RESENHA CRÍTICA: O Estado das Coisas (Brad´s Status)

Não há muitos filmes sobre o tema procurando discutir o tempo perdido... Este é desse mini gênero dos mais interessantes

03/11/2017 09:40 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: O Estado das Coisas (Brad´s Status)

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O Estado das Coisas (Brad´s Status)

EUA, 2017. 1h42 min. Direção e roteiro de Mike White. Com Ben Stiller, Jenna Fischer, Austin Abrahms, Michael Sheen, Jemaine Clement, Luke Wilson, Luisa Lee. Produção de Brad Pitt.

Mike White é um comediante ruivo e original, que é ator, diretor e roteirista. Depois de certo sucesso (com a comédia Amor pra Cachorro, 07), acabou acertando como roteiristas dos projetos mais variados (como Emoji o Filme, Escola de Rock, Nacho Libre, Correndo Atrás do Diploma, Chuck & Buck). Este filme é uma nova tentativa do comediante Ben Stiller (aos 51 anos) mudar um pouco o gênero, chocado com os últimos fracassos (como o catastrófico Zoolander 2, Don´t Think Twice, que nem passou aqui, Uma Noite no Museu 3, Enquanto Somos Jovens e o fracassado mas inteligente A Vida Secreta de Walter Mitty, 13. Começou a procurar uma certa sobriedade (menos caretas e menos chanchadas) e funcionou muito bem no projeto da Netflix, Os Meyerowitz, com Dustin Hoffman.

Estava na hora mesma de ficar mais maduro e profundo no seu humor. Como aqui neste projeto da Amazon onde faz Brad Sloan, que deixa a esposa feliz Melanie (Fischer) em San Francisco para acompanhar seu filme talentoso musicalmente Tony (Abrams) numa tour de faculdades da região de Boston para escolher seu futuro. O pai não está nada certo porque fez uma carreira inferior e infeliz, contrário ao que esperava. Quem ressurge é um velho Nick (White) na capa de revista que vai ser cheia de surpresas. É verdade que muita gente irá reclamar que o filme é quase todo narrado no chamado voice-over (narração off), mas toda a imprensa americana foi unanime em saudar Stiller num de seus melhores momentos. Numa comédia dramática que é bem melhor do que você poderia imaginar. O curioso é que ele interpreta o chato, que faz tudo errado, quer aparecer e conseguir lugar melhor no avião (mas não tem dinheiro ou cartões para isso) e só deixa o filho envergonhado e desajeitado. Com certeza, você já viu coisa semelhante e até viveu momentos semelhantes (quando você não quer que os pais digam coisas embaraçosas, já que eles ganham menos do que os antigos colegas quase todos hoje famosos e muito ricos e importantes).

A situação me parece humana e sensível, como os americanos chamam de crise de meia idade, quando sentem aproximar a velhice e a ausência de oportunidades profissionais, e acabam fazendo papel ridículo (é preciso lembrar que o filme é produzido pela Amazon, rival da Netflix, e portanto sua bilheteria não é registrada para o público). O filme tem um clímax quando o herói vai jantar com um ex-colega de classe, agora famoso na televisão (e o melhor momento recente do britânico Michael Sheen) e tudo termina numa discussão civilizada. Não há muitos filmes sobre o tema procurando discutir o tempo perdido... Este é desse mini gênero dos mais interessantes.

PS- Ainda assim há probleminhas a perdoar, a narrativa exagerada e interminável, o menino que faz o filho que é espetacularmente inexpressivo e o final também que se prolonga demais.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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