OSCAR 2018: O Prêmio Especial da Academia Foi Anunciado

Pouco show business e mais recompensa à figuras importantes do cinema que foram quase sempre esquecidas

10/09/2017 01:37 Por Rubens Ewald Filho
OSCAR 2018: O Prêmio Especial da Academia Foi Anunciado

Charles Burnett, Owen Roizman, Donald Sutherland, Agnes Varda (Getty Image)

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Foram anunciados na última quarta-feira, os quatro que receberão este ano em 11 de novembro, o chamado Governors Award - o Premio Honorário anual (a premiação não é transmitida pela televisão, fechada para convidados e sócios da Academia). Ao menos estão mantendo uma padrão de qualidade e justiça. Pouco show business e mais recompensa à figuras importantes do cinema que foram quase sempre esquecidas. É o caso do mais famoso dos premiados que é o ator Donald Sutherland (1935, nascido no Canadá, pai de Kiefer Sutherland que já tem 88 créditos como ator de cinema e televisão). Sua indicação foi anunciada pelo atual presidência da Academia o diretor de fotografia John Bailey, que se confessou admirador dele - porque foi o fotografo de Gente como a Gente - e ressaltou alguns de seus sucessos como MASH, Klute - O Passado Condena, Inverno de Sangue em Veneza,Casanova de Fellini, 1900 de Bertolucci, O Dia do Gafanhoto, Invasores de Corpos, Gente como a Gente, JFK a Pergunta que Não Quer Calar, e o mais recente, a série Jogos Vorazes.

Outro premiado, no caso praticamente desconhecido grande publico, é o roteirista e diretor negro Charles Burnett (nascido em1944, no Mississipi). Foi um dos raros negros a conseguir estudar cinema em universidade, na UCLA, embora seus trabalhos tenham tido pouca distribuição comercial. Os poucos que foram exibidos no Brasil foram Conspiração Policial (The Glass Shield, 94, com Ice Cube), Não Durma Nervoso (To Sleep with Anger, 90, com Danny Glover). 22 créditos no geral. De qualquer forma,essa homenagem vai de encontro com a política da Academia nos últimos dois anos. E sem dúvida merecida.

O outro premiado é um diretor de fotografia, Owen Roizman (nascido em 1936 em Nova York) que foi indicado cinco vezes ao Oscar, mas não levou nenhum prêmio. Os filmes indicados foram: Wyatt Earp, 95, Tootsie, 82, Rede de Intrigas (Network, 76), O Exorcista, 74, Operação França, 72. Só esses filmes já justificam a premiação.

Resta ainda outra figura importantíssima que finalmente vai ser lembrada, no dia 11 de novembro, uma das maiores diretoras de cinema, se não a que tem a carreira mais notável. A francesa Agnès Varda (na verdade nascida na Bélgica em maio de 1928), também lembrada pela carinhosa parceria que teve em vida com seu marido cineasta Jacques Demy (1931-90), cuja recuperação da obra cuidou com todo carinho, incluindo filmes como Os Guarda Chuvas do Amor, Duas Garotas Românticas, Pele de Asno, Lola a Flor proibida etc. Foi um dos maiores se não o maior criador de filmes musicais na Europa (filmes como Um Quarto na Cidade, Parking etc.). Agnès sempre foi sua companheira, sendo uma das pioneiras do movimento da Nouvelle Vague, com o filme La Pointe Courte (55 com Philippe Noiret). Foi uma das líderes do movimento de renovação do cinema francês, com o sucesso de Cleo de 5 a 7, 62, o lírico As Duas Faces da Felicidade (65), As Criaturas (66 com Catherine Deneuve e Michel Piccoli) e até uma temporada rodando filmes na França ao lado do marido (como Lion´s Love, 69). A partir daí realizou com frequência documentários de grande repercussão (como Villages, Villages, 17, As Praias de Agnès, 08, Os Catadores e Eu, 2000), além do trabalho de recuperação da obra do marido. Uma premiação justa e mais que merecida. Antes tarde do que nunca.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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