RESENHA CRÍTICA: Bergman - 100 anos (Bergman: A Year in a Life)

Documentário interessante para comemorar os 100 anos do Diretor

18/07/2018 17:55 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: Bergman - 100 anos (Bergman: A Year in a Life)

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Bergman - 100 anos (Bergman: A Year in a Life)

Suécia, 2018. Direção de Jane Magnussom (nascida em 1968). Ela fez antes ao menos dois docs sobre Ingmar Bergman: Trespassing Bergman (2013) . E antes disso, Bergmans Video (TV Miniséries). 6 episódios. 2012. O documentário tem participação dos seguintes: Liv Ullman, Lars Von Trier, Lena Olin, Lena Endre, Roy Andersson, Elliot Gould, Barbra Streisand, Zhang Yumou, John Landis, Holly Hunter. O filme teve estreia especial no Festival de Cannes deste ano e a cópia foi comprada por Jean Thomas Bernadini para o Brasil.

Já escrevi tanto sobre Ingmar Bergman, que deveria já ter esgotado todas suas fontes e idiossincrasias. Felizmente não foi esquecido (os melhores momentos que eu tive foram três entrevistas que eu fiz com Liv Ullman em diferentes lugares e que me deixou mais apaixonado do que nunca por ela!). Mas este novo filme não é bem o que parece vender, é uma pesquisa da diretora Jane Magnusson que explora o ano de 1957, que teria sido o mais prolífico de sua vida! Mas isso já torna o titulo do documentário muito discutível. Não é bem assim o que se esperava (Fora o fato de que realmente estaria completando 100 anos neste ano). Só como informação, é bom saber que há outro documentário sobre ele chamado Searching for Ingmar Bergman e que foi feito pela premiada alemã Margarethe Von Trotta.

É meio complicado justificar por que a diretora resolveu escolher 1957 como o ponto de vista para analisar Bergman. Mas este teria sido o ano em que ele ficou famoso, se tornou o Grande Ingmar, herói dos filmes de arte em preto e branco o que se perpetuaria por todo o resto do século 20. Teria sido o ano também quando concluiu O Sétimo Selo e a cena do jogo de xadrez. Segundo a autora, dali em diante todos os filmes seriam sobre ele mesmo! O que nos parece duvidoso, já que não tinha feito ainda Morangos Silvestres, um telefilme chamado Brink of Life e dirigido quatro grandes montagens teatrais (inclusive Peer Gynt que foi enorme sucesso local). Muita gente reclamou que a diretora depois de inventar isso, passou a também apresentar cenas de diferentes épocas como a entrevista de 1972 de Dick Cavett, e coisas assim. Mais pesada é a história, e para nós nova, de que quando jovem ele teria tido simpatias nazistas e isso poderia ter influenciado seu comportamento futuro, de ser sempre o que manda e controla tudo. Acho duvidoso, mas o documentário também mostrará a impressão que Barbra Streisand teve dele quando o viu dirigir o marido Elliot Gould em 1970, no filme The Touch (A Hora do Amor, talvez seu filme mais esquecido). Mas esses momentos de trívia são discutíveis, mas sempre curiosos. Mas o título Um Ano na Vida teria sido mais adequado.

De qualquer forma fiquei com uma impressão esquisita da diretora que chegou a dizer em entrevista que no auge de sua carreira ele foi desculpado por ter vários amores, mas que não conseguiria isso hoje segundo ela ”porque as mulheres agora têm mais poder!”. Polêmico, sim, mas que não tira o valor nem do artista nem da obra. Que aliás por sinal saiu agora numa coleção da Versátil, apresentando uma reunião dos filmes mais importantes dele (são 38 títulos, sendo que alguns raros como Na Presença de um Palhaço).

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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