RESENHA CRÍTICA: De Longe Te Observo (Desde Allá)
Parece incrível que com todos os problemas econômicos a Venezuela tenha feito este filme que levou a vários prêmios
De Longe Te Observo (Desde Allá)
Venezuela, 15. Direção e roteiro de Lorenzo Vigas Castes .com Alfredo Castro, Jenco Montilla, Luis Silva.
Parece incrível que com todos os problemas econômicos que deixam sua população sem ter o que comer (o que é mostrado discretamente com filas e nos bairros populares, que lembram muito o Brasil!), a Venezuela tenha feito este filme que levou o Urso de Ouro de Veneza. Mais prêmios de ator em Biarritz, estreante em Havana, roteiro em Miami, menção especial em San Sebsatian, roteiro e ator em Tessalonik, apesar de sua produção e de ser um filme sem recursos e outro dentre tantos que abordam a temática gay.
Eu detesto a mania do cinema atual de filmar a nuca das pessoas enquanto elas caminham e caminham ao léu. Isso se repete com frequência ao contar com o mínimo de diálogos a vida de um homossexual que trabalha numa firma que fabrica material dentário (dentes postiços) e se distrai pagando para garotos de programa (ou simplesmente que precisam de dinheiro) embora no que vemos se limita a observá-los seminus de costas. Ele se interessa por um pivete, que aceita o dinheiro, mas consegue fugir e ate agredi-lo. Ainda assim o rapaz consegue salvar um carro antigo em um desmonte e acaba se envolvendo com o velho (que passa o filme inteiro com a mesma expressão e olhos tristes, não se explica muita coisa inclusive que relação ele teria com o pai, que é um homem de negócios bem vestido e que num elevador o ignora!). Não é difícil também imaginar o resultado até cruel, já que a tradição continua a ser romance homossexual com final infeliz. Nunca positivo.
Não acho que seja caso para tanta premiação, mas a segura da narrativa - como hoje está na moda - e um elenco eficiente (como disse, mesmo sem se expressarem) mantém o interesse.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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