RESENHA CRÍTICA: Somente o Mar Sabe (The Mercy)

É um épico que simplesmente não deslancha

26/04/2018 00:40 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: Somente o Mar Sabe (The Mercy)

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Somente o Mar Sabe (The Mercy)

Inglaterra, 18. 1h52min. Direção de James Marsh. Com Colin Firth, Rachel Weisz, David Thewlis, Andrew Buchan, Mark Gatiss, Genevieve Gaunt, Sebastian Armesto.

Marsh é um Diretor inglês que ganhou o Oscar de documentário pelo filme O Equilibrista (Man on Wire, 08). Depois fez A Teoria de Tudo, 14, Agente Com Dupla Identidade, 12. Mas sua experiência não funcionou neste drama britânico que confirma a velha teoria de que os ingleses têm paixão pelas histórias com final trágico. Enquanto os norte-americanos optam por ser mais positivos. Difícil porém denunciar quem errou ao produzir esta história real, que é contada sem surpresas, de maneira banal e repetitiva a ponto de entediar e deixar a vencedora do Oscar Rachel Weisz. Apesar dela fazer o principal papel feminino, acaba sendo coadjuvante com uma sequência já no final quando fala para os jornalistas, onde tem ao menos uma chance de se expor. O mesmo não se pode dizer de outro premiado com o Oscar, que é Colin Firth, que ficou totalmente apático ao descrever uma histéria aquática e real (mas que aparentemente nunca chegou a ser muito divulgada no Brasil). O roteiro é de um certo Scott Z Burns, que fez Contágio, Terapia de Risco, O Desinformante. Também muito abaixo da crítica para alguém que já foi indicado a 6 Oscars!

O que eles pretendem contar é a historia de Donald Crowurst, um marinheiro amador que em 1968 competiu no chamada Golden Globe Race do jornal Sunday Times. Ele queria vir a ser a primeira pessoa na história a circunavegar o globo sozinho (sem mais ninguém a bordo) e sem parar em qualquer escala. Resolve partir com um barco inacabado arriscando a família, mulher Claire e três filhos pequenos e a perda da casa e seu negócio. O nome do barco da aventura se chama Teignmouth Electron (não ficamos vendo os outros concorrentes, o que prejudica muito o filme), o roteiro deveria ter sido mais estendido em vez de ficar peso nos jornalistas e promotores do evento que dando informações falsas, só serviram para distrair os fatos. Achei muito fraco o Colin Firth que perdeu a oportunidade de fazer algo mais profundo e contundente (parece que emagreceu, mas nem as sessões de navegação e perigo são muito convincentes e na verdade raras. É um épico que simplesmente não deslancha.Talvez porque Firth tenha na vida real vinte anos a mais do que navegador (ele sofreu acidente e teve que ir para hospital com problema no quadril). Kate Winslet fez bem em sair do filme como chegou a ser previsto. Há um outro filme sobre a mesma história, chamado Crowhurst, 17 com Justin Salinger, mas a distribuidora comprou os direitos e o fez atrasar. Não tem aparência de chegar ao Brasil, mas bem que podia ser mais forte e poderoso do que seu similar.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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