Um Oscar Como Você Nunca Viu Antes...

Conheça os detalhes da premiação, os favoritos, os bastidores...

23/02/2019 23:40 Por Rubens Ewald Filho
Um Oscar Como Você Nunca Viu Antes...

tamanho da fonte | Diminuir Aumentar

 

Tudo muda, se transforma e o maior prêmio do cinema não podia ficar atrás. Nos últimos três anos, a veterana Academia de Artes e Ciências de Hollywood - já perto do centenário -procurou se atualizar, se tornar mais popular e enfrentar a queda de audiência (o que não é apenas dela, mas de todos os órgãos de divulgação!). E se esforçam em concluir o Museu do Cinema com que há anos viviam sonhando! Fizeram um grande esforço de abrir as portas e chamar novos membros, não apenas atores e diretores como era a tradição, mas gente do mundo inteiro e principalmente de diversas profissões (exemplo, a maquiadora, o figurinista e outros profissionais da indústria, não apenas os atores, e não apenas veteranos estão todos agora em ação. Por exemplo, os atores profissionais negros hoje têm muito maior presença e importância na estrutura e organização da Academia). O que é bom para todos.

Vejam que curioso... Descobriram que os filmes deste ano que foram os selecionados para melhor do ano, tiveram uma novidade. Uma maior diversidade. Pela primeira vez envolvido no Oscar houve 5 organizações, sete filmes diferentes. E isso nunca aconteceu. Explicando melhor, os filmes selecionados para este ano são antes de tudo (e isso é muito bom) todos os oito finalistas são de primeira qualidade e tem chance de serem os vencedores. Ou seja, é mais liberal e preparado. De uma certa maneira ficou mais difícil chegar a um vencedor, pode-se dizer que alguns são os favoritos, Green Book versus Roma, mas não há qualquer certeza. Explicando melhor, cada uma das organizações ligadas a Academia são diferentes, se dividiram (o que teoricamente tornaria tudo mais interessante agora na hora de escolher os vencedores). Quantidade de indicações já não certeza de sucesso, veja o caso de Infiltrado na Klan (BlacKkKlansman), de Spike Lee, que tem a honra de ter sido o único competidor que foi indicado por todas as organizações! A mesma coisa acontece com praticamente todos. Em resumo, não se tem um grande favorito, mesmo agora nas vésperas da premiação está valendo tudo... Também a ausência de um único apresentador da festa também não me parece uma boa resolução. Faz me lembrar a história que aconteceu nos anos 50 quando houve falta de assunto e o Jerry Lewis passou vinte minutos, ou quase, dançando com as pessoas que subiram ao palco, enrolando... O risco pode ser desastroso...

O Lado Negro da Academia

Apesar de tantos esforços, não me lembro de uma crise, ou sucessão de erros, tão evidentes quanto este ano, onde a preparação para a festa anual do Oscar parecia ter sido organizada pelo próprio Presidente Bush. É verdade que nos dois últimos anos para cá se sucederam crises e denúncias, de comportamento sexual para baixo (por exemplo, dispensando logo de cara o diretor de Bohemian Rhapsody, Bryan Singer, por exageros sexuais. E ao menos no IMDB seu nome foi mantido!). Mas nem carece repetir o óbvio, vamos é celebrar a salvação enquanto ela é possível. E com todo mundo que falei, mencionar Bette Midler, é o remédio para se acordar para a alegria e os bons tempos! Bravo! É ela que vai interpretação a canção de Mary Poppins! Mas por favor, o público insiste, resta pouco tempo e não dá para fazer mais bobagem. Queremos ver a festa do Oscar quase centenário com a alegria e qualidade que a indústria merece e que principalmente o próprio espectador vai fazer jus com uma seleção de filmes dos melhores dos últimos anos! Melhor não ficar reprisando no lado patético da roupa suja, para perseguir os antigos astros hoje acusados de tudo que é crime (o que vai de Woody Allen, a menos conhecidos que surgem a cada semana!). Ainda mais com norte-americanos que são muito moralistas e dados a tiroteios... Ao menos teremos ao vivo Lady Gaga (que insistiu: “ou todos vão cantar ou eu não participo!”. Bravo para ela!). E igualmente o grupo original de Bohemian Rhapsody pelos próprios da banda Queen! Não duvidem que façam chorar...

Os Oito Indicados. Qual o Favorito?

Por estranho que possa parecer é raro apreciar uma seleção tão boa quanto a deste ano. Eu confesso que não gosto especialmente do filme mexicano que tem nome italiano, o superestimado Roma! É longo, tem meia dúzia, ou menos que isso, com cenas bonitas, mas não é isso tudo (em particular com o muito fraco elenco feminino amadorístico que insistem em promover!). Como conseguiram um feito notável (foi selecionado para filme estrangeiro e depois na lista dos 8 melhores!). Francamente, eu defendo porque gostaria de ver o presidente anti-mexicano Trump perder a luta contra o muro...

Mas todos os outros filmes são recomendados para se assistir nos cinemas. Fiquei super emocionado com os dois musicais, tudo parece indicar que o bizarro e talentoso Rami Malik (Bohemian) será o vencedor e não me conformo em terem eliminado como diretor, o bom sujeito e determinado parceiro de Lady Gaga, Bradley Cooper. E insistirem em não respeitá-la como a grande cantora e atriz conforme que já se confirmou. O público tem gostado muito, e com razão, de Christian Bale (Vice), mesmo porque o ex Batman dá um show (a parceira Amy Adams confirma outra vez o talento). Green Book é uma história acessível e sempre oportuna onde voltam a ser elogiados o possivelmente outra vez premiado Mahershala Ali e até Viggo Mortensen. Gosto muito e vibro com o Spike Lee acertando com o seu novo filme, Infiltrado na Klan (outro filme político-social que não nega um triste sorriso!). O Pantera Negra tem provocado polêmicas mesmo podendo vir a ser o primeiro vencedor da Marvel e também o maior e mais bem-sucedido filme de aventura estrelado por negros... Está faltando mencionar outro filme por quem fui me apaixonando que é o A Favorita, um filme histórico (sobre a Inglaterra) que foi feito por um diretor grego (!, coisa rara) e reuniu três atrizes ótimas: Rachel Weisz, Emma Stone e a futura estrela Olivia Colman, que vem a ser a grande concorrente da que seria a favorita do gênero, a indicada ao Oscar sete vezes, o que pelo antigo sistema da Academia já deviam ter lhe dado um prêmio especial. Falo de Glenn Close, (A Esposa) que pode provocar o maior momento da festa.

Como sempre, os brasileiros gostam de acompanhar os filmes estrangeiros (os 5 finalistas) na vaga esperança de que um dia iremos ganhar um Oscar da Academia! Não foi dessa vez, apesar do esforço de Cacá Diegues com O Grande Circo Místico, melhor do que disseram. Mas de qualquer forma, este ano a seleção dos filmes é excepcional. Esquecendo do Roma, recomendo os outros filmes que são notáveis. Cafarnaum (um emocionante - de chorar - filme do Líbano), o surpreendente polonês Guerra Fria e não vimos o alemão Nunca Deixe de Lembrar (longuíssimo com mais de 3 Horas). O japonês finalista já é mais fraco (Assunto de Família, de Koreeda).

De qualquer forma, com crises e surpresas escondidas, o Oscar deste ano parece no mínimo interessante. Vamos torcer para que consertem logo as ocasionais besteiras que os prejudicavam.

Linha
tamanho da fonte | Diminuir Aumentar
Linha

Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

Linha

relacionados

Todas as máterias

Efetue seu login

O DVDMagazine mantém você conectado aos seus amigos e atualizado sobre tudo o que acontece com eles. Compartilhe, comente e convide seus amigos!

E-mail
Senha
Esqueceu sua senha?

Não é cadastrado?

Bem vindo ao DVDMagazine. Ao se cadastrar você pode compartilhar suas preferências, comentar ou convidar seus amigos para te "assistir". Cadastre-se já!

Nome Completo
Sexo
Data de Nascimento
E-mail
Senha
Confirme sua Senha
Aceito os Termos de Cadastro