OSCAR 2018: Viva - A Vida É Uma Festa (Coco)

O filme pode ser considerado um grande momento de homenagem a tudo que é Mexicano

02/01/2018 08:54 Por Rubens Ewald Filho
OSCAR 2018: Viva - A Vida É Uma Festa (Coco)

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Viva - A Vida É Uma Festa (Coco)

EUA, 2017. 1h45 min. Direção de Lee Unkrich. Adrian Molina. Roteiro de Jason Katz e Unkrich (autores da história original). Roteiro de Molina e Matthew Aldrich. Na trilha original, vozes de Gael Garcia Bernal, Benjamin Bratt, Anthony Gonzales, Alfonso Arau, Edward James Olmos, Cheech Marin. Trilha de Michael Giacchino.

Este é o primeiro filme original da Pixar desde o malsucedido O Bom Dinossauro, 15 (até porque os próximos filmes do estúdio serão também remakes, entre eles Incríveis 2, Detona Ralph 2, Toy Story 4, Frozen 2). Na verdade, não se chama de Coco (o nome do protagonista, por razões óbvias para não confundir com o brasileiro cocô. Essa palavra também se refere no México a Nossa Senhora do Socorro).

Embora a gente saiba que um filme desse tamanho e cuidados de produção deve ter estado alguns anos em produção (ela já rendeu até 22 de dezembro cerca de 161 milhões e foi um tremendo sucesso de bilheteria no México, num total de 390 milhões). É difícil não perceber a ironia. A Pixar Disney tem a ousadia de fazer um filme inteiro (na verdade continuo achando os desenhos recentes longos demais, cansativos para crianças pequenas!) mais do que mostrando o México, mas fazendo a celebração e elogio da cultura muito especial daquele país. Justamente quando o atual presidente norte-americano está lutando e continua criando problemas em relação ao povo mexicano, insistindo em construir um muro para impedir que eles emigrem (e também sempre pensando em expulsar os operários migrantes!). Desprezando a cultura milenar do México, um país ainda mais violento do que o nosso, mas que tem uma história complexa e muito interessante.

Foi com este filme que eles se esforçaram em registrar esses costumes, começando com um famoso que pode inclusive provocar reações nas crianças pequenas que forem ver o resultado. Acontece que na cultura mexicana celebra-se sempre o Dia dos Mortos, de uma maneira mais radical do que os brasileiros. Inspirado pela cidade dos Mortos, ou seja Guanajuato, que tem o formato de casas coloridas na Montanha, mostra-se o costume de comemorar os Mortos com as flores típicas (que são as marigold/diz o Google flor de calêndula). Mas o mais curioso é que toda a celebração é com caveiras, e figuras exóticas da morte, que é para relembrar e cultuar justamente os falecidos. Ou seja, um ritual festivo que aqui é recriado como se fossem os grandes ídolos da música (e mesmo do cinema mexicano, que teve seu auge nos 40 e 50), em particular de sua grande figura Pedro Infante (1917-57), e quem prestar atenção também da pintora Frida Kahlo e a raça de cão Kholo. Se prestar bem atenção também identificará outras figuras famosas da história mexicana como a figura do lutador Santo, o ator comediante Canfinflas, o cantor Jorge Negrete, o revolucionário Emiliano Zapata e a lendária estrela Maria Felix (curiosamente também é o primeiro filme da Pixar a mostrar uma morte em cena de um personagem).

Na verdade, o filme pode ser considerado um grande momento de homenagem a tudo que é Mexicano, à partir da figura do jovem herói, Miguel, que vive com sua família pobre mas feliz que sonha em se tornar um musico famoso. Como seu ídolo que é o cantor Ernesto de La Cruz, e vai atrás dele na Terra dos Mortos, e no caminho vai encontrando estranhas figuras que Irão aos poucos revelar a história dele e sua família.

Vermelho e dourado, são as cores predominantes no que é diz a publicidade da Disney, a “celebração de uma vida”. Não deixa de ser ousado em fazerem um filme de animação justamente sobre a Morte!!! Tudo isso o torna um provável finalista (ou mesmo vencedor) do Oscar da categoria.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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