FILMES CLÁSSICOS NAS TELONAS: 4ª TEMPORADA

O Cinemark exibirá mais filmes clássicos consagrados por gerações, confira quais são e a opinião de Rubens Ewald Filho sobre eles. Nesta semana: Footloose

31/10/2014 12:44 Da Redação
FILMES CLÁSSICOS NAS TELONAS: 4ª TEMPORADA

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O Cinemark trará uma segunda temporada de filmes clássicos nas telonas dos cinemas. Depois do sucesso da temporada anterior, os filmes escolhidos foram:

TOURO INDOMÁVEL - dias 25, 26, e 29 de outubro

FOOTLOOSE - dias 1, 2 e 5 de novembro

BONNIE & CLYDE - dias 8, 9 e 12 de novembro

LOVE STORY - dias 15, 16 e 19 de novembro

SCARFACE - dias 22, 23 e 26 de novembro

UMA LINDA MULHER - dias 29, 30 de novembro e 3 de dezembro

Para ver quais as salas e horários, visite o site do CINEMARK.

 

A cada semana traremos a resenha crítica completa de cada filme a ser exibido. Nesta semana, temos:

 

Footloose, Ritmo Louco (Footloose)

1984, EUA. 107 min. Diretor: Herbert Ross. Elenco: Kevin Bacon, John Lithgow, Lori Singer, Dianne Wiest, Christopher (Chris) Penn, Frances Lee McCain, Sarah Jessica Parker, Jim Youngs, Brian Wimmer, John Laughlin.

Sinopse: Numa cidadezinha do interior americano, em Utah, é proibido dançar rock depois de um acidente de carro que matou vários jovens. Quem faz campanha contra é um pregador enquanto sua filha tem um romance com um rapaz de Chicago que está morando agora na cidade. A solução é organizar as danças fora dos limites do município.

Comentários: Não da para comparar com a refilmagem recente de 2011, que foi um extraordinário fracasso de bilheteria e crítica. Custou 24 milhões de dólares e não rendeu mais de 15! Dirigido por Craig Brewer, de Ritmo de um Sonho (Hustle & Flow) e o horrível Entre o Céu e o Inferno, era para ser estrelado por  Zac Effron, depois Chace Crawford mas acabou nas mãos de um coreografo (de Justin Timberlake) que não tinha condições nem tipo para o personagem: Kenny Wormald.  A mocinha Julianne Hough é só ligeiramente transparente e dispensável. De qualquer forma, poucos viram e vale reproduzir a critica dele (leia no final do texto*).

Para coincidir com esta nova versão, saiu em Blu Ray o filme original que se nunca chegou a ser exatamente um clássico, sem dúvida fez bastante sucesso e virou ao menos um Cult. Na época, este musical veio como sucessor de Flashdance, como precursor da moda do videoclip (music video) e foi um dos primeiros (se não o primeiro) a ser lançado com o apoio da recém fundada MTV. Assim se beneficiou de seu apoio maciço que deram (também porque tiveram a inteligência de lançar a trilha musical do filme em disco antes da estreia, ou seja quando o filme estreou a musica já era sucesso!)   Definido como “a liberdade de ir onde quiser e fazer o que quiser”, o roteiro conta uma história como se ainda estivéssemos nos anos 50, ou seja, antiquada demais para ser convincente. Ainda assim a história teria sido inspirada na cidade Elmore City no Oklahoma, onde era proibido ter danças desde sua fundação 1861. Os estudantes queriam fazer baile de formatura e tiveram que brigar com a prefeitura para a permissão (a revista People noticiou isso em 1980). E conseguiram.

O roteiro é de Dean Pitchford, compositor da canção Fame e que também fez a montagem teatral de 1998. É importante notar que não é um musical no sentido tradicional, as pessoas aqui nunca cantam. As canções são apresentadas em off, interpretadas por outros e que serviriam para passar o sentimento daquela cena ou sequência. Por sinal eu assisti a montagem teatral na Broadway (estreou em 22 outubro de 1998 e ficou em cartaz por 709 performances) e depois em 2006 na Inglaterra (onde ficou em cartaz apenas alguns meses). A original não era muito boa, nem o elenco especial (Jeremy Kushnier, Stephen Lee Anderson, Jennifer Laura Thompson. Nenhum deles fez carreira). A verdade é que não funcionava nem mesmo com toda nostalgia. De qualquer forma, era um ano fraco porque ganhou o Tony de roteiro e de trilha musical!

É muito curioso como o filme que teve nos EUA a liberação de PG (livre para menores) é bastante forte (a nudez é masculina em cena de chuveiro) e mostra momentos de juventude transviada a la James Dean! Esse chamado mau exemplo é dado principalmente pelo personagem da filha do pregador (Lori Singer, que diante do pai parece boazinha mas que longe dele se comporta como uma completa louca, desatinada realizando absurdos, como pular de um carro para outro ambos em alta velocidade, ficar diante de um trem em movimento).  Outra cena idiota é quando o herói aposta corrida de trator com um rival (o namoradinho de Lori) como o trator não corre muito, a cena não convence. A nossa vigilante censura percebeu isso e porque o filme dava o  esse exemplo de irresponsabilidade, custou a ser lançado no Brasil porque a Censura o proibiu até 18 anos! De qualquer forma, a falta de fundamento do personagem era e continua a ser o ponto fraco do filme.

Foi dirigido por Herbert Ross (1927-2001), que todos do elenco lembram que era exigente e dava broncas. Ele dirigiu filmes famosos que falavam de música (como Momento de Decisão, Funny Lady, Nijinsky) mas antes disso também foi diretor de cenas musicais de fitas de outros diretores (Dr Dolittle, Funny Girl com Barbra Streisand e Natalie Wood em À Procura do Destino). Ou seja, entendia do assunto.

Algumas músicas são contagiantes, mas as danças são poucas e ficam melhor nos clipes. Entre as canções de sucesso, ouvidas na trilha “Footloose” (Kenny Loggins), “Dancing in the Sheets” (Shalamar), “Let’s Hear it for the Boy” (Denise Williams), “Holding out for a Hero” (Bonnie Tyler), “Almost Paradise” (Nancy Wilson e Mike Reno). Duas delas, as mais comunicativas, a canção titulo e “Let´s Hear for the Boy” chegaram a ser indicadas ao Oscar® de canção. Sendo que “Footloose” também foi editada como clipe nos letreiros de apresentação além de ter sido usada na dança final (que é o ponto alto do filme). É curioso se rever o filme porque a figura que se dá melhor é mesmo que Kevin Bacon (então já com 24 anos mas fazendo adolescente), de quem nunca fui muito fã (em parte pelo nariz pequeno que lhe dá um ar frágil), mas esta foi sua revelação. E conforme ele diz num depoimento atual que esta como extra do Blu-ray, ele se dedicou ao personagem e a dança e resulta muito bem (ele faz a maior parte dos movimentos embora não tivesse formação de dançarino, a não ser por alguns momentos atléticos, de ginasta onde foram usados dublês). Ele lembra também que seu penteado no filme foi inspirado em Sting e no grupo The Police! Mas criticamente acha que estava melhor no teste (incluído no BD) do que resultou no filme!

Outra pessoa que finalmente virou estrela é Sarah Jessica Parker, que na crítica original eu nem mencionei. Ele também da depoimento nestes extras, lembrando que estava com 18 anos e que saiu da série de TV Square Pegs para fazer o filme e que namorou durante as filmagens Chris (Christopher Penn). Faz a melhor amiga da heroína e não da para imaginar que um dia viria a ser o ícone de moda de Sex and the City. Quanto a Chris Penn (1965-2006) ele é o irmão mais novo de Sean Penn (então já famoso) e filho do diretor Leo Penn. Ele esta muito bem no filme, simpático e carismático (e inclusive ao final dá show de dança embora não tivesse qualquer preparação para isso). Chris fez filmes como Cães de Aluguel, A Hora do Rush, Cavaleiro Solitário, Short Cuts, Selvagem da Motocicleta (num total de 64 títulos). Morreu gordo, de problemas com o coração.

Já Lori Singer vem de família musical (o pai é maestro, a mãe pianista), foi revelada pelo seriado Fama, mas nunca fez filmes muito importantes: Warlock, O Homem do Sapato Vermelho, Traição do Falcão, Short Cuts. É mais velha do que aparenta (nasceu em 1957) e bateu Madonna, que chegou a fazer teste. É irmã do ator Marc Singer, prima do diretor Brian Singer e muito alta: tem 1 metro e 79. E isso revendo o filme fica muito visível. O pregador é feito pelo hoje astro de TV e grande ator John Lithgow (tem até destaque na capinha do Blu-ray) e sua mulher pela duas vezes vencedora do Oscar® Dianne Wiest.

Como todo filme tem várias histórias de bastidores: Michael Cimino foi contratado como diretor, mas despedido porque exigiu dinheiro para refazer o roteiro (ele teve orçamento muito modesto de 7,5 milhões de dólares e foi rodado em locações realmente em Utah). John Travolta recusou o papel central enquanto Tom Cruise e Rob Lowe foram considerados antes de Kevin, mas Cruise estava fazendo outro filme (All the Right Moves) e Lowe machucou seu joelho. Sua participação em Diner foi o que contou a favor de Kevin. (para fazer o filme ele desistiu de estrelar, Christine o Carro Assassino). O papel da heroína Ariel foi recusado por Daryl Hannah (que foi fazer Splash) e mais Elizabeth McGovern e muitas outras (entre elas, Michelle Pfeiffer, Jamie Lee Curtis, Meg Ryan, Jodie Foster, Tatum O´Neal, Brooke Shields).

Conclusão: Não chega a ser como diz a capinha do Blu-ray, “o filme que marcou uma geração” mas o tempo fez esquecer seus defeitos de roteiro e apenas recordar seus pontos altos. Quem quiser conhecê-lo, melhor preferi-lo nesta edição Blu Ray. Ou num Cinemark perto de você...

 

*Footloose (2011). Diretor: Craig Brewer. Elenco: Dennis Quaid, Julianne Hough, Andie MacDowell, Kenny Wormald, Miles Teller, Patrick John Flueger, Ray McKinnon, Kim Dickens.

Sinopse: Quando morre sua mãe, o teen Ren MacCormack deixa Boston e vem morar numa cidadezinha do Sul na casa de tios. Mas descobre que é proibido dançar na cidade há três anos quando cinco adolescentes morreram em acidente de carro, causado pela dança e bebida!

Comentários: Ficou inédita em nossos cinemas esta inútil e mal sucedida refilmagem do sucesso de 1984 que consagrou Kevin Bacon. O filme original mal chegava a ser classificado de musical (já que todas as canções eram em off), mas tinha danças cheias de ritmo e energia e nenhuma pretensão. Foi uma ideia estúpida refazê-lo a moda dos tempos atuais, ou seja, tudo é mais moralista, bobo e inferior. Na verdade, nenhum dos filmes dessa década que foram refeitos deu certo (nem mesmo, o Fama que tinha problema semelhante). Alias a história já tinha sido feita como musical da Broadway. Eu o assisti, mas fora um par de danças não tinha maior razão de ser. Embora alguns extras do DVD insistam em afirmar que é uma releitura, não muda muito a história apenas escolhem o elenco errado (para vocês verem como é fundamental a escolha de atores!).

Começando pela figura do pregador que perdeu o filho no acidente (alias uma diferença é essa, aqui tudo começa mostrando os 5 dançando a música tema e depois sofrendo o acidente de carro que provocará a lei absurda). No original era John Lithgow que o interpretava de forma exagerada e carrancuda, quase como vilão. Em seu lugar puseram um dos piores atores de Hollywood, Dennis Quaid, que procurou humanizar sua figura, justificar sua ação, com medo de entrar em conflito com grupos religiosos e assim perder o público do interior. Deram-lhe inclusive uma mulher glamourosa, a já senhora Andie MacDowell. Mas o erro básico foi a escolha do protagonista que foi descoberto por testes, um baixinho com cara de nada chamado  Kenny Wormald, que se diz dançarino mas nem isso faz bem. Nem chega aos pés de Kevin Bacon (que não tinha formação de dança, mas se saiu muito melhor, tanto que sua carreira prossegue ate hoje). Ele tenta ser meio Mickey Rooney, ou seja um típico Americano, mas não responda a qualquer quesito e ajuda a derrubar o filme. Sorte teve Zac Efron que havia sido escolhido para estrelar o filme, mas pulou fora alegando que não queria fazer apenas musicais. Em seu lugar chamaram Chace Crawford de Gossip Girl, que por sua vez também desistiu.

Outro que pulou fora foi o diretor Kenny Ortega, de High School Musical, certamente depois de ler o ridículo script (o problema é que ele foi escrito pelo mesmo Dean Pitchford, que escreveu o original. Indesculpável). Dizem que mesmo o diretor atual Craig  recusou o projeto por duas vezes! A menina que faz a heroína Ariel é melhor, Julianne Hough (que foi revelada pelo programa Dancing with the Stars, onde ela dançou com o brasileiro Helio Castro Neves). Ela tem límpidos e brilhantes olhos azuis mas o personagem continua a ser auto destrutivo (tenta se matar diante de um trem em movimento). Só que não há vilões de verdade, os familiares são legais e todo mundo bem intencionado. Ou seja, o conflito é superficial e mentiroso.  Outro erro: no original o papel do melhor amigo era feito pelo irmão de Sean Penn, Chris Penn (1965-2006), que era gordo e com cara de bobão, mas bom ator e tipo, muito melhor do escolhido aqui que não deixa maior impressão. Rodado na Estado da Georgia, custou 25 milhões de dólares e rendeu 15”.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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