NA NETFLIX: Perdidos no Espaço (Lost in Space)

Gostei muito, tecnicamente impecável, bem narrado, eficiente e moderno

17/04/2018 14:47 Por Rubens Ewald Filho
NA NETFLIX: Perdidos no Espaço (Lost in Space)

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Perdidos no Espaço (Lost in Space)

EUA, 2018. Série de dez capítulos (todos já disponíveis) com cerca de 1 hora cada. Criadores Irwin Allen, Matt Sazama, Burt Sharpless. Diretores desta série Tim Southham (3), Neil Marshall (2, sendo que também o primeiro), os seguintes são um episódio cada: Deborah Chow, Vincenzo Natali, David Nutter, Stephen Surjik, Alice Troughton. Com Molly Parker (a mãe), Toby Stephens (John), Maxwell Jenkins (Will), Taylor Russell (Judy), Mina Sandwall (Penny), Ignacio Serrichio (Don), Parker Posey (June/Dra. Smith), Bill Mumy, Selma Blair. Trilha musical de Christopher Lennitz.

Perdidos no Espaço (Lost in Space) Versão original: 1965-68. Com Guy Williams, June Lockhart, Mark Goddard, Marta Kristen, Bil Mumy, Jonathan Harris, Angela Carwright, Michael Rennie, Wally Cox, Mercedes McCambredge, Michael J. Pollard.

Eu fui fiel admirador dessa lendária série de TV ainda em preto e branco que foi um enorme na televisão brasileira, inclusive com reprises. Tanto era fã que cheguei a encontrar numa feira de televisão o Jonathan Harris (1914-2002), que era a grande figura (meio caminho de vilão) junto com o robô (antiquado hoje). Naturalmente era fraco tecnicamente como cenografia e direção de arte, ou efeitos nada especiais. Mas era inteligente, divertido, com um elenco marcante e a verdade é que nunca a esquecemos.

Chegou a haver um longa metragem: Perdidos no Espaço, o filme (98), 98. D. Stephen Hopkins. Com William Hurt, Gary Oldman, Mimi Rogers, Matt LeBlanc, Heather Graham, Lacey Chabert, Jack Johnson. 122 min.

Este Perdidos no Espaço teve um lugar como nota de rodapé na história do cinema por ter sido o filme que derrubou Titanic do seu lugar de campeão absoluto de bilheteria. Rendeu no fim de semana de estréia nos EUA 20,2 milhões de dólares, superando Titanic que ficou, naquele período, em segundo lugar com 11,05 milhões de dólares (claro que depois de já ter rendido quinhentos e trinta milhões e ter sido o primeiro por quinze semanas). No final das contas, o filme, porém, desapontou não indo acima dos trinta milhões. Um número respeitável, mas não notável, ou seja, não se pagou. Isso significa que o filme decepcionou seu público alvo: aqueles quarentões que assistiram na TV o famoso seriado homônimo que chegou no Brasil pela TV Record, no final de 1966 ainda em preto e branco.

Produzido por Irwin Allen (famoso por ter depois criado o gênero "Disaster Movie", como O Destino do Poseidon e Inferno na Torre), o seriado durou apenas três temporadas (de 65 a 68), mas resiste até hoje em reprises. O programa teve uma temporada em preto e branco e duas outras coloridas. Começou como uma ficção científica tradicional, mas depois influenciado pelo êxito de Batman (que apareceu em 66), acabou virando um pouco paródia, com cenários pobres, efeitos meio ridículos e uma interpretação antológica de Jonathan Harris como o vilão Dr. Smith. É esse senso de humor que tornou o seriado "cult" até hoje. Infelizmente, o Perdidos no Espaço do cinema resolveu se levar a sério. Teve uma produção luxuosa de mais de sessenta milhões de dólares, gastos em frequentes e excessivos efeitos visuais e um elenco de qualidade. Conseguiu o aval de parte do elenco original do seriado (June Lockhart fez a professora de Will, Mark Goddard é o chefão, Angela Cartwright e Marta Kristen aparecem rapidamente como repórteres), mas não dos mais famosos. Billy Mumy (criador de Will) foi testado para ser o personagem adulto, mas não foi aprovado, sendo substituído por Jared Harris. Jonathan Harris recusou o papel do chefe do novo Dr. Smith (Gary Oldman, que tem feito excesso de vilões, inclusive em A Espada Mágica), classificando-o de insignificante e indigno dele.

O curioso é que o filme é como um compêndio de temas de outros filmes do gênero. Começa com uma batalha espacial digna de Guerra nas Estrelas, discute conflitos existenciais como Jornada nas Estrelas, cria um universo paralelo como De Volta para o Futuro, usa frases misteriosas como Arquivo X (inclusive a clássica "nunca confie em ninguém"), os monstros são pegajosos, (como em Alien), assumem a forma de aranhas (como em Tropas Estelares), todos fazem piadinhas (como nos dois Exterminadores do Futuro), veste os personagens com roupas provocantes (como as de Batman) e o robô ficou com jeito de Robocop (ele foi movimentado pela firma de Jim Henson).

Mas os personagens e a situação são as mesmas (inspiradas numa velha fábula da história juvenil da Família Robinson da Suíça). Num futuro distante, uma família de pioneiros tenta viajar para o Planeta Alpha-Prime porque a terra estará destruída em duas décadas. É liderada por um respeitado professor (William Hurt, apático e inexpressivo) que viaja com a mulher (Mimi Rogers) e três filhos: uma adolescente problemática (Lacey Chubert, do seriado Party of Five, a mais convincente), uma sedutora médica (Heather Graham, de Boogie Nights) e o menino de dez anos, Will Robinson, um gênio em Robótica (Jack Johnson). Dr. Smith vai de clandestino/sabotador a bordo e Gary Oldman o assume como um monstro pedante, dado às frases irônicas: "Negro sempre foi minha cor"; "O mal conhece o mal"; "Finalmente de volta a Kansas" (citando o Mágico de Oz).

No caminho, a nave comandada por Matt LeBlanc (repetindo o tipo de "pouco inteligente" que criou no seriado Friends) acaba sofrendo um acidente e se perdendo no espaço (a Lacey fica obrigada a dizer a pérola: "Estamos perdidos, não estamos?"). Aterrissam em planeta inóspito de onde tentam escapar. Sempre sabotado pelo desagradável vilão Dr. Smith.

Durante a viagem também entra na história um bicho de estimação feito por computação. Mas o importante é que a voz do robô voltou a ser feita por seu criador no original (Dick Tufeld) e quando ele finalmente diz a frase "Perigo... perigo" é impossível conter um aplauso de reconhecimento. É um raro momento de nostalgia numa fita que prefere não se perder em comparações. É uma adequada space-opera para adolescentes, que coloca todo seu orçamento na tela em efeitos espetaculares. Nada mais.

 

O novo Perdidos...

Não quero entrar muito em detalhes por enquanto já que assisti apenas ao primeiro filme da nova série. Mas tenho que admitir que gostei muito, tecnicamente impecável, bem narrado, eficiente e moderno, já que tem idas e vindas, flash backs do passado, um elenco promissor (o menino que faz Will parece ser ótimo) e a verdade é que até conseguiu me emocionar em determinados momentos. Mas eu preferi pedir para um amigo, Elias Lucena, que além de nos enviar matérias incríveis sobre cinema, televisão, séries e até mesmo problemas sociais, é a pessoa mais bem informada que eu conheço sobre Lost in Space. Sua analise aqui embaixo com meus agradecimentos e vocês vão ver que a serie promete ser realmente um sucesso e um clássico no gênero.

 

Primeiras impressões sobre essa releitura da série original Perdidos no Espaço por Elias Lucena:

Estou feliz, acima de tudo estar feliz é o que sentimos quando pensamos na série original e seguramente esse reboot também desperta essa emoção! Uma deliciosa surpresa o Bill Mumy em sua participação no primeiro episódio, dai as fotos do ano passado da visita do dele aos estúdios em Vancouver, bacana a maneira como os roteiristas encontraram para mostrar que a mulher (Parker Posey) roubou a identidade do Dr Smith e ninguém melhor pra ser o Dr Smith que o próprio Bill Mumy, Will Robinson da série clássica. O produtor e fã da série original Kevin Burns disse que por ser muito amigo do Jonathan Harris não poderia macular o que mais o Jonathan Harris enfatizava, que ele era o primeiro e único Dr Smith, então uma mulher agora rouba essa identidade! 

Vi algumas vezes os dois primeiros episódios, estou gostando, uma atualização inteligente da série original, são duas séries diferentes, com algumas similaridades, a maior até aqui é a valorização dos sentimentos de família e valores éticos! Nesse reboot além da Dra Smith tem o Don que é uma boa pessoa, mas pode não ser (risos). O mundo mudou muito em quase 53 anos, mas a essência do Perdidos no Espaço original continua forte no reboot da Netflix, a série original questiona e enfatiza valores éticos, o próprio Dr Smith Jonathan Harris foi pioneiro na televisão em ser um ser vilão verdadeiro, com maldades mas também com sentimentos nobres, muitas vezes aflorados diante de situações limite! (na época se dizia que ele era um anti-herói, o mundo precisava de rótulos), este Lost in Space Netflix é uma releitura bem concebida da série clássica! Dinâmica, com ação, aventura e emoções na medida certa! O legado da série original continua forte nesses mais de 50 anos, estou feliz pelo que estou vendo até aqui! O reboot está repleto de Easter Eggs, referências da série original e quem é fã da primeira série vai identificar! Quem é fã da série original vai gostar dessa releitura e os jovens que gostam do LIS Netflix irão se interessar em conhecer a série original! Uma das maiores diferenças entre as duas séries está na abordagem de gênero! Mulheres cada vez mais assumem papéis de comando no mundo de hoje, muito mais que no passado, natural que essa releitura mostre essas mudanças e que venham outras! Valores éticos também convivem com respeito as diferenças, vamos todos então respeitar as diferenças entre as duas séries e comemorar que Perdidos no Espaço atravessa gerações trazendo felicidade! O biscoito Oreo! (risos) deve ter pago muita grana pra se colocarem na série, e como é um produto vendido no mundo todo! O Google também está com parceria com o LIS Netflix!

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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