RESENHA CRÍTICA: Missão Impossível - Efeito Fallout (Mission Impossible Fallout)

Infelizmente não me entusiasmou o filme como alguns dos anteriores, talvez por ser longo demais e repetitivo

26/07/2018 23:39 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: Missão Impossível - Efeito Fallout (Mission Impossible Fallout)

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Missão Impossível - Efeito Fallout (Mission Impossible Fallout)

EUA, 18. 2h34min. Direção e roteiro de Christopher McQuarrie. Com Tom Cruise, Henry Cavill, Ving Rhames, Simon Pegg, Rebecca Ferguson, Sean Harris, Angela Bassett, Vanessa Kirby, Wes Bentley, Frederick Schmidt, Michelle Monaghan, Alec Baldwin (Fallout é traduzido em português como “Precipitação”).

É verdade que para seus 56 anos - é de julho de 62 - Tom Cruise está extremamente conservado e ágil, muito bochechudo, para ser mais uma vez o protagonista Ethan Hunt. Metade do filme ele passa correndo de um lado para outro, de moto, de helicóptero, de tudo que é jeito que você possa pensar. E ainda por cima se machucou gravemente, embora não digam quanto, ao fazer estripulias pelos telhados de Londres, segundo os boatos esta seria sua última aventura do gênero, já que parece que esta finalmente se cansando de correr pelas ruas de Paris no Champs Elysées (em plena madrugada solar), e depois nos fazer desfrutar por diversos lugares chiques da mesma capital e vistas aéreas de lugares como Kashmir, embora intercalando também com Nova Zelândia, até porque o próximo filme será a continuação de Top Gun: Maverick, dirigido por Joseph Krosinki, de Tron, Oblivion. E com Jennifer Connely, Val Kilmer e Milles Teller.

Infelizmente não me entusiasmou o filme como alguns dos anteriores, talvez por ser longo demais e repetitivo. Volta a refazer coisas como ficar escalando montanhas e realizar fatos impossíveis, sem esquecer bate papos intermináveis onde afirmam não ter a solução só para três minutos depois já estarem resolvendo o caso! A culpa me parece ser de terem insistido em trazer de volta como diretor o tal de McQuarrie, que acertou tão em cheio em No Limite do  Amanhã, como roteirista, mas também fez aquela besteira com A Múmia e ainda Missão Nação Secreta e o interessante Jack Reacher.

São tantas as coisas que me incomodaram, que vou tentar relembrá-las. A fotografia que é tão escura que parece uma dessas recentes e intoleráveis medievais novelas da Globo. Desta vez dão mais cenas e envolvimento para os dois únicos outros participantes do grupo de agentes (Ving Rhames e o inglês Simon Pegg) que também não se cansam de se repetir. Sendo Pegg emagreceu muito para tentar ficar parecido com o outro personagem. O roteiro porém está cheio de truques falsos (nem digo dos rostos que se põe e tira desde os tempos do seriado da TV, mas que ainda continua a ser inverossímil). A história é muito fraca porque insiste em usar de forma altamente absurda a brilhante Angela Bassett pousando de vilã ou o inesperado Alec Baldwin (muito melhor em comédia!).

Há outra figura central (modo de dizer) que consegue ser ainda mais embaraçosa já que me refiro a presença do britânico Henry Cavill, o atual Superman, que consegue se superar e tirar qualquer emoção (digo falta de emoção!) por uma longa trajetória altamente previsível e descartável. Para mim a única compensação é a presença de duas belas européias, a doce e encantadora sueca Rebecca Ferguson (que esteve em O Rei Do Show, A Garota no Trem, Florence, mas principalmente no filme anterior desta série, o Nação Secreta). Embora transformada em coadjuvante, ela sustenta ao filme ao lado de outra recém-chegada, uma britânica que havia roubado a série britânica, como a Princesa Margaret, The Crown (agora como vilã ou não, depende... seu personagem infelizmente também é ingrato e fotografa melhor quando menos loira). Há também uma surpresa no elenco que é revelada logo no começo, o retorno de outra figura encantadora que vem a ser a ex-mulher de Cruise, Michelle Monaghan. Ah, ia esquecendo, o vilão Lane do filme anterior que deveria ser assustador e passa completamente em branco.

Bom, talvez fazendo esse retrospecto feminino o filme fique menos pomposo e exagerado, com excesso de correrias, até de dentro de uma Catedral, francamente, o mais overdose de toda a série. Também a música se repete até a eternidade, inclusive há uma sequência de batalha com soldados que parece ter caído de outro projeto! Houve um crítico americano que resumiu bem, ao dizer “a trama é impossível de se decifrar e as cenas de ação completamente loucas”. Não estou seguro que seja isso que o espectador - que já não tem grandes simpáticas mais por Cruise - quer, o anterior rendeu 682 milhões de dólares (sendo 71% disso no exterior).

 

Missão: Impossível – Série & Filmes
Por Adilson de Carvalho Santos

O sucesso de “Missão: Impossível” vem muito antes do agente Ethan Hunt e conta mais de 50 anos desde a primeira vez em que uma gravação seguida de uma contagem regressiva anunciava a aventura embalada pelo instigante tema musical do argentino Lalo Schifrin que marcou gerações.

No Brasil a extinta Tv Excelsior trouxe a série “Missão: Impossível” (Mission: Impossible) para as noites de segunda-feira em junho de 1967, quase um ano depois de sua estreia pela CBS. A história, criada pelo roteirista norte-americano Bruce Gellar, foi filmada pela Desilu Productions, o estúdio fundado em 1951 pela comediante Lucille Ball e seu marido Desi Arnaz. Inicialmente, o projeto intitulado “Brigg’s Squad” mostraria um grupo de agentes recrutados para missões de alto risco nas quais o governo não poderia se envolver abertamente. As características dos personagens seriam refinadas por Gellar, que se recusou a criar um passado para cada um, mantendo uma aura de mistério em torno destes. O que importava era a habilidade de cada membro da equipe: Rollis Hand (Martin Landau) era o mestre dos disfarces, Cinnamon (Barbara Bain) era a espiã irresistivelmente sedutora, Barney Collier (Greg Morris) era o expert em eletrônica, Willy Armitage (Peter Lupus) era o braço forte e Dan Briggs (Steven Hill) o líder da equipe. As missões chegavam até Briggs em um gravador que relatava os detalhes da missão que, caso aceita, seria realizada sem apoio oficial do governo que negaria conhecimento caso tudo desse errado. Bruce Gellar se indispôs com a CBS, e depois com a Paramount que comprara o estúdio Desilu, para manter seu controle criativo. “Missão: Impossível” era um produto inteligente demais para as intenções de baixo custo e lucro imediato dos produtores de TV. As missões da equipe de Briggs tratavam de espionagem internacional, política externa e guerra fria. Cada membro agia nas sombras, de acordo com seus próprios dons, manipulando os eventos de forma que o alvo cometesse algum erro que o fizesse se entregar.

As filmagens da primeira temporada foram prejudicadas por constantes atrasos já que Steven Hill, o ator principal, era judeu ortodoxo e se recusava a filmar nos fins de semana. Em seu contrato o ator só poderia trabalhar até as 16 horas de sexta feira, e muitas das vezes o cronograma das filmagens invadia os finais de semana, até mesmo os feriados. Quando a segunda temporada foi aprovada Hill foi substituído por Peter Graves interpretando o novo líder, Jim Phelps, que ficou fixo no elenco à medida que, nas temporadas seguintes, outros agentes entravam e saíam. Greg Morris também se manteria fixo, mas disputas contratuais levaram Martin Landau e Barbara Bain (eram casados na vida real) a deixar a série na quarta temporada. Leonard Nimoy, Leslie Ann Warren, Lynda Day George, Sam Elliot, Lee Meriwether e Barbara Anderson se revezariam ao longo das temporadas (sete ao todo) que se seguiam com progressivo perda de controle por Gellar, vítima dos executivos que não se preocupavam em descaracterizar a série com roteiros que se distanciavam da visão de seu criador. Da mesma maneira que ocorrera com Gene Roddenberry em “Star Trek”, Bruce Gellar foi posto de lado jamais sendo consultado ou respeitado até que a série foi cancelada em março de 1973.

Bruce Gellar morreu em um acidente aéreo em 1978, mas sua criação colecionava admiradores graças às constantes reprises na Tv, fora as imitações que surgiam na telinha tentando reproduzir a formula de contragolpe com a qual os agentes capturavam os vilões. Ao longo da década de 80, a Paramount tentou diversas vezes adaptar a série para o cinema, mas os roteiros eram escritos e reescritos sem se chegar a um resultado satisfatório. Em 1988, devido a uma greve dos roteiristas, a Paramount aprovou a retomada da série com novo elenco, refilmando alguns episódios e mantendo o personagem Jim Phelps, de Peter Graves, que deixava a aposentadoria para liderar uma nova equipe: Anthony Hamilton, Terry Markwell, Jane Badler, Thaad Panghlis e Phil Morris, filho do veterano Greg Morris. A retomada da série se sustentou no ar por duas temporadas mas desprovida do prestígio do passado.

Quando o astro Tom Cruise adquiriu os direitos da série para adaptá-la ao cinema modificou um elemento essencial da série. Em vez de ações regidas em equipe, a ação ficou concentrada no personagem de Cruise, o agente Ethan Hunt, único sobrevivente de uma missão em Praga. O ator Martin Landau chegou a ser convidado a repetir o papel de Rollis Hand mas declinou quando descobriu que a equipe original seria morta logo no início do filme. A ideia permaneceu mesmo sem a participação dos atores da série, incluindo Peter Graves que ficou contrariado ao descobrir que seu personagem seria transformado em um traidor. Al Pacino, Michael Douglas e Robert Redford foram considerados para o papel de Jim Phelps, que veio a ficar com Jon Voight. A direção de “Missão: Impossível” – o filme (1996) , ficou com Brian De Palma, que anos antes havia alcançado feito impressionante ao adaptar “Os Intocáveis”, outra série de TV. O tema musical da série de Lalo Schifrin foi remixado por Larry Mullen Jr. e Adam Clayton do U2. A essência da série, no entanto, estava ausente, pois nesta o foco era maior na tensão psicológica envolvendo os agentes e seus alvos, enquanto no filme o agente Ethan Hunt monopolizava a ação. A bilheteria do filme garantiu a sequência de 2000 “Missão Impossível 2” (Mission: Impossible 2) dirigido por John Woo. Este já começa o filme mostrando Hunt se pendurando em um penhasco, cena realizada pelo próprio ator dispensando dublês, e que se tornaria marca registrada na série. A história mostra Hunt na trilha de um ex-agente que negocia a venda de um vírus mortal. O vilão Dougray Scott na época foi inicialmente escalado para o papel de Wolverine em “X Men”, mas as filmagens demoradas da nova missão de Cruise impediram Scott de ficar com o papel do herói mutante, que acabou indo para Hugh Jackman.

 O espírito da série foi parcialmente recuperado quando J.J.Abrams assumiu a cadeira de diretor em “Missão:Impossível III” (2006). A missão de capturar um traficante de armas (o saudoso Philip Seymour Hoffman) reúne Cruise com Keri Russell, Jonathan Rhys Myers, Maggie Q e Simon Pegg. Apesar de Cruise ainda ser o centro da trama, a ação em equipe ganha mais espaço , e ainda inclui Luther Stickwell (Ving Rhames), único membro a estar presente em todos os filmes, além do próprio Cruise.

 Em 2011, Brad Bird, o diretor da animação “Os Incríveis” dirige a volta de Hunt em “Missão: Impossível – Protocolo Fantasma” (Mission: Impossible – Ghost Protocol) que substitui o esperado IV por um subtítulo repetindo Rhames e Pegg na equipe, mas trazendo Paula Patton e Jeremy Renner para o time. O trabalho em equipe é ainda mais ampliado a medida que o carisma inegável de Cruise garante um resultado notável da bilheteria. O filme foi o primeiro da série filmado em IMAX, valorizando o impacto da imagem como na cena em que Cruise, dispensando dublês mais uma vez, se pendura do lado de fora de um arranha-céu de 160 andares em Dubai. O filme foi um triunfo para o público e a crítica especializada como o renomado Roger Ebert quer comparou o filme a uma “poesia do gênero”. A diversão só melhora quando chega o quinto filme, dirigido por Christopher McQuarrie “Missão: Impossível – Nação Secreta” (Mission: Impossible – Rogue Nation) que retoma outro elemento da série original: o Sindicato, uma anti IMF empenhada em formentar o caos no mundo. A equipe recebe o apoio da bela atriz sueca Rebecca Fergunson no papel de Ilsa Faust, uma agente dupla que não se resume a interesse romântico, mas se junta a Hunt para desbaratar os planos de Solomon Lane (Sean Harris), líder do Sindicato. A personagem de Fergunson impulsiona a trama graças à habilidade da atriz de se mostrar moralmente dúbia, outra característica inserida originalmente por Bruce Gellar.

A chegada do sexto filme certamente confirma que o público está bastante receptivo a novas proezas do agente Hunt. Seguindo o ritmo das sequências de resgatar elementos da série, adaptando-os aos novos tempos, podemos contar com novas aventuras, seja centrada em Hunt, ou em outro agente disposto a se pendurar em aviões, descer por cabos ou saltar em cinco, quatro, três, dois, um, ... antes que essa mensagem se auto-destrua.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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