O nico Humano Bom Aquele que Est Morto!

A frase do ttulo foi pronunciada no filme De Volta ao Planeta dos Macacos (1970), de Ted Post. Porm, foi inserida no roteiro do filme clssico O Planeta dos Macacos (1968), de Franklin J. Schaffner

16/10/2016 18:08 Por Marcus Pacheco
O Único Humano Bom É Aquele que Está Morto!

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O Único Humano Bom É Aquele que Está Morto!

A frase do título foi pronunciada no filme De Volta ao Planeta dos Macacos (1970), de Ted Post. Porém, foi inserida no roteiro do filme clássico O Planeta dos Macacos (1968), de Franklin J. Schaffner. Do original, a cena na qual era pronunciada foi cortada da edição final (cena na qual a Dra. Zira passava com Taylor e Nova dentro de uma carroça-jaula a caminho da Zona Proibida). Mas, a origem real da frase é de um personagem da história da conquista do Oeste dos Estados Unidos. O general Sheridan dizia: "Índio bom é índio morto!".

Esta célebre frase traduz a sensação de quando você conhece histórias como a Henry ou Ed Gein. Ed, por exemplo, foi a inspiração de Hitchcock em Psicose (inclusive os elementos principais do filme). Quando preso, a polícia encontrou em sua casa crânios humanos empilhados sobre um dos cantos da cama, pele transformada num abajur e usada para estofar assentos de cadeiras, peitos usados como seguradores de copos, crânios usados como tigelas de sopa, dentre outros souvenires. Já Henry foi um assassino americano, condenado por homicídio. Foi listado uma vez como o mais prolífico matador em série dos EUA. Henry Lee Lucas confessou estar envolvido em cerca de 600 assassinatos (em conjunto com Ottis Toole) cerca de uma morte por semana entre 1975 e 1983.

A Obras Primas do Cinema caprichou numa seleção recém lançada, com 5 filmes muito fortes, que contam a história destes caras, que pareciam viver para fazer o mal. 

Eis os filmes:

Henry - O Retrato de Um Assassino (1986)

Henry é um rapaz que vive com seu ex-colega de prisão e sofre de distúrbio que o leva a matar pessoas de formas bárbaras. Quando o colega e sua irmã, que também sofrem de perturbações psicológicas, descobrem seus feitos, são atraídos pela violência, mas ao mesmo tempo se tornam vítimas em potencial. Baseado em caso real.

O filme nos insere na mente de Lucas, que matava sem motivo, deixando um rastro de sangue no seu caminho. O diretor McNaughton filmou num tom frio, quase documental, mostrando as atrocidades cometidas. Inclusive, os primeiros quatro crimes cometidos no filme seguem fielmente os registros de alguns dos assassinatos de Henry Lee Lucas. 

A produção, de baixo orçamento e feita diretamente para o mercado de home vídeo, tornou-se um cult movie e tornou conhecido o ator Michael Rooker (que estava no elenco fixo do Walking Dead até pouco tempo). Durante a sessão do filme no Festival de Telluride (EUA) de 1989, metade do público abandonou a sala durante a cena do massacre da família. O filme ganhou uma continuação em 1996, Henry - Retrato de Um Assassino Parte 2, nunca lançada no Brasil. Nenhum membro da equipe original esteve envolvido na produção da sequência.

Confissões de um Necrófilo (1974)

Um homem que vive na parte rural de Wisconsin cuida de sua mãe que é muito dominadora e ensina que todas as mulheres são más. Depois que ela morre, ele sente muita a falta dela. A partir da morte dela, ele começa a fazer as coisas mais macabras que se pode imaginar.

 O filme se baseia na história de Ed Gein, que após a morte de sua mãe, se sentiu sozinho e perdido. Ele nunca desenvolveu qualquer amizade e sua mãe era a única pessoa próxima a ele. Ed Gein desenvolveu interesse na anatomia do corpo feminino e começou a ler revistas que cultuavam a morte. O que mais o interessou foram as atrocidades dos nazistas, em particular, as experiências médicas realizadas em pessoas nos campos de concentração. Seu interesse na anatomia foi tanto que o encaminhou a ponto de que, dentro de poucos anos seguintes, ele começou a visitar vários cemitérios e exumar cadáveres femininos frescos, dissecá-los e manter algumas das partes do corpo, incluindo a cabeça, os órgãos sexuais e os órgãos internos ocasionais (coração, fígado, intestinos etc.).

Após sua prisão, Ed Gein passou 10 anos em um hospital psiquiátrico. Gein foi dado como mentalmente incapaz e mandado para o Central State Hospital, que mais tarde se tornou uma prisão. Ele foi transferido para Mendota State Hospital em Madison, Wisconsin. Em 1968, médicos declararam que ele estava são o suficiente para ir ao tribunal. O julgamento começou a 14 de novembro e durou uma semana. Ele foi considerado não culpado devido à insanidade. Ed passou o resto dos seus dias num hospital psiquiátrico.

Lua-de-mel de Assassinos (1969)

Vamos com isto ao terceiro filme do box. Baseado na história verídica de Raymond Fernandez e Martha Beck, que se encontram por correspondência. Ray é invasor, selvagem e não confiável​​; Martha é compulsiva e necessitada. Juntos, começam a atrair mulheres para roubá-las e matá-las.

Tal como Henry, esta produção tem estilo documental. Na vida real, eles foram presos no Estado de Michigan. Como não havia pena de morte lá, o promotor disse que poderiam ficar se contassem tudo.

Porém, história caiu nos jornais em todo país e o público pressionou que aqueles assassinos não poderiam ficar vivos. Então o governador de Nova York fez um acordo com o estado de Michigan. No dia do julgamento, Raymond assumiu toda a culpa em troca do bem-estar de Martha, mas foi negado. Em 22 de agosto de 1949, o casal foi condenado à cadeira elétrica. Ambos trocavam cartas na prisão e, no dia da execução em 8 de Março de 1951, Martha enviou uma ultima carta declarando seu amor a Ray. Às 11 horas, Raymond Fernandez foi executado e suas últimas palavras foram um grito declarando seu amor por Martha. Às 11:24, foi a vez de Martha Beck, que silenciosamente disse “Adeus”.

O que mais chama atenção é que François Truffaut disse que este era seu filme americano favorito. E além deste fato, algumas cenas foram rodadas por Martin Scorsese, o primeiro diretor contratado para filmá-lo, mas despedido depois de uma semana por não se adaptar ao orçamento (150 mil dólares), sendo completado pelo próprio autor do roteiro. 

O Estrangulador de Rillington Place (1971)

Um prédio em Rillington Place, na Londres de 1949, é administrado por John Christie, um homem de meia-idade, aparentemente despretensioso. Na verdade, seu comportamento esconde um serial killer. Ele, para atingir suas vítimas, dá dicas médicas e faz pequenas consultas, no seu próprio apartamento. Sua próxima vítima é a nova moradora do prédio, Beryl Evans, que é casada com Tim Evans. Beryl descobre que está grávida, mas o casal não pode ter o bebê. Entretanto, não podem pagar por um aborto. John Christie se oferece para fazer o aborto. Porém, Tim está ciente de que sua esposa pode morrer.

O filme conta a história real de John Reginald Christie Halliday, que cometeu seus crimes entre 1943 e 1953, geralmente estrangulando suas vítimas depois de ter deixado-as inconscientes com gás. Enquanto estavam inconscientes, Christie violou algumas das mulheres.

O caso da família Evans foi o que mais repercutiu. Uma grande controvérsia envolve a responsabilidade pela morte de Beryl Evans e sua filha Geraldine (1 ano), que, junto com o marido Timothy Evans, eram inquilinos, na 10 Rillington Place, durante em 1949. Timothy Evans foi acusado dos dois assassinatos, considerado culpado do assassinato de sua filha, e enforcado em 1950. Christie foi uma testemunha de acusação chave, mas quando seus próprios crimes foram descobertos três anos depois, tiveram sérias dúvidas sobre a integridade da convicção de Evans. 

O caso contribuiu para a abolição da pena de morte por homicídio no Reino Unido em 1965, já que Evans obteve o perdão póstumo.

O Maníaco (1980)

Frank Zito é um desequilibrado mental que assassina inúmeras garotas brutalmente e guarda seus escalpos para adornar os inúmeros manequins que lhe fazem companhia. Até o dia em que uma mulher tira uma fotografia sua no Central Park. Trata-se da fotógrafa Anna D'Antoni, por quem Zito acaba se apaixonando. Mas será que o relacionamento conseguirá vencer sua sede de sangue?

O filme conta com a estonteante Caroline Munro e a maquiagem do mito Tom Savini, “The Godfather of Gore”, que tive o prazer de conversar. Curioso o fato de que William Lustig, o diretor do longa, também realizou os 3 Maniac Cops e produziu um filme chamado Maníaco (sem o "O") em 2012, que é um remake. Obsessão pelo tema? Certamente não foi coincidência.

Joe Spinell, o ator principal que trabalhou em filmes importantes como Rocky - Um Lutador, O Poderoso Chefão e Taxi Driver (no filme ele inclusive faz uso da célebre frase de Travis Bickle), morreu de causa não determinada. Existem especulações até hoje sobre sua morte. Alguns dizem que foi ataque do coração, em consequência de bebidas, drogas e a morte da mãe, a qual ele era muito ligado. Pode ainda ter sido por causa de uma crise de asma, ou ainda pode ter sangrando até a morte devido a um corte, acidental ou autoinfligido (ele era hemofílico).

E um spoiler mínimo: a morte do personagem de Tom Savini é antológica. E é o único filme da caixa que não é baseado numa história real... assim espero!!!

 

EXTRAS:

Quase 3 horas de extras:

Entrevistas com Tom Savini, Scott Spiegel e Caroline Munro; O inédito documentário “O Serial Killer – Henry Lee Lucas”; Cenas delatadas de Henry – Retrato de um Assassino; Making of; depoimentos.

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Sobre o Colunista:

Marcus Pacheco

Marcus Pacheco

Marcus V. Pacheco jornalista, formado na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Cinfilo, Editor de site, Colecionador e Escritor. Marcus j realizou vrios curtas metragens e um longa chamado "O ltimo homem da terra (2001)", baseado no conto de Richard Matheson. Escreveu tambm 30 e-books sendo 29 sobre cinema e um de fico que est em fase inicial para publicao. Criador e editor do site "Tudo sobre seu filme (http://www.tudosobreseufilme.com.br/)" onde publica crticas, listas, aulas de cinema e curiosidades do mundo da 7 arte h 4 anos, alm de realizar entrevistas com atores, diretores, crticos e colecionadores do mundo todo.

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