RETROSPECTIVA 2018: O Cinema Brasileiro num Ano Difícil

Bem que houve um romance entre o público brasileiro e os filmes nacionais. Boa vontade, boa bilheteria, atores e comediantes aplaudidos

30/12/2018 22:54 Por Rubens Ewald Filho
RETROSPECTIVA 2018: O Cinema Brasileiro num Ano Difícil

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RETROSPECTIVA 2018: O Cinema Brasileiro num Ano Difícil

Bem que houve um romance entre o público brasileiro e os filmes nacionais. Boa vontade, boa bilheteria, atores e comediantes aplaudidos por eles ou mesmo algumas chanchadas que lembravam coisas antigas, mas que tinham seus consumidores. Eu tomei como rumo não falar mal à toa dos nacionais mais fracos ou que caiam demais na chanchada. Então, nesses casos, via e não escrevia a respeito. Mas com o passar do tempo fui ficando entusiasmado quando algumas pessoas vinham falar comigo na sala, afirmando que “nós gostamos do cinema brasileiro!”. E eu também.

Esse entusiasmo meu foi crescendo nos últimos anos desde quando fui para Gramado onde me tornei, junto com Marcos Santuário, a fazer a seleção dos longas-metragens, contente também porque os cineastas começaram a procurar o Festival acreditando em sua boa vontade e prestígio. Ingenuamente fizemos com cuidado Gramado 2018 na certeza de que seria um grande sucesso de bilheteria. Mas com a crise financeira, a falta de dinheiro, o medo da campanha eleitoral não foi bem assim. E o público deixou escapar, ou seja, de ver alguns filmes de muita qualidade. Por exemplo, o a vida do campeão mundial Eder Jofre, em Dez Segundos para Vencer, certamente o melhor filme de Boxe já feito no Brasil, com grandes interpretações (com o ótimo Osmar Prado, Daniel de Oliveira) tudo muito bem dirigido pelo já veterano José Alvarenga Jr. O público iria adorá-lo, ainda que tenhamos que esperar sua estreia um dia na TV Globo.

A verdade é que não podemos culpar o povo que sempre gostou do cinema nacional colocar seu modesto dinheirinho para prestigiar essas vítimas do destino. Acreditem: a seleção de bons filmes hoje em dia é bem grande e deve continuar. Posso lembrar alguns filmes que o público deveria ver se tivesse a chance, como o encantador e adorável, Benzinho (em inglês, veja só, Loveling) com os grandes atores ainda não consagrados como deviam Otavio Muller, Adriana Esteves, e a protagonista Karine Teles. Outro filme que me impressionou muito foi A Voz do Silêncio de André Ristum que tem um notável domínio narrativo (e trouxe de volta a esplêndida Marieta Severo). Teve mais, comprovando a qualidade de um cinema que nem sequer teve ainda a sorte de voltar a ser descoberto. Tenho certeza que tudo irá recomeçar e dar certo.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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