FILMES CLÁSSICOS NAS TELONAS: OS FAVORITOS - SEMANA 1

O Cinemark exibirá os filmes clássicos escolhidos pelo público, confira quais são e a opinião de Rubens Ewald Filho. Nesta semana: Pulp Fiction

04/12/2014 14:55 Da Redação
FILMES CLÁSSICOS NAS TELONAS: OS FAVORITOS - SEMANA 1

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O Cinemark trará uma temporada de filmes clássicos nas telonas dos cinemas, desta vez com filmes escolhidos pelo público:

Para ver quais as salas e horários, visite o site do CINEMARK.

A cada semana traremos a resenha crítica completa de cada filme a ser exibido. Nesta semana:

 

Pulp Fiction - Tempo de Violência (Pulp Fiction)

EUA, 1994. Miramax /Disney. 154 min. Direção: Quentin Tarantino. Roteiro dele e Roger Avery. Fotografia: Andrzej Sekula. Direção de Arte: David Wasco. Montagem: Sally Menke.  Produção: Danny De Vito. Elenco: John Travolta, Samuel L. Jackson, Uma Thurman, Bruce Willis,  Harvey Keitel, Tim Roth, Amanda Plummer, Maria de Medeiros, Ving Rhames, Eric Stoltz, Rosana Arquette, Christopher Walken, Tarantino, Frank Whaley.

Sinopse: Vários personagens se cruzam em Los Angeles, numa narrativa- não linear, em quatro tramas centrais: dois capangas em missão de resgate, um casal que faz um assalto, uma garota que quase morre de overdose de drogas, um especialista que limpa vestígios de assassinato, uma maleta misteriosa e um lutador que tem que fugir quando recusa entregar uma luta.

Bastidores: Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes e do Oscar® de roteiro original (foi indicado também como diretor, ator para Travolta, montagem, ator coadjuvante para Jackson). Consagração do diretor mais influente da década, Tarantino, que sempre admitiu que foi influenciado por outras fitas, principalmente de Hong Kong (como Perigo Extremo/ City on Fire) e acabou provocando uma explosão do cinema independente americano e centenas de imitações. O próprio Tarantino entrou em crise, desenterrando roteiros antigos e mais fracos, insistindo em trabalhar como ator e realizando só outro filme em 1997 (Jackie Brown, 1997). Não custou porém a recompor sua carreira voltando a ter sucesso (outro Oscar® de roteiro em 2013, por Django Livre, indicações também por roteiro e direção por Bastardos Inglórios, 10).  Pulp  provocou um ressurgimento na carreira de John Travolta, que andava por baixo e ajudou todo o elenco (alguns, como Rhames, viraram astros). Pulp Fiction são aqueles livros baratos com histórias policiais, muito em modas nos anos cinquenta.

Comentários: Sem dúvida, foi o filme da década de noventa. Apenas o segundo longa-metragem de um jovem, ex-atendente de locadora, que de tanto ver filmes, acabou escrevendo roteiros, dirigindo uma primeira fita violenta e promissora (Cães de Aluguel/Reservoir Dogs,1992). Mas nada fazia prever semelhante explosão e sucesso (o filme passaria os cem milhões  de dólares em renda nos EUA) e também as sucessivas imitações de estilo e gênero que até hoje continuasse a sentir nas fitas independentes não só americanas.  Mas quem esteve como eu na sua primeira sessão de estreia, em Cannes, pode relatar o choque que o filme produziu com suas inovações e situações inusitadas. Começando pela narrativa sem cronologia. Só na metade  que você vai perceber que está vendo o fim e não o começo e finalmente as peças do quebra-cabeça começam a se ajustar. Mas principalmente nos personagens amorais, que tem senso de humor, mas se comportam de maneira extremamente curiosa. Os mais marcantes são os dois capangas que trabalham para um gangster, Travolta e Jackson, que tem que resgatar um rapaz que foi sequestrado. Depois de escaparem miraculosamente de um fuzilamento (que faz um deles se converter religioso), matam acidentalmente o rapaz resgatado (o revolver dispara no carro e provoca a maior sujeira, de tal maneira que tem que chamar um sujeito que é especialista nesse tipo de coisa, um personagem que Tarantino sem dúvida copiou um curta-metragem que tinha assistido). Outras cenas são igualmente bizarras, como o estupro do gangster negrão por sado-masoquista, a jovem que praticamente morre de overdose mas precisa ser ressuscitada. O fato é a violência nunca havia sido tratada de tal maneira, com um elenco tão brilhante (todos acertam) e com o tom certo, meio satírico, meio afetuoso, um pouco “noir”, muito contemporâneo. Pouco importa  que certas ideias tenham sido emprestadas de fontes alheias, o que vale é que o resultado é muito pessoal, diferente, cheio de surpresas e choques. Uma explosão de talento.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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