Capitão América: Os Quadrinhos Que Inspiraram o Novo Filme

Leia um breve histórico dos principais sobre momentos do super-herói nos quadrinhos americanos e a relação com o novo filme

09/04/2014 16:16 • Por Adilson Carvalho dos Santos
Capitão América: Os Quadrinhos Que Inspiraram o Novo Filme

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Capitão América: Os Quadrinhos Que Inspiraram o Novo Filme

As melhores histórias do Capitão América, nos quadrinhos, souberam explorar bem sua figura como de um deslocado no tempo. Seu anacronismo constantemente entra em conflito com os interesses maiores. Seja o cidadão Steve Rogers que precisa fazer anotações em um caderninho para se atualizar sobre músicas e filmes ou como o soldado que discorda das ordens que recebe. Apesar de sua imagem evocar um ufanismo solitário, sua postura o faz crítico das mazelas da sociedade norte-americana. Nas mãos de hábeis roteiristas, o personagem já foi destituído de seu cargo (Captain America #332 de 1987), já foi julgado por alta traição e exilado (Captain America #450 de 1996) e salvou a América em seu bicentenário na histórica edição publicada em Agosto de 1976. Mas, ainda mais ousado foi o arco de histórias publicado entre Janeiro e Agosto de 1974 intitulado “A Saga do Império Secreto”. Nele, o patriótico herói é vítima de uma campanha de difamação e preso acusado de assassinato. Tudo era parte de um golpe de estado perpetrado por uma organização do mal ligado aos altos escalões do governo. O polêmico final da saga insinua que o líder do grupo (seu rosto não é mostrado) é o próprio presidente dos Estados Unidos, e isso, em plena época do escândalo de Watergate, que levaria Richard Nixon – no mundo real - a renunciar meses depois.

Entre vários personagens que desfilam na tela como coadjuvantes da trama, que incluem o mercenário Bartroc, o agente Rumlow (que nos quadrinhos é o vilão Ossos Cruzados), a Viúva Negra e o próprio Nick Fury, um dos mais relevantes é Sam Wilson, o Falcão. Nos quadrinhos, o personagem surgiu em Captain America #117 (Setembro de 1969) com roteiro de Stan Lee e com um visual bem diferente do atual, logo se tornando o parceiro do herói. Seu apelo foi forte e veio em um momento em que questões raciais eram muito mais delicadas do que no mundo de hoje e o cinema viria depois a fazer disso um filão que ficou conhecido como blackexploitation. O Falcão era o herói negro que salvava o Capitão América, um branco, o que levou o personagem a um alto grau de popularidade entre o público leitor de HQ. Durante quase uma década (de 1971 a 1978), o título do herói passou a se chamar “Captain America & Falcon”, o que para a época foi extremamente relevante não apenas em termos da indústria dos quadrinhos como também como reflexo do momento histórico em que se passava. O público leitor de quadrinhos reconhece o personagem, mesmo que este siga uma atualização em sua origem, o que a própria Marvel Comics faria nas edições chamadas “Ultimate” na qual reinterpreta os seus personagens em uma linha de tempo alternativa. O filme ainda trás menção a outros personagens conhecidos como Bruce Banner (o Hulk), Tony Stark (O Homem de Ferro) e até mesmo o Dr.Estranho cujo projeto de um filme já foi anunciado. São várias referencias que para o fã de quadrinhos serão deliciosas.

A trama do novo filme do Capitão América segue essa linha de intriga política e desilusão do personagem com o novo mundo. O roteiro, de Christopher Markus & Stephen McFeeley, aproveita-se de um arco de histórias relativamente recente, criado pelo escritor Ed Brubaker, no qual o Capitão América descobre que seu melhor amigo, de sua época, foi mantido em estado criogênico e sofreu lavagem cerebral que o transformou em um impiedoso assassino chamado “Soldado Invernal”. O abalo dessa descoberta é acentuado ainda mais pela constatação do herói de que o país que representa está apodrecido pela corrupção infiltrada na S.H.I.E.L.D, a agência governamental para a qual trabalha desde o filme dos “Vingadores”. O arco de histórias “O Soldado Invernal” foi originalmente publicado entre Setembro de 2005 e Abril de 2006 na revista do Capitão América e trouxe sérias consequências para o personagem nos quadrinhos.

O novo filme bebe dessa fonte e a mescla com os melhores filmes que já exploraram perseguições de gato e rato, jogo de fumaça e espelhos que foram explorados em filmes como Operação França e Os Três Dias do Condor, esse último trazia Robert Redford como protagonista. O consagrado ator disse em entrevistas que aceitou o convite pois seus netos são admiradores do universo cinematográfico da Marvel Comics  e seu papel é de extrema importância para a trama cujas implicações certamente conduzirão a Capitão America 3 e Vingadores 2. É bom ficar atento quando o Capitão America lançar seu escudo. (Por Adilson Carvalho dos Santos)

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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