RESENHA CRÍTICA: Garota Sombria Caminha pela Noite (A Girl Walks Home Alone at Night)
Somente para o público de arte é este bizarro e indigesto drama americano feito por emigrantes persas
Garota Sombria Caminha pela Noite (A Girl Walks Home Alone at Night)
EUA, 14. 101min. Direção e roteiro de Ana Lily Armirpour. Com Sheila Vand, Arash Marandi, Marshall Manesh, Mozhan Marno, Dominic Rains.
Somente para o público de arte é este bizarro e indigesto drama americano feito por emigrantes persas (do Irã) que estão vivendo nos EUA e embora a historia se passe no Oriente, na verdade foi rodado na cidade de Taft, durante 24 horas e em preto e branco. Expande um curta metragem da mesma diretora (que ele fez em 2011, com Manesh e Rains já no elenco). Ganhou os prêmios de revelação em Deauville, Gotham e Havai, além de ter sido indicado para o Independente Spirit, de diretor revelação, fotografia e filme de estreante. E no festival fantástico de Sitges Espanha, outra vez diretora revelação e filme jovem.
Quem me conhece depois de tantos anos escrevendo cinema sabe muito que não aprecio muito este gênero nem esta proposta, nem justifica o fato de ser o primeiro filme de vampiro feito por iranianos. Mas não gosto de ser radical. O filme estranho e vazio deve muito aos trabalhos iniciais de Jim Jarmush (um daqueles que foram consagrados ainda nos anos 80 para hoje já estar esquecido!), principalmente pelos enquadramentos e o p/b. Seria um vampiro feminista de baixíssimo orçamento e passado na fictícia na desolada cidade industrial chamado de Bad City, de fato situada no San Joaquin Valley.
A noite perambula pela cidade uma vampira, Girl (Vand) que anda pelas ruas desertas procurando uma vitima. Como um anjo vingador, coberta de panos, ela ataca um traficante de drogas cheio de tatuagens (Rains) e um mau pai viúvo e drogado Hossein (Manesh). Mas conhece também o filho deste, que esta vestido de Dracula ao sair de festa a fantasia. Será uma forma de amor? De qualquer forma também circulam um garoto mal educado (Milad Eghbali) e uma prostituta ja Madura ( Rome Shadanloo). E para completar a confusão, a trilha musical é com rock persa e ainda um gato chamado Masuka.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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