RESENHA CRÍTICA: Projeto Florida (The Florida Project)

É difícil entender porque teve boas críticas este lamentável exemplar de filme ruim, mal realizado

02/03/2018 16:55 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: Projeto Florida (The Florida Project)

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Projeto Florida (The Florida Project)

EUA, 17. 1h51min. Direção de Sean Baker. Com Willem Dafoe, Brooklyn Prince, Bria Vinaite, Christopher Rivera, Valeria Cotto, Mela Murder, Krystal Watts. Cotaçao: dois.

É difícil entender porque teve boas críticas este modesto filme independente realizado, que nem cinema brasileiro em seus piores momentos. Difícil entender porque foi indicado ao Globo de Ouro, o ator veterano Willem Dafoe, que os brasileiros gostam muito por causa de suas frequentes aparições fazendo teatro por aqui, por ter aceitado fazer o filme de despedida de Hector Babenco, Meu Amigo Hindu (15) e por uma carreira longa (120 créditos) que parece tê-lo cansado (há momentos no filme onde sua voz some, com problemas evidentes). Mas o mais triste é vê-lo desperdiçado num papel desprezível, de zelador de um prédio popular onde tem que tem tratar os moradores com simpatia e ajudar principalmente na relação com as crianças pequenas (muitos filmes nacionais fizeram coisas parecidas e superiores. Ao menos mais humanas. As crianças aqui são forçadas a chorar, mas tudo é tão falso que tem o resultado oposto). Dafoe é legal mas seu papel pequeno não justifica uma premiação, nem a indicação ao Oscar.

Embora queiram dizer que a história se passa perto da Disney World muito de passagem, é basicamente a exibição de uma garota descartada, cheia de tatuagem que cuida de um casal de crianças (ao menos não tem uso de drogas) seguido de brigas com vizinhas que depois ficam amigas (mais ou menos). E aparece ate um casal que parece ser brasileiro e falam até bem a língua, mas os créditos os apresentam como latinos (?).

O diretor Sean Baker é daqueles jovens pretensiosos que adoram as imagens sujas e a narrativa tosca. Nascido em 1971, é abençoado pelo prêmio Spirit Award, já que levou indicações por Estranha Amizade, 12, que levou o premio Robert Altman, seguido por Take Out, 14, Prince of Broadway, 08, e o único que eu vi chama-se Tangerine (15), sobre travestis e brigas de rua. Era esquisito, mas melhor que este que não se declara a que veio.

Há defensores que acham uma graça mostrar as criancinhas soltas no bairro classe média baixa (o trailer por sinal insiste muito nesse ponto) e certos brasileiros que se identificam com o lugar, o bairro pobre perto da Disney e outros parques, uma situação porque todos nos já passamos de forma semelhante! Saber que há gente pobre por lá não sei se seria satisfação suficiente. De qualquer forma, fizeram um alvoroço para o filme entrar no Oscar e somente Dafoe foi nomeado. Mas o favorito é outro, Sam Rockwell.

 

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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