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Especial 30 Anos: Relembrando Gene Wilder e a Dama de Vermelho

Delícia de assistir em qualquer reprise, o filme deixa a saudade do talento de Gene Wilder

24/10/2014 12:50 Por Adilson de Carvalho Santos
Especial 30 Anos: Relembrando Gene Wilder e a Dama de Vermelho

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A Infidelidade sempre ofereceu um mote interessante para o cinema explorar: amantes psicóticas como em Atração Fatal (Fatal Atraction, 1987), histórias de amor envolventes (As Pontes de Madison, 1998) ou divertidas comédias de erros (O Dilema, 2011). Há 30 anos nos tornamos cúmplices de Theodore Pierce (Gene Wilder), um publicitário competente e dedicado pai de família que teve seu mundo virado de cabeça para baixo quando na saída do estacionamento de sua empresa vislumbra uma bela morena de vestido escarlate que revive a lendária cena do vestido levantado pela saída de ar do metrô.

Reprisado várias vezes na TV, o filme é uma deliciosa comédia que coleciona diversos momentos marcantes: as desastrosas tentativas de Ted para chamar a atenção de Charlotte (a estreante Kelly LeBrock), a perseguição da secretária feiosa, as noitadas dos amigos de Ted e uma inspiradíssima trilha sonora de Steve Wonder que inclui os hits “It’s You” (dueto com Dionne Warwick) e “I Just Called to Say I Love You” (premiada com o Oscar® de melhor canção naquele ano). Esta também ganhou o Golden Globe e foi indicada ao BAFTA, o Oscar Inglês, além de ter tido uma versão em Português cantada por Gilberto Gil.

A Dama de Vermelho foi a quarta e penúltima incursão do comediante Gene Wilder pela direção. Wilder é um talentoso roteirista, ator e diretor, afastado das telas depois de problemas de saúde. Sua carreira guarda diversos momentos criativos como sua colaboração com Mel Brooks (Banzé no Oeste, O Jovem Frankenstein) ou os filmes em que dividiu a cena com Richard Pryor (Cegos, Surdos e Loucos, Loucos de Dar Nó). Wilder adaptou o roteiro de A Dama de Vermelho do filme francês O Doce Perfume do Adultério (Un éléphant ça trompe énormément), de 1976, que gerou até uma sequência no ano seguinte chamada Nous Irons tous au Paradis, com o mesmo elenco famoso (Jean Rochefort, Claude Brasseur, Guy Bedos, Victor Lanoux). O truque de Wilder na adaptação foi mudar de quatro protagonistas para apenas um, no caso ele mesmo! E deu certo.

O filme foi considerado como precursor de uma série de filmes americanos adaptados de filmes franceses (Três Solteirões e um Bebê, Um Toque de Infidelidade e outros) e lançou a carreira nas telas da modelo Kelly Lebrock, então com 24 anos,  que logo em seguida faria outro filme icônico da década de 80 (Mulher Nota 1000), para em seguida cair no ostracismo se casando com o ator Steven Seagal e aparecendo muito pouco em alguns filmes de TV, além de papéis em filmes inexpressivos. Seu papel de Charlotte quase ficou com Melaine Griffith que o recusou para fazer Dublê de Corpo com Brian DePalma. Enquanto estava promovendo o filme na França, Gene Wilder se casou com a atriz Gilda Radner, a secretária feiosa de A Dama de Vermelho com quem dividiu a cena por três vezes e com quem dividiu a vida até a morte dela por câncer poucos anos depois.

O filme foi o trabalho melhor sucedido de Gene Wilder atrás das câmeras fazendo bom uso da icônica cena de Marilyn Monroe em O Pecado Mora ao Lado (1955), trocando a cor do vestido de branca para vermelho. O filme ainda tem no elenco Joseph Bologna como Joey, o amigo que trai a esposa, Charles Grodin como o amigo gay e Judith Ivey como a dedicada esposa de Ted, Didi. Um elenco coadjuvante bem afinado, cada um brilhando na medida certa para fazer rir. O filme de Wilder também foi um dos primeiros a receber nos Estados Unidos a classificação PG-13, na época recentemente criado e que também foi usado em Indiana Jones & O Templo da Perdição para indicar que o conteúdo não é apropriado para menores de 13 anos. Gene Wilder conseguiu fazer uma comédia leve mas provocativa sensualmente sem ser apelativa. Curiosamente, no final do fllme quando Ted esta prestes a satisfazer seu desejo de amor com a sedutora Charlotte, vai para no parapeito do quarto dela, surpreendidos pela chegada de seu marido. O prédio em questão é o mesmo usado no clássico Um Corpo que Cai. O marido de Charlotte, por sua vez, mal aparece. Na cena, enquanto fazem amor aparece uma foto do casal onde o homem que posa na verdade é Jean-Loup Dabadie, um dos roteiristas do filme original francês que inspirou A Dama de Vermelho. Acho importante também ressaltar a qualidade do filme francês original, que foi dirigido pelo excelente Yves Robert, 1920-2002,  produtor e ator, casado com a atriz Daniele Delorme, que teve seu maior êxito com A Gloria do Meu PaiO Castelo de Minha Mãe, ambos de 1990.

Quando exibido na TV brasileira pela primeira vez na Rede Globo, na época trazendo grandes títulos em sua sessão Tela Quente, o filme teve uma excelente trabalho de dublagem com Mario Monjardim fazendo Gene Wilder, Sumara Louise dublando Kelly LeBrock, Julio César dublando Joseph Bologna, Carmen Sheila na voz de Judith Ivey e Mario Jorge dublando Charles Grodin e Maria Helena Pader na voz de Gilda Radner.

Delícia de assistir em qualquer reprise, o filme deixa a saudade do talento de Gene Wilder, desconhecido hoje para uma geração mal acostumada a comédias grosseiras e sem sentido e que não tiveram o prazer de conhecer o talento de Wilder, seu rosto de homem comum tímido e desastrado, fácil de se identificar, e embalado pela voz de Steve Wonder que nos fazer lembrar a importância de chamar, sem vergonha de ser emotivo, só para dizer “Te amo”.

PS – Gene Wilder (1933-) tem problemas de saúde, que o afastaram do cinema, mas continua sendo Cult e cada vez mais querido. Vive em Nova York com sua nova mulher Karen Boyer (desde 91).

 

(Por Adilson de Carvalho Santos)

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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