RESENHA CRÍTICA: Os Estranhos - Caçada Noturna (The Strangers Prey at Night)

Embora tenha passada a surpresa do primeiro filme, o problema do enredo atual é a falta de humor e antipatia geral do casal de filhos

06/06/2018 16:02 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: Os Estranhos - Caçada Noturna (The Strangers Prey at Night)

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Os Estranhos - Caçada Noturna (The Strangers Prey at Night)

EUA, 18. 85 min. Direção de Johannes Roberts. Roteiro original de Bryan Retino, adaptação de Ben Ketal. Com Christina Hendricks, Martin Henderson, Bailee Madison, Lewis Pullman, Emma Bellony.

É bom deixar claro que se trata de uma continuação de outro filme, não tão recente, que foi o bem sucedido Os Estranhos (The Strangers, 2008), que foi dirigido por Bryan Bertino que está por sinal creditado na ficha técnica deste aqui. É interessante falar um pouco do “Estranhos” original, que foi estrelado por Liv Tyler, Scott Speedman, Gemma Ward, Kip Weeks e Laura Margolis. E tinha o mesmo tempo de exibição, 85 min. Eis o que escrevi na época:

“É muito raro aparecer novidade no gênero terror. Mais difícil ainda um filme se sobressair por causa do talento do diretor, que tem um olhar diferente, uma maneira de contar original, que o distingue das inúmeras imitações. Às vezes até citando um pouco outros filmes (como Halloween) no uso do background para criar tensão. Vocês sabem, a pessoa em primeiro plano e no fundo, uma figura ameaçadora que ela não vê, mas é que assusta a gente. Quem dirigiu foi Bertino, um estreante texano sem referências (escreveu o roteiro e foi convidado a dirigir por causa dele), que conseguiu tornar o filme sucesso (passando dos 52 milhões de dólares de renda). A grande sacada de linguagem dele foi fazer o filme todo com câmera na mão ou mesmo steady cam, sempre tem algum movimento, provocando no espectador uma sensação de medo e insegurança. Ele confiou no poder da imagem, no clima e parece que chegou mesmo a cortar diálogo explicativo ao final para deixar as coisas um pouco no ar. Ele teria se inspirado no célebre assassinato da família Manson, que matou Sharon Tate, a mulher de Polanski. E num incidente de infância, quando um estranho bateu em sua porta e naquela noite, roubou a vizinhança.  No fundo, é uma variante da velha história da casa mal assombrada, outra família que chega numa casa e acha que tem algo errado e não perdem tempo explicando. Liv Tyler faz a mocinha e Speedman, o namorado. Eles voltam de uma festa de casamento e podem estar vivendo uma crise. Na casa de verão da família dele, são perturbados por três mascarados que atacam sem motivo aparente (mas sem excessos de sangue ou violência).”

Uma curiosidade: esta continuação iria começar com Liv Tyler, que seria assassinada. Mas isso foi descartado. Este novo filme porém traz referencias de O Massacre da Serra Elétrica (74), quando Kinsey consegue escapar no pickup, uma citação de quando Sally escapa do Leatherface. A trilha musical é uma variação da trilha musical de A Bruma Assassina (The Fog, 80). A cena em que Kinsey foge do caminhão em chamas é citação de Christine (1983). No começo do filme quando a família chega no acampamento a nota com o numero 47 seria uma referência do mesmo diretor daqui, Johannes citando Medo Profundo (17- 47 Meters Down, 2017). Enquanto o original foi um estouro de bilheteria, custou dez milhões de dólares e rendeu 52, o mesmo não sucedeu com a continuação, que custou o mesmo mas rendeu apenas 24.

Embora tenha passada a surpresa do primeiro filme, o problema do enredo atual é a falta de humor e antipatia geral do casal de filhos, ambos atores duvidosos e irmãos que não se entendem, na verdade se odeiam, em particular a garota que vira a ser a grande protagonista. Sou grande fã da atriz Christina Hendricks, conhecida pela série de TV, Mad Men, indicada a 6 Emmys. De busto farto e muito charme. Mas tem muito pouco a fazer. A narrativa é lenta e de pouco impacto, quando aparecem algumas figuras jovens que usam uma mascara estranha que virá a ser o anuncio de que eles estão ali para matar com crueldade. O que finalmente une o que sobrou da família (a cena final também não é das mais originais).

Dificilmente teremos um terceiro. O criador Bertino depois do primeiro filme continuou sendo roteirista e dirigiu os filmes Mockingbird (14) e Um Monstro no Caminho (16).

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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