RESENHA CRÍTICA: O Estranho que Nós Amamos (The Beguiled)

Para mim não passa de um desastre quase total. Se o original era melhor porque foram refazê-lo?

10/08/2017 08:42 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: O Estranho que Nós Amamos (The Beguiled)

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O Estranho que Nós Amamos (The Beguiled)

EUA, 2017. 93min. Direção de Sofia Coppola. Roteiro de Albert Maltz baseado em livro de Thomas Cullianan. Com Colin Farrell, Kirsten Dunst, Ellen Fanning, Oona Laurence, Angourie Rice, Addison Riecke, Emma Howard, Matt Story.

Esta é a refilmagem desnecessária de um dos primeiros filmes de Clint Eastwood como astro em Hollywood. Don (Donald) Siegel (1912-91), era famoso montador e foi mentor do Clint em filmes como Dirty Harry Perseguidor Implacável (71), Os Impiedosos (68), Meu Nome é Coogan (68), Os Abutres Tem Fome (71) e a seguir, O Moinho Negro (74), e o último da dupla Alcatraz Fuga Impossível (79). Quase todos foram sucesso e ajudaram a marcar a imagem calada e sorrateira de Clint. Um raro fracasso de público foi a primeira versão de Beguiled que ao menos tinha uma diferença uma negra escrava no elenco, a cantora Mae Mercer que tinha uma presença sensual e forte (Sofia não sei porque eliminou essa figura agora com a desculpa de que já que não entendia do assunto era melhor nem tocar nele!). O filme era uma produção modesta da Universal, que causou polêmicas porque o estúdio fez questão de rodar duas versões, com finais diferentes, o mais banal e romântico (onde o herói sobrevive) e outra mais trágica e irônica, que naturalmente seria a preferida da crítica (aqui saiu com o final cínico mas o tradicional passou aqui na televisão com menor repercussão)!

Mas viva a diferença. Não gosto da diretora Sofia Coppola (filha de Francis Ford) que pelo filme chegou a ganhar o prêmio de melhor direção em Cannes, certamente porque na história do festival é apenas a segunda a levar o prêmio e precisavam corrigir esta vergonha. Ficou pior assim porque o filme resulta extremamente escuro e mal dirigido! A melhor ceninha é justamente a da porta da velha mansão ao final. O resto do elenco é prejudicado porque Sofia não sabe colocar a câmera nos lugares certos, há momentos grotescos e outros amadores.

Curiosamente o melhor filme dela é As Virgens Suicidas, 99 com sua musa, Kirsten Dunst, seguido por Encontros e Desencontros (03) e Maria Antonieta (06). Os mais fracos são Um Lugar Qualquer (10) e o bobo Bling Ring (13). Para não mencionar que também é péssima atriz. Aqui desta vez fazendo uma história difícil de classificar novamente com um final inesperado que envolve cogumelos venenosos que são capazes de matar em instantes, absurdamente (a escolha do sucessor até que poderia ter sido boa, mas o irlandês Colin Farrell com pretensões a Tyrone Power que se especializou em vigaristas começa a exagerar, gritar e querer ser sincero. Em vão).

Se o original era melhor porque foram refazê-lo? É uma situação tão comum e tão errônea, que é bobagem comparar. As cenas interiores foram rodadas em Nova Orleans na casa da atriz Jennifer Coolidge. Clint Eastwood e a jovem Jo Ann Harris tiveram caso de amor durante a filmagem. Também foi na filmagem que Clint dirigiu seu primeiríssimo filme, um documentário sobre o diretor. Siegel culpou a Universal pelo fracasso do filme original que decepcionou o público básico de Clint, que esperava ação. Ele conta também que proibiu o uso de maquiagem nos sets. Co-estrelas no filme, a indicada ao Oscar Elizabeth Hartman e a vencedora de um Oscar e mais 7 indicações Geraldine Page morreram 3 dias uma da outra. Elizabeth suicidou- se pulando de janela dia 10 de junho, e Geraldine teve enfarte de coração no dia 13. O diretor queria Jeanne Moreau no lugar de Geraldine Page. Pensaram nos títulos Pussy Footing Down at the Old Plantation e On One I Walked.

Primeiro filme de Sophia que não é produzido ou supervisionado por seu pai. Anne Ross faz direção de arte pela quinta vez, Stacy Battat figurino pela quarta. A casa do filme é localizada em Madewood Plantation, perto de Napoelonville, Louisiana.

Conclusão: Para mim não passa de um desastre quase total, ainda que Nicole Kidman chegue aos 50 anos bonita e numa presença discreta que é a melhor do elenco. Kirsten insistiu em aparecer gorda e passiva, sem cenas adequadas (aliás, parece final nacional onde esquecem de fazer cenas explicando pontos importantes da trama).

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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