O Cinema Francês Ataca Novamente!

Alguns lançamentos novos da França

04/07/2018 23:52 Por Rubens Ewald Filho
O Cinema Francês Ataca Novamente!

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Fiquei decepcionado com o Festival francês Varilux deste ano, que também foi desperdiçado com o confronto com a Copa. Mas reflete infelizmente um mau momento, no cinema deles, que sempre foi no mínimo interessante. Talvez seja a nova geração que ainda não deu conta de suas possibilidades. Vamos ver os que estão para estrear:

A Noite Devora o Mundo (La Nuit a dévoré Le Monde)

França, 18. 1h33min. Direção de Dominique Rocher. Baseado em livro de Pit Agarmen. Roteiro de Jéremie Guez. Com Denis Lavant, Anders Danielsen Lie, Golshifteh Farahani, Sigrid Bouaziz, David Kammenos, Nancy Murillo.

É curioso como o cinema francês ainda tem ilusões de imitar o norte-americano quando devia parte para extremos opostos. Este aqui foi feito por um estreante em longa (fez 2 curtas antes) e que foi mexer com zumbis e naturalmente foi destruído pela crítica americana. O resumo oficial diz o seguinte: “Após um noite de festa com muita bebida, Sam (Anders Danielsen Lie) acorda completamente sozinho em seu apartamento. Ainda confuso ele descobre um terrível acontecimento: a cidade de Paris está tomada por zumbis famintos. Rapidamente ele começa a proteger o prédio em que vive e elabora estratégias para conseguir manter-se vivo em meio a catástrofe. No entanto, ele ainda não tem certeza se é o único sobrevivente neste cenário hostil”.

Os críticos americanos destruíram o filme, dizendo que não tem ação, nem elenco digno do nome, não sabe usar a câmera de vídeo. Este é um filme de arte de zumbis passado quase inteiramente num prédio de apartamento (há ao menos algumas ideias curiosas e momentos estranhos), mas em termos do gênero é uma lastima. Estreou em Rotterdam, mas não emplacou. Ou seja, o herói é praticamente o único protagonista perdendo tempo em coisas triviais (em vez de tentar contato com o mundo fora). Se é filme de zumbi que estão querendo assistir, este não tem nada a ver. Não recomendado.

 

Custódia (Jusque à la Garde)

França, 17. Direção e roteiro de Xavier Legrand. Drama.Com Léa Drucker, Denis Ménochet, Thomas Gioria, Mathilde Aimeveux, Mathieu Saikaly, Florence Janas. Para quem gosta de filmes dramáticos.

O diretor Legrand veio qualificado inclusive ganhando com ele o prêmio de estreante em longa no Festival de Veneza, já que foi indicado ao Oscar por seu curta Avant Tout Perdre (13) que foi premiado em vários lugares inclusive o César francês e depois com este outro sucesso, Jusqu´e la Garde, 17, que é sua estréia em longa e o filme que apresentamos aqui. O próprio Imdb apresenta foto do premiado de smoking e sorriso! Que também é ocasional ator (como no filme Amores Constantes)!

Sinopse: “O casal Miriam (Léa Drucker) e Antoine Besson (Denis Ménochet) acaba de se divorciar. Miriam não confia nele e para garantir a proteção de seu filho (ela o acusa de ser violento), Miriam pede a custódia exclusiva. O juiz, no entanto, acaba concedendo custódia compartilhada aos dois. Tomado quase como um refém entre seus pais, Julien (Thomas Gioria) fará tudo para evitar o pior. O problema é que Antoine não é bem o pai que ele afirma ser. A esposa e os dois filhos o conhecem de outra forma, provocando sempre uma atmosfera de medo em sua casa, batendo na mulher diante das crianças”.

Longe de ser um filme fácil e consumível, o filme começa lento e vai mudando (como disse um critico deixa de ser naturalista para virar terror). Houve até quem achou semelhança com O Iluminado de Kubrick.

 

Nos Vemos no Paraíso (Au Revoir Lá Haut)

França, 17. 1h57min. Direção de Albert Dupontel. Baseado em livro de Phillipe Lemaitre, com roteiro de Dupontel e o autor. Com Albert Dupontel, Nahuel Pérez Biscauart, Laurent Lafitte, Niels Aretrup, Emile Déquenne,Mélanie Thierry, Héloise Balster, André Marcon, Michel Uillermoz (da Comédie Française).

Não é muito conhecido no Brasil o ator Dupontel que tem porém uma longa carreira (Uma Juíza sem Juízo, Irreversível, Bernie, Primeiros e Últimos, A Grande Noite, Um Lugar na Platéia). Ganhou o César de ator e diretor por este Au Revoir La Haut, 17, antes disso, como roteirista em 9 Mois Ferme,13. E mais 5 indicações. Este é um projeto bem ambicioso vide a sinopse: “Em novembro de 1918, alguns dias antes do Armistício de Compiègne, Édouard Péricourt (Nahuel Pérez Biscayart) salva a vida de Albert Maillard (Albert Dupontel). Ambos não têm nada em comum, a não ser a guerra, e são obrigados a se unir para sobreviver. Anos depois, Albert e Édouard planejam uma farsa para desmascarar o Tenente Preadelle (Laurent Lafitte), que tenta fazer fortuna com corpos das vítimas da guerra”.

Baseado em livro premiado com o Goncourt de 2013, muito admirado pela produção de luxo, celebrada pela crítica francesa que não poupou elogios para a direção de arte, os atores, (foi o sexto filme dirigido por Dupontel). Realmente foi muito bem produzido tanto na reconstituição de época, a música, as máscaras (uma delas é o titulo muito inquietante). O tipo de filme clássico francês que merece ser visto e admirado.

 

Uma Casa à Beira- Mar (La Villa)

França, 17. 1h47 min. Direção de Robert Guédiguian. Roteiro de Serge Valetti e Guédiguian. Com Ariane Ascaride, Jean Pierre- Darrousin, Gérard Meylan, Jacques Boudet, Anais Deboustier, Robinson Stévenin, Geneviève Bnich. Comédia dramática marselhesa:sempre bom cinema.

Tenho especial simpatia pelo diretor Guédiguian, não apenas por ser o mais famoso e elogiado diretor do Sul da França, mais claramente de Marselha de onde trabalha sempre com os amigos e esposa (Ariane). Tive a sorte de ter sido o primeiro jornalista no Festival de Cannes a conversar com eles, de forma a princípio informal, confirmando que acabaram de ter um enorme sucesso com o filme deles, o primeiro a furar o bloqueio do Festival, por serem desconhecidos fora de sua cidade natal. Realmente seus filmes diretos e humanos, são quase sempre comoventes. Além disso, eles são da mesma terra e região de onde veio o Jean Claude Thomas, que é o responsável pelo querido Reserva Cultural, sucesso há anos com filmes de arte. Este aqui ganhou dois prêmios no Festival de Veneza e uma indicação de coadjuvante para Anais no César.

Sinopse: “A atriz Angèle Barberini chegou aos 60 anos e retorna para a vila de seu pai, que fica situada num riacho perto de Marselha. Ela deixou o lugar vinte anos antes por causa de um terrível trauma que teve jurando nunca mais retornar. Mas seu pai Maurice, teve um derrame que o deixou em estado vegetativo sem esperança de recuperação. E sua presença é necessária. Os dois irmãos são Joseph, um operário aposentado amargo e Armand, gerente do hotel local. Mas eles precisam olhar para o future e decidir o que fazer da vila e o restaurante. Mas o passado ainda esta lá para atrapalhar”.

Realizado numa paisagem fotogênica e muito rara para nós, conta-se uma história humana e familiar, justamente por isso não original. Justamente ai está a maior qualidade do diretor e de sua habitual equipe. São gente como a gente, e por isso fazem filmes tão simpáticos e queridos. Experimentem e vejam se concordam comigo.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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