretor pouco conhecido aqui, Dan Fogelman (o IMDB dá a dica: por que todo mundo adora Fogelman?). Nascido em março de 76, casado com Caitlin Thompson, começou como produtor e roteirista de televisão. Entre seus trabalhos estão o simpático e humano Eu Você e a Garota Que Vai Morrer, Não Olhe para Trás com Al Pacino, Pitch série da Fox, 16, Grandfathered, 15, Galavant, 16, Honeymoon with Harry, Mais Que uma Família, a animação Carros da Disney (2006, onde foi o roteirista), roteiro de outra animação de sucesso Enrolados (10), Bolt Supercão (08), Carros 2 (11), um clássico da comédia romântica que foi Amor à Toda Prova (Crazy, Stupid ,Love, 11, com Emma Stone e Ryan Gosling). Mas seu maior êxito americano foi com a série conhecida como This is Us, 16-19, com brilhante roteiro sobre uma família de trigêmeos e os diferentes problemas que enfrentam. Com Mandy Moore, Milo Ventimiglia, entre outros. O mais interessante de tudo, porém, é o fato de que relativamente ele fez apenas dois longas metragens de cinema! E que foram muito admirados.
Este A Vida em Si é ainda mais ousado, a partir da ideia básica, entre dois continentes e duas línguas, inglês e espanhol. Na disputa do projeto quem acabou levando a melhor foi justamente a Amazon. E assim foi reunido um elenco internacional altamente prestigioso. Uma história romântica muito especial. Como um casal jovem de Nova York, que tiveram um romance na faculdade, mas agora esperam o nascimento do primeiro filho, só que as confusões e problemas que começam a aparecer se espalham por outro continente e situações. Sua intenção diz ele é celebrar a condição humana com todas suas complicações de humor e amor! Mas acho bom avisar que se trata de um filme sentimental, com reviravoltas nem sempre alegres ou positivas, porque os romances e paixões tem altos e baixos e as vezes um acidente irá provocar um suicídio, embora nem sempre caia em clichês. Não espere uma comédia romântica. Dois detalhes: 1) sendo da Amazon, o filme não passou em salas de cinema em muitos lugares, aqui é exceção e por isso rendeu pouco (pouco mais que 4 milhões); 2) curiosamente o título do filme original é Life Itself, que por sua vez é também o mesmo título para a biografia do falecido crítico americano muito querido chamado Roger Ebert.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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