RESENHA CRÍTICA: Baseado Em Fatos Reais (D´Après une Histoire Vraie)

O filme para quem conhece a obra de Polanski, é uma enorme decepção

13/04/2018 11:19 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: Baseado Em Fatos Reais (D´Après une Histoire Vraie)

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Baseado Em Fatos Reais (D´Après une Histoire Vraie)

França, 17. 1h40 min. Direção de Roman Polanski. Roteiro de Polanski e Olivier Assayas baseado em livro de Delphine De Vigan. Com Emmanuelle Seigner, Eva Green, Vincent Perez, Dominique Piron, Brigitte Rouan, Camille Chamoux, Joséé Dayan, Noémie Lovovsky.

Esta co produção Franco/Bélgica/Polônia, foi o filme de conclusão (fora de concurso) do Festival de Cannes do ano passado e não chegou a ter grande repercussão. Apesar do prestígio do diretor Roman Polanski, agora com 84 anos, mas realizando um filme mediano, com uma trama sem originalidade (faz lembrar uma dezena de thrillers menores onde gente como Bette Davis e figuras do gênero usando de truques e venenos para conseguirem tomar o lugar de alguém que ambicionam!). Na verdade, o filme é interessante apenas pela oportunidade de apresentar a estrela francesa Eva Green (pela primeira vez em 13 anos fazendo um filme francês, sua origem, já que não se pode esquecer que sua mãe foi uma estrela muito famosa nos anos 60 e70, a interessante mas esquecida Marlène Jobert, hoje escritora de livros infantis!). Eva tem uma figura exótica, de olhos enorme e azuis, uma presença delgada e perfeitamente selecionada para o personagem de Elle, uma pseudo escritora que se aproxima de Delphine Dayrieux (impossível não perceber que o nome é uma referencia a antiga estrela francesa Danielle Darrieux, que faleceu recentemente aos 100 anos idade!). O mais chocante porém é que o personagem é interpretado pela mulher do diretor, Emmanuelle Seigner, sua parceira de muitos e muitos anos (e que esteve muito bem no filme anterior de Polanski, teatro filmado que foi A Pele de Venus, 13). O tempo implacável a deixa madura (nasceu em 66, ficou madura e aparentemente desinteressada, apática e sem a garra necessária para as situações).

Na verdade mesmo com a ajuda do diretor Assayas como co-roteirista e um final que se propõe ser inesperado, o filme é altamente previsível. Elle se aproxima de Delphine que é a escritora da moda naquele momento e vai se intrometendo na vida dela (o marido ou companheiro Perez, mora noutro lugar e é desatento). É evidente que ela é uma vigarista que finge ser também escritora de biografias e a história vai se arrastando quando finalmente no óbvio se torna violento e difícil de aceitar. A direção é correta, a trilha musical sem surpresas e o filme para quem conhece a obra de Polanski, é uma enorme decepção.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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