Uma Jóia do Cinema Para Ser Descoberta na Netflix

Este filme documental Five Came Back considero importante para o espectador comum mas fundamental para o fã de cinema

21/05/2017 11:52 Por Rubens Ewald Filho
Uma Jóia do Cinema Para Ser Descoberta na Netflix

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É muito curioso que a polêmica do momento no Festival de Cannes, não seja a possibilidade muito provável de um atentado terrorista mas o “enorme” problema levantado pelo diretor do Festival de que filmes selecionados para concorrer  não serão exibidos nas salas de cinema da França (porque simplesmente é assim que a Netflix funciona, é uma alternativa que esta dando certo).  A ridícula atitude chegou ao ponto deles determinarem que ano que vem eles terão que exibir nas salas sob pena de serem rejeitados! A besteira se complementou quando um ídolo nosso, o querido e antiquado espanhol Pedro Almodovar afirmando que não pode imaginar um filme de outra forma, se não projetado numa sala de cinema. E mais curioso e estranho ainda que a defesa saísse da figura de Will Smith, talvez o menos intelectual e competente de todo o júri.

Não é preciso ir muito longe para se ver ate que ponto as pessoas são cegas e reacionárias e outras coisas no mesmo teor. Não que a Netflix, embora tão querida neste país, não cometa suas besteiras. Às vezes simplesmente não traduzindo títulos (como sucedeu com o show de Julie Andrews, que não tem o nome dela, nem explica que é um workshop para crianças!). E uma coisa semelhante ocorrendo neste momento no que é certamente o mais interessante evento de cinema norte-americano feita pela produtora. E que ninguém percebeu aqui no Brasil porque não houve divulgação (muitos assinantes tem dificuldade também de reconhecer os títulos e mais ainda em usar a busca das novidades. Basta checar no alto da pagina!).

Assim, eu já havia lido há cerca de dois anos o livro original chamado “Five Came Back”, e fiquei ansioso esperando quando o produtor Steven Spielberg ia lançar a série finalmente também  por aqui.  E sem usar um titulo brasileiro! Pois já fez isso há semanas e não houve qualquer referencia de parte dos grandes veículos de cinema ,em parte certamente porque os críticos que escrevem e ganham uma miséria, são todos muito jovens e não tem a menor noção do que teria sido a Segunda Guerra Mundial e o trabalho de Hollywood para influenciar os espectadores em cima de um conflito que estavam perdendo vergonhosamente.  Os nazistas assassinos de judeus, os italianos fanfarrões e depois os japoneses que atacaram a esmo os norte-americanos estavam levando uma surra. E sabem como tudo virou?Como a Segunda Guerra acabou sendo um sucesso americano? Graças a Hollywood, essa mesmo que você costuma xingar e menosprezar... Por causa de basicamente o esforço de cinco grandes cineastas americanos, talvez os melhores daquele momento – ou de todos os tempos- e o apoio inteligente de um presidente lúcido (como Franklin Delano Roosevelt) o cinema ou seja os filmes rodados em locação, mostrando a verdade da Guerra e junto com o esforço de Hollywood em distrair e estimular os soldados, ao menos por enquanto os nazistas e seus sucedâneos ainda não venceram...

Este filme documental “Five Came Back” considero importante para o espectador comum mas fundamental para o fã de cinema (nem ouso falar em estudioso da História porque a maior parte das pessoas nem sequer tem noção da situação básica). E existe por causa da paixão cinematográfico de Steven Spielberg que reuniu uma equipe notável que foi atrás da herança cinematográfica do jornalismo cinematográfico. Junto com ele, veio um grupo de cineastas apaixonados pelo assunto e quem assina é Laurent Bouzereau, o ultimo e melhor dos realizadores de Making ofs (um Francês nascido em 1962, que já fez mais de 150 filmes do gênero, geralmente para edições em DVD ou equivalente). E sabem que é a narradora off do filme, Simplesmente Meryl Streep...

Basicamente foram escolhidos pelo governo americano para a divulgação da Segunda Guerra (melhor dizendo, os americanos perdiam a Guerra e algo precisava ser feito para mudar isso), os que seriam os cinco melhores realizadores de Hollywood, todos eles vencedores de Oscar da Academia de origem diferentes, o irlandês (de origem) John Ford, o americano George Stevens, o aventureiro John Huston, o alsaciano William Wyler e o italiano Frank Capra. E para contar a ação épica de cada um deles, foram convidados diretores atuais que são admiradores confessos desses gênios todos já falecidos. E a lista é notável: como Francis Coppola, que narra a ação de seu ídolo John Huston, e assim por diante como Paul Greengrass (o britânico da serie Bourne), o mexicano (e como todos eles cinéfilos) Guillermo del Toro, Lawrence Kasdan e Mark Harris (roteirista e autor do livro original).

Difícil  resumir para vocês meu entusiasmo em poder assistir esse material que ao menos para minha geração não estava presente (o único que consegui ver em sala especial foi o de John Huston, que havia sido proibido pelo governo e hoje é considerado obra-prima sobre doenças mentais,  “Let there be Light”). Uns dois outros saíram no mercado americano. Mas claro que foram ignorados. Agora a Netflix (atenção: não ganho nada para elogiá-la, nem tenho ligações lá dentro), não apenas realizou este documentário de três horas e pouco mas também disponibilizou também para nós (e basta olhar com cuidado) os 11 outros documentários dos grandes diretores, restaurados e preservados. Coisa de cinemateca e museu. A história viva da Segunda Guerra e do próprio cinema.

Espero ter despertado ao menos um pouco o interesse do fã de cinema e do futuro cineasta . Pensa que incrível, os cineastas não eram meros artistas, também foram heróis. E estamos vivos e livres aqui por causa deles...

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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