DE VOLTA AOS CINEMAS: A Primeira Noite de um Homem (The Graduate, 1967)

Em cartaz no CineSesc em São Paulo do dia 4 até 10 de janeiro um clássico imperdível

03/01/2018 12:38 Por Rubens Ewald Filho
DE VOLTA AOS CINEMAS: A Primeira Noite de um Homem (The Graduate, 1967)

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A Primeira Noite de um Homem (The Graduate)

EUA, 1967. 105 min. Diretor: Mike Nichols. Roteiro: Calder Willingham,Buck Henry, baseado em livro de Charles Webb. Fotografia: Robert Surtees. Música: David Grusin. Canções de Paul Simon & Art Garfunkel. Desenho de produção de Richard Sylbert. Produção de Lawrence Turman. Com Dustin Hofman, Anne Bancroft, Katharine Ross, Murray Hamilton, William Daniels, Elizabeth Wilson, Brian Avery, Norman Fell, Marion Lorne, Aliche Ghostley, Richard Dreyfuss (ponta), Mike Farrell.

Sinopse: Ben (Hoffman) volta para casa depois de se formar na faculdade e conseguir bolsa para especialização. Tem um romance com a vizinha casada, mas acaba se apaixonando pela filha dela.

Bastidores: Lançado em 1967, o filme estourou nas bilheterias e foi o primeiro a descobrir o potencial do público jovem que se identificou com os personagens e transformou em sucesso a trilha musical de Simon & Garfunkel, criando para o filme baladas urbanas nascidas na linha “folk-rock”. Foi a revelação de Dustin Hoffman que embora fosse velho demais para o papel (30 anos), deu início a uma brilhante carreira. Suas cenas com Mrs. Robinson, viraram antológicas assim como certas frases da fita (“Plásticos”). Indicado a oito Oscars, ganhou como Diretor e foi o filme cult de toda uma geração. Como sempre, o título nacional apelou dando ideia de uma porno-chanchada. Doris Day recusou o papel de Mrs. Robinson e Ben deveria ter sido feito por Robert Redford que era o favorito do produtor Lawrence Turman.

Crítica: Foi o primeiro filme a descobrir o óbvio: os jovens iam mais ao cinema e gostavam de se ver retratados na tela. À primeira vista, parecia apenas uma comédia de costumes, uma brincadeira com a virgindade masculina e a antropofagia feminina, mas ganhou dimensões de sátira social, modelo para toda uma geração. O herói Ben, desde sua chegada de avião, está numa espécie de vácuo, perplexo, sem entender o mundo dos pais. Foge desligando-se do aquário na escuridão (o tema musical: Sounds of Silence), parece um marciano imerso na piscina. Sua conversão ao mundo dos adultos é feita por Mrs. Robinson (a sensacional Anne Bancroft - curiosamente havia apenas uma diferença de seis anos entre ela e Dustin) a mulher do sócio do pai. A sedução de Ben, é um dos melhores momentos do cinema moderno, a timidez versus o autoritarismo de Mrs. Robinson, levando-o a um sexo automatizado. Um dia não aguenta mais e pergunta: “Será que não podemos ao menos conversar um pouco?”. Mas não consegue, não pode, ela é toda a sociedade que ele não entende, a hipocrisia que aceita a mulher infiel, um marido complacente e o bem estar econômico como calores absolutos.

O filme cai quando Anne sai de cena e Ben apaixona-se por “Katharine” e começa um relacionamento com sua geração. Desajeitado, afirma desde o início: “Quero ser diferente”, mas não sabe dizer exatamente como. Só não deseja ficar padronizado e fabricado em série como todos de sua casa. Muita gente critica o final que parece ser um “happy end”, mas na verdade nada foi solucionado, os problemas continuam existindo, eles estão indo juntos, lado a lado, sabe lá para onde. A história de Ben, não teria a mesma qualidade, não fosse a direção inventiva de Mike Nichols, “homenageando sem pudor Fellini, Varda, Antonioni”. Em todas as cenas ele acrescenta um detalhe que dá a tônica do filme. Quando Katharine recebe a notícia do caso de Ben com a mãe, a câmera desfocada se concentra aos poucos em seu rosto com lágrima; os pais e amigos vistos no silêncio da máscara submarino; os diálogos no escuro do quarto do hotel; a extraordinária sequência que se segue a sedução em que a montagem paralela liga o quarto de Ben ao quarto de hotel, da piscina à cama, terminando num corte magistral. O elenco está excepcional, Dustin acrescenta detalhes só seu: tira o pigarro antes de beijar, boceja quando pede a moça em casamento e Anne tem um momento antológico quando solta fumaça após o beijo.

O filme foi visto na época como um grito de protesto e angústia de uma mocidade incompreendida, mas o final, hoje é simbólico. O casal como sua própria geração, não sabia que caminho tomar e como quase todos nós, acabaram no ônibus errado.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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