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A História do Cinema: Os Cem Primeiros Anos Parte 1

Breve aula sobre a chamada Sétima Arte, o CINEMA. Saiba como tudo começou!

04/10/2012 11:01 Por Rubens Ewald Filho
A História do Cinema: Os Cem Primeiros Anos Parte 1

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O INÍCIO  

O Cinema nasceu como diversão de feira de parque de diversões popular e só passou a ser considerado Arte em meados do século vinte, na segunda década, mais precisamente depois do reconhecimento às obras de Charles Chaplin, quando seu personagem Carlitos conseguiu sucesso mundial, inclusive dos intelectuais. Foi chamado desde então de Sétima Arte, tomando seu lugar ao lado da Arquitetura, Dança, Literatura, Teatro, Música e Pintura. Curiosamente aproveitando um pouco de cada uma delas (utiliza textos quase teatrais ou literários, formação pictórica como na pintura, tem sempre música e com freqüência dança). Já não se discute mais essa posição do cinema, já que ele reúne os requisitos fundamentais: passar uma emoção estética através de uma determinada sensibilidade. Ainda que, em cinema, estejam envolvidos muito mais criadores. Um pintor precisa de uma tela, um músico de seu instrumento para realizarem sua arte, o cinema para existir movimento um exército de pessoas, é uma arte coletiva e colaborativa, em geral sob as ordens de duas pessoas que são as forças criativas, o produtor e o diretor, responsáveis em última análise pelo que se vê na tela. Por isso, para sobreviver, o cinema precisa ter uma infra-estrutura industrial (equipamentos, estúdios, laboratórios de som e imagem), o que sem dúvida o torna a mais complexa das artes e a arte do século vinte por excelência.

De todas as Artes, o cinema é a única que tem uma data de nascimento: 1895. Embora nem todos concordem com isso, foi convencionado se considerar como seu nascimento oficial a primeira apresentação que os Irmãos Lumiére, Louis e Auguste, por iniciativa do pai deles, Antoine, fizeram no salão indiano do Grand Café, de Paris, em 28 de dezembro, quando apresentaram ao público sua invenção, o kinematographo (vindo do grego, significando registro da imagem). Era uma sessão de cinema como se conhece hoje, com platéia, tela, projetor. Os filmes eram curtas documentários feitos pelos Lumiére em sua fábrica em Lyon e embora muito simples, tiveram grande repercussão. Constavam desse o primeiro lote a saída das Usinas Lumiére (os empregados saindo do trabalho), a chegada do trem na Estação, a comédia O Regador Regado (L'Arroseur Arrosé), um piada em que um homem tenta regar o jardim, mas o fluxo da água é interrompido, quando ele vai olhar porque olhando para a torneira, fica todo molhado. A experiência foi um sucesso e em 1897 abriria em Paris na Porte Saint Denis, o Cinema Lumiére, talvez a primeira sala do mundo. Não deixa de ser também sintomático e poético que os inventores oficiais do cinema se chamassem Lumiére (em francês, Luz).

Na verdade, durante séculos, inúmeras experiências anunciavam a chegada do cinema, porque já se sabia do defeito da vista humana, a persistência da imagem da retina, que permitia a impressão de um movimento continuo, principio básico do cinema. No Oriente existiam os teatros de Sombras (uma série de projeção de vidros transparentes que serviam para contar histórias e as vezes eram associadas a magia ou até mesmo bruxaria porque fascinava e assustava os espectadores). No século 13, na Europa surgiu a Câmera Obscura, embrião da câmera fotográfica, a Maquina de Metamorfoses do jesuíta alemão Athanasius Kircher (1601-1680) e a Lanterna Mágica, criada em 1659 pelo holandês Christiaan Huygens (1629-1695). Houve também os diversos aparelhos em forma de esfera, ou seja, redondos, que levaram nomes diversos (Diorama, Panorama, Georama) que levavam os espectadores a se colocarem no centro de grandes bolas onde eram projetados pinturas ou desenhos. Havia outra tendência paralela: os aparelhos que faziam o espectador olhar através de lentes enquanto se sucediam uma série de imagens, desenhos ou fotos que giravam rapidamente dando a impressão para a vista humana de um movimento continuo. Foi Thomas Alva Edison (1847-1931), o inventor americano da luz elétrica, fonógrafo, microfone e telégrafo, indiscutível gênio (teve mais de mil patentes) que criou em 1894 o kinetoscópio, uma caixa de madeira na qual uma película de 35 milímetros perfurada gira numa sucessão de fotos sucessivas que dão a impressão de movimento continuo. A invenção prenunciava o cinema dos Lumiére, com a diferença de que as imagens não eram projetadas, apenas vistas individualmente, quase como se fosse algo clandestino. Isso levou o cinema nos EUA a ser diversão de parque de diversões, porque Edison não parecia ver futuro nele. Um dos poucos erros desse homem brilhante.

Ainda assim não é possível dizer que uma pessoa tenha inventado o cinema, já que várias experiências aconteciam paralelamente em diversas partes do mundo. Todos brigando entre si, lutando pelo registro de patentes, o que provocaria nas décadas seguintes uma prolongada luta por direitos de invenção.

 

 

 

A PRIMEIRA DÉCADA E A GUERRA INDUSTRIAL

A invenção dos Lumiére se espalhou rapidamente e fez sucesso em todos os lugares do mundo, criando uma demanda para o novo produto (os cinegrafistas passaram a viajar pelo mundo registrando para a posteridade de imagens reais - na época se diziam “naturais”! - de lugares remotos ou reis e rainhas distantes). Embora alguns já pensassem no aperfeiçoamento técnico (na Exposição Universal de 1900 apareciam já experimentos com a cor, as telas gigantes...) a disputa era mesmo para ver quem ficava com o dinheiro das patentes (cada inventor local tentava registrar como sua as máquinas criadas, usando os mesmos princípios de Edison e dos Lumiére). Mas em 1909 já se aceitava como padrão o filme de trinta e cinco milímetros usado por Edison, enquanto a Casa Kodak americana, fundada por George Eastman (1854-1932), foi quem criou o filme em película de nitrocelulose. Industriais importantes corno Charles Pathé (1863-1957) e Léon Gaumont (1863-1946), ambos na França, davam uma dimensão de grande negócios a indústria do cinema.

Mas o que nos interessa é o desenvolvimento artístico do cinema. E nesses primórdios alguns nomes não podem deixar de ser citados:

Irmãos Lumiére - Eles faziam um cinema basicamente documentário, mas ao enviar cinegrafistas ao mundo inteiro em busca de imagens exóticas formaram técnicos que viraram produtores e distribuidores. Mas logo perderiam seu lugar para Charles Pathé.  

Georges Mélies (1861-1938) - Num extremo oposto surgiu este diretor francês, considerado como o pai da arte cinematográfica, o criador da chamada “mise en scéne” (palavra francesa usada antes para teatro, se referindo a maneira em que um diretor encena, marca, coloca literalmente em cena um texto ou uma idéia). Foi o primeiro cineasta a se considerar um artista. Não era nada documental, encenava suas fitas como grandes peças teatrais, assumindo a fantasia, a estilização como no seu filme mais famoso, A Viagem a Lua, de 1902. Mas seu final foi triste, coberto de dívidas, ficou arruinado em 1914, a maior parte de seus filmes se perdeu e ele só foi redescoberto pouco antes de sua morte.

Ferdinand Zecca (1864-1947) - Foi um dos pioneiros do cinema francês que começou imitando Meliés trabalhando para a Pathé. Mais comerciante que artista.

Edwin S. Porter (1869-1941) - Um dos grandes pioneiros do cinema americano, realizador do primeiro grande filme de faroeste que também foi um dos primeiros filmes narrativos (que contavam uma história), o famoso O Grande Roubo do Trem (The Great Train Robbery, 1903). Ex vendedor de filmes, cinegrafista de Edison, dirigiu desde 1899, lançando Griffith no cinema como ator em 1907. Em 1912, associado a Adolph Zukor, criou a produtora Famous Players, rodando filmes em Nova York, entre seus maiores sucessos contratando então a maior estrela do cinema mudo, Mary Pickford. Abandonou o cinema em 1915. Já experimentava com o Cinema em Terceira Dimensão e o Cinema Falado.

 

GRIFFITH E A LINGUAGEM CINEMATOGRÁFICA

 

 Não se pode dizer que David W. Griffith (1875-1948) seja o criador da linguagem cinematográfica, mas certamente ele é o pai do cinema conforme conhecemos hoje. Outros experimentaram antes como a forma de contar uma história (usando planos gerais, depois closes - planos próximos -, montagens paralelas, elipses etc.) mas ninguém como ele sintetizou tudo isso e lhe deu um entendimento universal. São convenções que foram evoluindo com o tempo de tal maneira que um selvagem, alguém que nunca viu cinema, se assistisse um filme atual não entenderia muita coisa. É que o espectador moderno foi se acostumando com certas maneiras de contar uma história (como o principio do chamado flash back, uma volta ao passado. Antigamente era preciso se mostrar o rosto da pessoa com a imagem se desfocando de alguma forma para se entender que ela está relembrando alguma coisa. Hoje em dia, pela própria maneira de contar a história, já dá para perceber se é passado, presente ou imaginação).

Griffith se formou como diretor entre 1908 e 1913, período em que rodou cerca de 450 filmes de uma bobina (menos de dez minutos) de todos os gêneros. Em 1915, realiza o primeiro grande filme, Nascimento de Uma Nação (Birth of a Nation), um grande épico que mostra a Guerra da Secessão americana pelo ponto de vista dos sulistas, fazendo o elogio da Ku Klux Klan (organização racista que defende a supremacia da raça banca perseguindo negros, que no filme eram feitos com brancos pintados com o rosto de negro). Por isso, o filme hoje em dia deve ser visto com certo cuidado. Isso porém não lhe tira o mérito de ter sido um triunfo popular (durante anos considerado o filme de maior bilheteria de todos os tempos), de enorme influência (criou o hábito do filme de longa metragem, suas inovações na linguagem cinematográfica foram muito imitadas). Griffith depois iria ainda mais longe no tamanho da produção com Intolerância (1916), com cenários gigantescos, milhares de figurantes e uma história complexa  contada de forma paralela quatro tramas diferentes, três com episódios históricos (A Noite de São Bartolomeu, Paixão de Cristo, A Queda da Babilônia) e outro contemporâneo, todos falando de alguma forma de intolerância e pregando o pacifismo (Griffith teria sido influenciado pelo filme italiano Cabiria, de Giovanni Pastrone, que contava histórias de halterofilistas heróicos ). Só que o filme foi um grande fracasso e provocaria a progressiva decadência do diretor. Ele ainda seria um dos fundadores da produtora United Artists (Artistas Unidos), junto com o casal Mary Pickford e Douglas Fairbanks e mais Charles Chaplin, uma tentativa dos astros em controlarem seu destino, também produzindo e distribuindo seus próprios filmes. Mas acabaria na miséria e esquecido. De qualquer forma, a estrutura narrativa que ele inventou serviria a seguir como modelo para o cinema clássico de Hollywood.

 

A História do Cinema: Os Cem Primeiros Anos Parte 2

 

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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