OSCAR 2018: Três Anúncios para um Crime (Three Billboards Outside Ebbing, Mississipi)

O filme tem qualidades (também o ótimo elenco de apoio), mas se perde da metade para o fim

02/01/2018 07:31 Por Rubens Ewald Filho
OSCAR 2018: Três Anúncios para um Crime (Three Billboards Outside Ebbing, Mississipi)

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Três Anúncios para um Crime (Three Billboards Outside Ebbing, Mississipi)

EUA, 17. 1h55. Direção e roteiro de Martin McDonagh. Com Frances McDormand, Woody Harrelson, Sam Rockwell, Lucas Hedges, Abbie Cornish, Peter Dinklage, John Hawkes, Caleb Landry James, Zeljko Ivanek, Sandy Martin. Estreia no Brasil dia 25 de janeiro.

Este foi o Primeiro filme dos possíveis indicados ao Oscar a ser mostrado no Brasil (foi apresentado para a Imprensa pela Mostra Internacional de Cinema de São Paulo) e depois selecionado para o Globo de Ouro (drama, diretor, atriz Frances, ator coadjuvante Rockwell, trilha musical Carter Burwell), também o SAG de atriz, elenco, Independent Spirit (atriz, coadjuvante, roteiro). Voto público (San Sebastian), atriz e coadjuvante Rockwell no Festival de Veneza, voto do público em Toronto.

A minha expectativa era muito grande por ser admirador do diretor inglês McDonagh (1970), que nos filmes anteriores realizou trabalhos interessantes e criativos e bem-humorados como o genial Na Mira do Chefe (08) passado em Bruges, depois fez Sete Psicopatas e um Shih Tzu, (12). Infelizmente depois de ir criando um clima muito interessante e dar a Frances (mulher do diretor Joel Coen, desde 84 e tem um filho adotado no Paraguai em 94) um personagem soturno e discreto, que confirma seu inegável talento (ela ganhou um Oscar por Fargo, 97, teve mais 3 indicações, 6 indicações ao Globo, ganhou Emmy faz pouco tempo pela série Olive Kitteridge, 15). Mas ela é tão verdadeira que deixa a gente empolgado, embora o filme se perca da metade para o fim (melhor dizendo fica sem lógica, não estou usando qualquer spoiler, na metade final com uma série de situações absurdas, mal desenvolvidas e uma conclusão extremamente frustrante. Ainda que possa fazer dela uma leitura simbólica das cidades do interior americano).

Frances faz a protagonista de idade não determinada Mildred numa cidadezinha do Sul dos EUA (na verdade foi rodado na montanhosa Sylva, na Carolina do Norte) que há algum tempo perdeu sua filha que foi estuprada e morta e cujo falecimento nunca foi explicado nem mesmo pela policial local. Irritada com tudo isso, ela usa um dinheiro que tinha guardado para colocar três cartazes de um billboards antigos e esquecidos, onde recorda o absurdo cometido pela policial local (nem todos são bandidos ou perigosos e Woody Harrelson, definitivamente entrou para o primeiro time de atores, mesmo num papel ingrato). Não gosto da interpretação exagerada e até caricata de Sam Rockwell, num personagem ingrato de policial, as indicações a prêmio devem estar relembrando sua longa carreira que até agora era em branco.

Enfim, começam as intrigas e perseguições a ela Mildred, provocando discórdia entre os filhos e outras crises. O problema é que nenhuma delas parece convincente. O filme parece mais interrompido do que concluído. Ainda assim não foi mal de bilheteria nos EUA (orçamento 15 milhões, bilheteria até agora de 24 milhões). Uma pena! Mesmo assim tem qualidades (também o ótimo elenco de apoio).

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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