O Espaco Cinematografico em Dario Argento

Uma visita de olhos a uma obra como Suspiria (Suspiria; 1977), relan?ada em copia remasterizada em 4 k descortina ao espectador um espaco cinematografico unico

15/05/2026 02:49 Por Eron Duarte Fagundes
O Espaco Cinematografico em Dario Argento

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Antes de tudo, o italiano Dario Argento é um mestre da linguagem cinematográfica. Uma visita de olhos a uma obra como Suspiria (Suspiria; 1977), relançada em cópia remasterizada em 4 k, nos cinemas brasileiros, descortina ao espectador um espaço cinematográfico único. Com seus movimentos de câmara de grande plasticidade, seus cortes barrocos e seu engenho bastante italiano na utilização dos atores, Argento inventou um espaço do cinema. Tão original e pessoal quanto os que foram extraídos das cartolas de Bernardo Bertolucci ou de Federico Fellini. Como Bertolucci e Fellini, Argento é um mágico da imagem e do som em cinema; como eles, é um mágico que domina inteiramente sua prestidigitação. Visto em seu tempo como um cineasta do gueto do horror, ou posto sob a bandeira meio secreta do gialio, Argento não tem tido, historicamente, a consideração que lhe cabe como alguém que soube ligar intrinsecamente a hipnose e o cinema. Neste aspecto, Suspiria é uma espécie de aula magna do realizador.

Decomposto em suas bases formais, Suspiria se põe, como o clássico Um corpo que cai (1958), do inglês Alfred Hitchcock, mais próximo das experimentações visuais do cinema do que do comercialismo vendido pela propaganda das narrativas de suspense, mistério e horror. Em Suspiria há uma série de conceitos temáticos (a escola de dança, na Alemanha, aonde chega uma aluna americana) que se esvaem diante do absoluto poder formal duma realização como esta. Na refilmagem que lhe deu o também italiano Luca Guadagnino, a dança incrusta-se na linguagem, diferentemente do que ocorre no filme de Argento, onde a arte de bailar se situa em posições distantes do estilo de filmar, mais atmosférico e obscuro que qualquer movimento dos corpos; a câmara e a disposição de objetos e criaturas dentro do espaço se tornam muito abstratas na imagem criada por Argento.

A abertura do filme se dá numa cena à noite, em tempestade, onde a bailarina americana Suzy Bannion chega à academia de dança numa cidade alemã e de cara dá  com cenas esquisitas, uma voz ameaçadora no interfone, uma mulher que corre na chuva entre as árvores. A cena final é também diante duma chuva forte, com a mesma personagem da bailarina americana, agora ao que parece fugindo daquele universo de absurdos que sua mente topou em busca de seu aprendizado de dança. Antes desta imagem, uma sequência de barroquismo intenso, sangue, assassinato, incêndio, calafrios que nem sempre foi bem compreendida em sua sensorialidade pelos espectadores históricos.

A americana Jessica Harper no papel central (a mesma atriz de O fantasma do paraíso, 1974, do americano Brian De Palma) tem talvez o desempenho de sua vida em Suspiria. As mulheres exuberam nesta obra-prima de Argento. Nomes míticos como Joan Bennett (a mulher fatal de Fritz Lang em Almas perversas, 1945, filme ao qual Suspiria deve alguma coisa) e Alida Valli (clássica persona do cinema italiano, a criatura de Sedução da carne, 1954, do italiano Luchino Visconti). De par com eles, o mundo de espaços cênicos de Argento abre para nossos olhos o convívio com uma fauna fascinante.

 

(Eron Duarte Fagundes – eron@dvdmagazine.com.br)

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Sobre o Colunista:

Eron Duarte Fagundes

Eron Duarte Fagundes

Eron Duarte Fagundes é natural de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, onde nasceu em 1955; mora em Porto Alegre; curte muito cinema e literatura, entre outras artes; escreveu o livro “Uma vida nos cinemas”, publicado pela editora Movimento em 1999, e desde a década de 80 tem seus textos publicados em diversos jornais e outras publicações de cinema em Porto Alegre. E-mail: eron@dvdmagazine.com.br

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